

A temporada de 2025 da Aston Martin foi, acima de tudo, uma desilusão proporcional à ambição que a própria equipa criou. Depois de dois anos a vender a narrativa de “projeto em crescimento”, de investimentos milionários e de um discurso assumidamente orientado para o topo, o resultado foi cru: sétimo lugar no campeonato de construtores e um afastamento claro do grupo da frente.
A Aston Martin prometeu lutar com as quatro grandes, assumiu-se como candidata a ser a melhor das outras e acabou engolida pelas próprias expectativas. 2025 não foi apenas um mau ano, foi a exposição de um projeto que se perdeu entre o marketing e uma realidade técnica muito abaixo do anunciado. A pista contou a história de uma regressão que nem a fábrica mais moderna do mundo conseguiu travar.
O AMR25: um carro que nasceu errado
O problema da Aston Martin em 2025 começou cedo. O AMR25 revelou-se, desde as primeiras corridas, um monolugar conceptualmente falhado. Instável, sensível às condições de pista e incapaz de manter performance ao longo de um stint, o carro nunca correspondeu às promessas feitas no inverno.
O mais preocupante não foi apenas o ponto de partida fraco, mas a incapacidade de corrigir o rumo. Enquanto rivais diretos evoluíam, a Aston Martin parecia paralisada. As atualizações trouxeram ganhos pontuais, mas nunca estruturais.
Num ano em que a equipa afirmava querer consolidar-se no top cinco, acabou muitas vezes a lutar na cauda do pelotão intermédio. O sétimo lugar final não foi azar, mas o reflexo direto de um carro sem identidade.
Fernando Alonso: o motor que evitou o colapso
Fernando Alonso não carregou a Aston Martin às costas em 2025, mas foi, indiscutivelmente, o principal fator a evitar um colapso total. Num contexto técnico frágil, foi o espanhol quem manteve a equipa ligada à realidade competitiva, extraindo resultados que o AMR25, por si só, raramente justificava.
A sua época foi marcada mais pela gestão de danos do que pela glória. Fernando Alonso foi o ponto de equilíbrio, o piloto que evitou que um edifício em chamas ruísse por completo.
Ver um dos maiores talentos da história da Fórmula 1 a lutar por nonos lugares para “salvar a honra do convento” diz muito sobre o estado do projeto. Em 2025, Alonso foi menos protagonista e mais uma referência de sobrevivência.
Lance Stroll: quando a presença não basta
A temporada de Lance Stroll foi o espelho perfeito da Aston Martin: correta, mas irrelevante. Num ano em que o pelotão intermédio se tornou brutalmente competitivo, a falta de evolução do canadiano tornou-se um problema evidente.
Lance Stroll manteve-se num registo morno, incapaz de acompanhar o colega de equipa de forma consistente ou de oferecer a resistência necessária quando o carro falhava.
Para uma equipa com ambições declaradas de topo, manter um piloto que não consegue elevar o projeto expõe um limite estrutural. Lance Stroll não comprometeu a equipa, mas também nunca foi o fator de diferenciação que poderia ter evitado a queda.
Um projeto rico, mas pobre em clareza
A Aston Martin de 2025 não falhou por falta de meios. Falhou por excesso de discurso e défice de execução. O argumento do “ano de transição” surgiu como uma justificação tardia para uma época que prometeu demasiado e entregou pouco.
Se 2025 foi um sacrifício consciente em nome de 2026 ou da chegada de Adrian Newey, a comunicação falhou. Se não foi, então o problema é técnico e profundo.
A queda não foi abrupta, mas foi clara. A equipa passou de candidata ao topo a apenas mais uma estrutura do meio da tabela, ultrapassada por projetos menos mediáticos, mas mais organizados.
Se 2026 é o ano da promessa final, então 2025 foi o ano em que a Aston Martin perdeu o direito a antecipá-la. Na Fórmula 1, o sucesso não se projeta: conquista-se.

