Alonso voltou a conseguir o impossível: como é que o fez?

- Advertisement -
modalidades cabeçalho

O Grande Prémio de São Paulo do último fim de semana voltou a ter Max Verstappen como o grande vencedor, tanto no sábado, como no domingo. Embora Lando Norris tenha ficado mais perto do que outros ficaram esta temporada, não se pode dizer que o neerlandês tenha chegado a sentir o primeiro lugar em perigo. Assim, as grandes emoções ficaram mais para trás, com Fernando Alonso a regressar aos pódios, com mais um momento que encantou os seus fãs e os adeptos de Fórmula 1.

O espanhol tinha a missão que muitos considerariam impossível de segurar o pódio perante a ameaça do outro Red Bull de Sergio Pérez, que começou o seu ataque no início do segundo stint, assim que ultrapassou os Mercedes que o tinham batido em qualificação. O mexicano estava a um segundo e meio do Aston Martin na 33.ª de 71 voltas e tinha-o apanhado rápido. Mas também tinha parado mais cedo para responder às paragens dos Mercedes, estando com pneus mais velhos do que Alonso, sabendo que não o poderia atacar ‘à maluca’ sob pena de destruir os pneus. Assim que Pérez entrou na box à procura do undercut (a mais de três segundos de Alonso), o espanhol perguntou ao engenheiro se podia ficar mais tempo em pista, de modo a criar uma vantagem de pneu para o segundo stint. A resposta da equipa foi negativa e Alonso parou e saiu à frente do mexicano. Ainda faltavam 24 voltas, Alonso tinha três segundos de vantagem e Interlagos é uma das pistas menos exigentes para ultrapassar do calendário, muitos pensariam que seria impossível para El Nano manter o pódio.

Mas aí entrou toda a experiência e recursos do piloto de 42 anos. Antes de mais, o facto de Pérez estar a ganhar tanto tempo por volta devia-se não só ao facto de ter um carro mais rápido, como ao facto de Alonso o querer por perto, para poupar os próprios pneus e para causar mais estragos aos pneus do oponente. Pérez também teve o mérito de não cair redondo nessa estratégia, gerindo da melhor forma que sabia. Mas Alonso, tendo poupado os pneus previamente, podia usá-los mais posteriormente para garantir que Checo não tinha DRS muito cedo (ainda para mais sendo o DRS tão poderoso na pista brasileira).

De resto, o piloto da Aston Martin foi muito inteligente também na sua técnica de condução, focando-se sobretudo nas curvas 10, 11 e 12, antes da reta da meta, usando uma linha alternativa (explicou depois que foi usando várias para que o seu adversário não soubesse o que ele ia fazer em cada volta) para garantir que não carregava demasiado os pneus nessas curvas e garantindo que saía daí com máxima tração para a reta que vinha. O uso estratégico da bateria também foi um pormenor excelente, sendo nessa reta da meta que Fernando Alonso a usava. Assim, mesmo com Pérez com DRS, Alonso recuperava aquilo que perdia propositadamente nas curvas anteriores.

Mesmo assim, os pneus do Aston Martin foram-se degradando e o espanhol deixou de conseguir sair tão bem da curva 12. Pérez aproveitou isso na penúltima volta, ultrapassando no S do Senna, naquilo que parecia que era o terceiro lugar garantido para o Red Bull.  Alonso manteve-se atrás do oponente e este cometeu um erro na primeira curva, comprometendo a saída da segunda e permitindo ao piloto da Aston aproveitar o seu próprio DRS para devolver a ultrapassagem por fora na curva 4. Depois foi Pérez a não desistir, uma vez que ainda iria ter o cone de aspiração antes da reta da meta. Mas Alonso conseguiu segurá-lo e passar a meta na frente por 53 milésimos, numa batalha que vai ficar na memória durante muito tempo.

Pessoalmente, comecei a ver Fórmula 1 por influência de um amigo que é fã de Fernando Alonso, sendo naturalmente esse um dos primeiros pilotos a quem prestei atenção quando comecei a ver. Hoje em dia, não tenho dúvidas de que é o meu piloto preferido e performances como a de domingo são um excelente exemplo do porquê.

Bernardo Figueiredo
Bernardo Figueiredohttp://www.bolanarede.pt
O Bernardo é licenciado em Comunicação Social (jornalismo) na Universidade Católica de Lisboa e está a terminar uma pós-graduação em Comunicação no Futebol Profissional, no Porto. Acompanha futebol atentamente desde 2010, Fórmula 1 desde 2018 e também gosta de seguir ténis de vez em quando. Pretende seguir jornalismo desportivo e considera o Bola na Rede um bom projeto para aliar a escrita ao acompanhamento dos desportos que mais gosta.

Subscreve!

Artigos Populares

Gustavo Puerta é reforço do Olympiacos após ser associado ao Benfica

Gustavo Puerta foi anunciado como reforço do Olympiacos após ter sido associado ao Benfica neste mercado.

Médio do Nice será companheiro de Richard Ríos no Al Ittihad: Eis os detalhes

Depois de garantir o empréstimo de Richard Ríos, o Al Ittihad vai completar o meio-campo com a aquisição de Hicham Boudaoui.

Jonathan Rowe é reforço da Atalanta

Jonathan Rowe foi anunciado na Atalanta. O extremo chega por empréstimo do Bolonha até ao final da temporada.

Avançado inglês deixa Arsenal a custo zero e está a caminho do Feyenoord

Reiss Nelson deixou o Arsenal a custo zero e está a caminho do Feyenoord. Na última temporada, o avançado esteve emprestado ao Brentford.

PUB

Mais Artigos Populares

Futuro de Otávio Monteiro cada vez mais perto de ficar definido

O Al Rayyan está em negociações avançadas com o Al Qadsiah para contratar Otávio Monteiro, médio ex-FC Porto.

Avançado do Tottenham e ex-Gil Vicente na lista de alvos para a reta final do mercado

Trabzonspor quer reforçar setor ofensivo e tem Richarlison e Pablo Felipe na lista de alvos para o que resta do mercado.

Sporting inscreve Moncef Zekri na Liga Portugal após atraso na documentação

Moncef Zekri foi inscrito pelo Sporting na Liga Portugal. O atraso na inscrição deveu-se a uma demora na obtenção da documentação necessária.