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A ANTEVISÃO: NADA MAU, PARA UM FILHO DO DONO…

A Fórmula 1 regressou a um dos poucos circuitos em que Herman Tilke se encontrava inspirado aquando do projecto, o Istanbul Park (Turquia). Palco de batalhas fenomenais e de algumas das melhores performances de Felipe Massa, todos aguardavam com ansiedade  para ver os carros de hoje em dia tratar a já lendária curva oito, como se de uma reta se tratasse. Mas não foi bem isso que São Pedro decidiu para as sessões.

Todas as sessões têm sido uma batalha entre os pneus e o piso, seja porque este só terminou de ser repavimentado há 10 dias (e está muito, muito verde), ou porque a chuva decidiu dar o ar da sua graça (e essa verdura virou algo semelhante a patinagem no gelo).

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Tal como vimos em Portimão, o alcatrão muito verde tem tendência a não funcionar bem com os exigentes pneus da Pirelli. Durante os treinos, os pilotos queixaram-se imenso da falta de tração e do graining dos pneus, sendo que, durante a noite de sexta-feira para sábado, colocaram-se carros a dar voltas ao circuito, para ver se este ganhava um pouco mais de tração.

Mas não serviu de muito, porque, hoje, foi dia de chuva, o que invalidou por completo o trabalho nocturno. Ainda assim, a preferência estava na Red Bull, que, nas mãos de Max Verstappen, liderou todas as sessões até chegar à qualificação.

Para quem gosta de patinagem no gelo, esta foi uma bela sessão, com um piso já de si escorregadio a levar com água. Até os pneus azuis de piso molhado tiveram dificuldades!

Apesar desse domínio inicial de Max Verstappen, que parecia rei e senhor da água, qual Poseidon holandês, a surpresa surgiu na Q3, quando Lance Stroll (Racing Point) ocupou a pole position. A primeira da carreira para o rapaz tantas vezes criticado (sim, por mim também) por estar onde está, devido ao facto do pai ser o dono da equipa. De facto, o canadiano teve uma fantástica performance, não sendo a primeira vez que mostra muita qualidade em condições climatéricas adversas.

Ao seu lado na fila da frente, ficou um desapontado Max Verstappen, que, como disse, estava a dominar por completo todos os adversários. Contudo, uma melhor decisão em termos de pneus da Racing Point retirou a vantagem que apresentava antes. Ainda assim, dependendo das condições amanhã, é o favorito à vitória. Em terceiro na grelha, vemos começar Sergio Perez (Racing Point), após quase conseguir a pole position para ele. Com os dois Racing Point nos três primeiros lugares, há uma forte possibilidade de conseguirem pontos essenciais para matar a acesa luta pelo terceiro lugar do campeonato de construtores.

Alexander Albon (Red Bull) parecia mais confortável enquanto ensopado do que em condições normais. Consegue um bom quarto lugar que o pode colocar numa excelente posição para mais um pódio. Daniel Ricciardo ajuda a manter a luta da Renault pelo terceiro lugar do campeonato, com uma boa performance para o quinto lugar. Na última sessão, pareceu mais confortável do que Esteban Ocon, que começará em sétimo.

Apesar das semelhanças em aspeto, o Racing Point quebrou a hegemonia de poles da Mercedes, sendo que os homens que dominaram a temporada, até ao momento, começam num estranho sexto lugar (Lewis Hamilton) e nono (Valtteri Bottas). De recordar que, se Hamilton conseguir mais oito pontos do que Bottas, é campeão. Outra curiosidade: esta é a primeira vez, desde Monza, em 2013, que a Mercedes não se qualifica a partir do top 5.

Se amanhã assistirmos a condições “normais”, é de esperar que a Mercedes se volte a impor como, de longe, o melhor carro na grelha.

Os outsiders desta qualificação são, sem dúvida, os Alfa Romeo. Talvez seja um efeito semelhante aos pinguins. Em piso seco, são bastante maus, mas, quando se mete água ao barulho, são extremamente graciosos. Kimi Raikkonen vai começar em oitavo, com  Antonio Giovinazzi a fechar o top 10, o que pode trazer pontos preciosos.

Fora dos 10 primeiros, encontramos algumas surpresas. No entanto, convém reafirmar o clima imprevisível que se espera para amanhã. Isto pode resultar em algum caos, ou numa primeira volta ao estilo do GP de Portugal. Destacam-se os Mclaren, que, pura e simplesmente, não mostraram velocidade suficiente para atacar os seus rivais pelo terceiro lugar do campeonato. Se não chegarem a uma boa dose de pontos, podem ficar bastante atrás nesta batalha, que separa três equipas por apenas um ponto.

Posto tudo isto, há ainda o risco de mudanças na grelha até ao dia de amanhã. Vários pilotos estão a ser investigados por não abrandarem durante as várias bandeiras amarelas que foram levantadas durante a qualificação.

A questão principal para amanhã é o clima. Se este acalmar e regressar o sol, passam a ser os pneus. Independentemente disso, será uma corrida imprevisível, pelo que os treinos mostraram.

Foto de Capa: Racing Point

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