A chegada de Stefano Domenicali para o lugar de CEO da Fórmula 1, deixado vago por Chase Carey na viragem do ano, traz consigo a ratificação do primeiro conjunto de alterações aos regulamentos técnicos e desportivos da modalidade e que entrarão em vigor, alguns deles, já em 2021.

Para além das inovações ao nível do chassis aero-revolucionário e das jantes de 18 polegadas, anunciadas em 2019 para introdução em 2021 (posteriormente adiadas para 2022 devido aos efeitos da pandemia no funcionamento e orçamento das equipas), foram agora anunciados os cinco pilares da nova unidade motriz para 2025. São eles:

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Responsabilidade ambiental e relevância social e industrial – A Fórmula 1 parece continuar a querer investir nas energias renováveis e na potência eléctrica, alinhando-se com os grandes fabricantes de automóveis mundiais e outras modalidades do automobilismo como a Fórmula E e o Mundial de Endurance.

Combustível totalmente renovável – O rumor da possível integração de combustível à base de hidrogénio tem aparecido com cada vez maior frequência nos vários veículos de informação desportivos. Esta parece ainda ser uma realidade distante para a Fórmula 1, que ao que tudo indica estará mais inclinada para trabalhar com os actuais fornecedores de combustível e manter a estrutura híbrida dos carros. No entanto, a convergência parece ser uma hipótese real: a Red Bull estará já a trabalhar com o construtor francês Oreca num carro a hidrogénio com vista à participação nas 24h de Le Mans de 2024; a INEOS (principal patrocinador da Mercedes) tem uma presença muito forte na Europa ao nível da conversão do H2 para fins energéticos, e várias outras marcas da indústria automóvel, como a Toyota e a Bentley, têm já projectos avançados de protótipos desportivos a hidrogénio. Um espaço a acompanhar, dado que a via “100% eléctrica” continua vedada pelo contrato de exclusividade por 25 anos que a Fórmula E fechou com a FIA em 2014.

Criação de um motor potente e emocionante – Uma das grandes críticas ao modelo V6 híbrido por parte dos fãs, desde a sua introdução em 2014. Ainda que a potência não tenha sido comprometida pela componente eléctrica, a falta de “barulho” não caiu bem junto dos apaixonados e saudosistas dos motores puros V8 e V10, e a Fórmula 1 parece agora querer dar resposta às críticas. Este será provavelmente o tópico de maior interesse, considerando que os construtores serão agora obrigados a congelar o desenvolvimento dos motores durante este período (2022 – 2025), e o modelo híbrido parece ainda ser o preferido pela Fórmula 1 para dar seguimento aos esforços de preservação ambiental que fazem parte da sua matriz desde 2019. Duas consequências desta decisão são a possibilidade de a Red Bull assumir ela própria, com mais tempo de preparação, o esforço de preparar os motores actuais para as próximas épocas (dado que a Honda irá deixar a Fórmula 1 no final deste ano), e também uma provável “corrida ao desenvolvimento” dos novos motores, tanto para 2025 como particularmente para 2022, uma vez que quem tiver o motor mais eficaz no início desse ano irá, certamente, ter vantagem sobre a concorrência durante as três épocas seguintes.

Redução de custos significativa – O já aprovado tecto orçamental para 2021 ($145 milhões), 2022 ($140 milhões) e 2023 ($135 milhões) e o fim do “investimento livre” irá, ao que tudo indica, continuar a assumir posição central nos regulamentos e nas actividades dos construtores em 2025.

Atrair novos fabricantes – A existência de apenas quatro fabricantes de unidades motrizes (três, a partir de 2022) e, em particular, o êxodo das grandes marcas de categorias “puristas” como o DTM em benefício de “projectos futuristas” como a Fórmula E, continuam a preocupar os responsáveis da Fórmula 1. O risco de perder sequer um fabricante é demasiado elevado e deixa o desporto numa posição frágil, uma vez que a saída, por exemplo, da Mercedes ou da Ferrari significará também a potencial queda de duas equipas do campeonato. Para 2025, o objectivo é fornecer a quaisquer marcas interessadas um pacote de regulamentos e incentivos que possam tornar a categoria numa montra para a inovação tecnológica das mesmas, sem arcar com custos de investimento insustentáveis e pensando nas energias renováveis como o futuro dos desportos motorizados.

Definidos que estão os baluartes da “nova Fórmula 1”, estas medidas vêm, então, acrescentar uma nova dinâmica às novidades já aprovadas para 2021. Entre os motivos de interesse da época que agora começa estarão, claro, os novos pilotos e equipas, o regresso de Imola, Zandvoort e Portimão (ainda por confirmar) ao calendário e a estreia de Jeddah, bem como as corridas sprint experimentais nos sábados dos Grandes Prémios do Canadá, Itália e Brasil.

Para além disto, este ano haverá ainda ligeiras modificações à construção aerodinâmica dos carros (redução do tamanho dos difusores, chão e asas laterais) em preparação para 2022, o já mencionado tecto orçamental atribuído às equipas e cifrado nos 145 milhões de dólares, o fim das escolhas de pneus por parte das equipas (passando agora a ser feitas pela própria Pirelli), compostos de pneu mais robustos e sessões de treinos mais curtas à sexta-feira (uma hora cada).

Aperitivos suficientes para ficar colado ao ecrã e acompanhar um desporto que, finda a “Era Bernie” e atendendo ao sucesso da conturbada campanha de 2020, parece olhar apenas em frente, acelerando na direcção do progresso.

Foto de Capa: Formula 1

Artigo redigido por Carlos Lopes

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