Como o toque de Russell em Verstappen ajudou o neerlandês a ganhar

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Max Verstappen conseguiu no domingo a sua 18.ª vitória da temporada em 21 Grandes Prémios realizados, mas esta foi das mais difíceis da sua época. Aliás, se não fosse o segundo safety car, provavelmente este texto estaria relacionado com a vitória de Charles Leclerc. Curiosamente, esse safety car foi influenciado por um incidente que envolveu o campeão do mundo.

Tudo aconteceu na volta 26 de 50, quando Verstappen preparava um ataque na curva 12, mas Russell (acreditando naquilo que ele próprio disse) não o viu, virando para a esquerda quando o Red Bull já estava ao seu lado, levando a que o pneu da frente do lado esquerdo do Mercedes atingisse a asa da frente do Red Bull. Ironicamente, este incidente foi o ponto de viragem na corrida de Verstappen (e de Russell, que tinha boas hipóteses de terminar no pódio e viu essa possibilidade fugir-lhe).

Mas indo ao início da corrida, Verstappen começava esta corrida em segundo, com Leclerc na pole position. Verstappen ganhou a posição no arranque, em parte porque forçou o monegasco completamente para fora de pista, sendo por isso penalizado em cinco segundos. Cabia-lhe abrir essa distância para o piloto da Ferrari durante o primeiro stint, mas o Red Bull em Las Vegas funcionava particularmente mal com os pneus médios (Verstappen tinha também uma asa traseira mais pequena do que a de Sergio Pérez, o que, aparentemente, piorava a situação dos pneus). Verstappen teve de puxar a fundo em dois momentos, um no início, para fugir do DRS de Leclerc, e outro depois do safety car provocado pelo acidente de Lando Norris, e rapidamente granulou os pneus, parando mais cedo do que queria (ainda por cima com a penalização), já depois de ser ultrapassado.

Voltou à corrida no décimo lugar e é preciso dizer que o Red Bull se sentiu bem mais confortável com os pneus duros do que se sentia com os médios. Mas o problema para Max é que Leclerc, depois de cumprir a sua paragem, já estava quatro posições e vários segundos à frente de Verstappen, ainda por cima com pneus cinco voltas mais novos. Fernando Alonso, George Russell e Carlos Sainz eram os pilotos entre o neerlandês e o monegasco, que conseguiu passar por Alonso, mas Russell ia ser mais difícil e depois ainda vinha Sainz, que iria certamente atrasar Verstappen o máximo que pudesse para ajudar o seu colega de equipa.

Até que aconteceu o tal incidente na volta 26 e a Ferrari passou a ter de lidar com um dilema. Se parasse, saía em terceiro, atrás de Sergio Pérez e de Lance Stroll, que também aproveitariam para colocar pneus novos. Se não parasse (tinha-o feito cinco voltas antes), assumiria a liderança, mas ficava com desvantagem de pneus em relação aos pilotos da Red Bull (e com a distância que tinha conquistado previamente completamente anulada pelo safety car). A Ferrari escolheu a segunda opção. Não se pode dizer que tenha sido uma decisão escandalosamente errada, mas, olhando para trás, talvez não tenha sido a melhor.

Mesmo em desvantagem, Leclerc continuou a conduzir de forma espetacular (foi para mim o piloto do dia), respondendo a uma primeira ultrapassagem de Pérez, com o mexicano a não ter argumentos depois para impedir a passagem do colega de equipa (a asa traseira mais pequena de Verstappen dava-lhe mais velocidade em reta). Verstappen assumiu mesmo a liderança a 12 voltas do fim, com ajuda do DRS. Leclerc cometeu o seu único erro ao longo da corrida com uma travagem falhada na curva 14, perdendo o segundo lugar para Sergio Pérez, mas conseguindo recuperar o lugar com uma excelente ultrapassagem na última volta.

Na cidade do jogo, não deixou de ser curioso que a sorte fosse um fator determinante neste Grande Prémio, com o timing dos safety cars e das paragens nas boxes a determinarem aqueles que tiveram um bom resultado e aqueles que tiveram a corrida estragada.

Bernardo Figueiredo
Bernardo Figueiredohttp://www.bolanarede.pt
O Bernardo é licenciado em Comunicação Social (jornalismo) na Universidade Católica de Lisboa e está a terminar uma pós-graduação em Comunicação no Futebol Profissional, no Porto. Acompanha futebol atentamente desde 2010, Fórmula 1 desde 2018 e também gosta de seguir ténis de vez em quando. Pretende seguir jornalismo desportivo e considera o Bola na Rede um bom projeto para aliar a escrita ao acompanhamento dos desportos que mais gosta.

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