Quais conclusões retiramos dos testes da Fórmula 1?

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Os testes oficiais de Fórmula 1 no Bahrain chegaram ao fim e já podemos ter uma ideia de como será este início de temporada. Num ano em que quase tudo é novo, as equipas do primeiro pelotão parecem estar no caminho certo, há algumas surpresas no meio da grelha e existe uma equipa que está em apuros. A insatisfação de alguns pilotos continua, mas a FIA não vai alterar os regulamentos, pelo menos para já.

Estamos a duas semanas de um dos inícios de campeonato mais entusiasmantes e incertos dos últimos tempos, novamente em Melbourne, e este é o momento ideal para fazer um balanço da performance atual das 11 equipas.

A McLaren, em busca do terceiro campeonato de construtores consecutivo, sai do deserto do Bahrain com uma certeza. Têm que trabalhar mais para alcançar a concorrência. Os testes até foram positivos com muitos quilómetros e poucos problemas de fiabilidade, mas Andrea Stella, chefe de equipa, assume que ainda estão um pouco atrás da Ferrari e da Mercedes. Ao que tudo indica, os papaya vão manter a maior parte das configurações do MCL40 para a Austrália, optando assim por uma abordagem mais conservadora.

Lando Norris, que fez o segundo melhor tempo no último dia de testes, é um dos poucos pilotos que está otimista com os novos regulamentos. Ao longo das sessões, mostrou-se confiante e a fazer bons tempos. Será que o campeão do mundo vai entrar nesta nova era com o pé direito?

Em Barcelona, a Mercedes era a favorita e aparentava estar em vantagem face aos restantes, mas depois dos testes do Bahrain a história já não é bem assim. Os problemas da primeira sessão de treinos mantiveram-se até ao último dia e começam a surgir alertas sobre a fiabilidade do W17. Na parte da manhã, Kimi Antonelli provocou uma bandeira vermelha devido a um problema na unidade de potência que o obrigou a parar em pista. A equipa alemã teve um problema semelhante na semana anterior.

No entanto, nem tudo foi mau. Ao nível de ritmo de corrida, foram os melhores em pista, o que levou a Red Bull e, principalmente, Max Verstappen a acusarem a Mercedes de estar a esconder o jogo. Estes testes podem não ter sido tão positivos como os de Barcelona, mas pelo menos já sabem quais são as áreas em que precisam de melhorar.

A Red Bull teve uma prestação sólida, mas em simulação de corrida não foi a mais rápida em pista. Ainda assim, a equipa de Milton Keynes continua na luta pelos lugares da frente, muito graças ao novo motor. Os “touros vermelhos” parecem ter feito a escolha acertada em escolher a Ford como nova parceira na construção do motor, uma vez que a Honda ainda não encontrou o caminho certo, mas já lá vamos.

Verstappen, no derradeiro teste, terminou a mais de um segundo do tempo de Charles Leclerc, que foi o mais rápido. Mesmo que não estivesse a forçar, ficou evidente que a Red Bull ainda não está no patamar seguinte e, neste momento, diria que está ao nível da McLaren. Ao contrário do ano passado, o neerlandês tem indícios que pode estar na luta pelo título mundial.

A Ferrari é, sem dúvida, a equipa que sai do Bahrain com os melhores indicadores. Os fãs da equipa italiana têm a esperança que este seja finalmente o ano em que o título regressa a Maranello. Contudo, já vimos este filme várias vezes, e na hora da verdade, a Ferrari acaba por desiludir. Mesmo assim, nestes testes tiveram uma excelente prestação e não tiveram medo de arriscar em novas ideias, algumas delas originais.

Desde uma asa de escape até uma asa traseira totalmente giratória, a Ferrari soube inovar, algo que não acontecia nos últimos anos. De momento, esta nova asa traseira, apelidada de “Macarena”, ainda não apresenta muitos benefícios, mas quem sabe se no futuro poderá fazer a diferença. Outro ponto a destacar é o arranque. Muitos fãs contestaram os novos arranques de corrida da Fórmula 1, onde alguns pilotos tiveram algumas dificuldades, algo que não aconteceu com Lewis Hamilton. O motor da Scuderia é um trunfo nas arrancadas rápidas.

Feita a análise ao suposto pelotão da frente, foquemo-nos nas restantes equipas. A Williams está numa fase de recuperação. Chegou ao Bahrain em desvantagem por não ter estado presente no shakedown de Barcelona, mas, aos poucos, está a aproximar-se dos seus rivais diretos. A equipa de Grove não fez muitos quilómetros, mas James Vowles está otimista com desenvolvimento do carro e garante que vão utilizar um programa mais agressivo para recuperar o tempo perdido face à concorrência.

Pouco se viu da Racing Bulls. A equipa irmã da Red Bull foi muito discreta nestas sessões. Não teve muitos problemas, que é positivo, mas, do lado negativo, os tempos não foram nada de especial. O único foco da Racing Bulls é ser a única equipa com um rookie esta temporada. Arvid Lindblad teve uma prestação satisfatória e terminou o último dia com 165 voltas realizadas. Para Melbourne, a equipa de Faenza prometeu um pacote de atualizações para tornar o monolugar mais competitivo.

O que se pode dizer sobre a Aston Martin? Desilusão. Com uma boa dupla de pilotos, um dos melhores engenheiros da Fórmula 1, Adrian Newey, e um motor Honda, a Aston Martin tinha tudo para ser umas das surpresas da temporada. E está a ser, mas pela negativa. Ao longo dos seis dias de testes, realizou apenas 334 voltas, menos 252 do que a segunda equipa que menos andou, a Cadillac. O AMR26 esteve muito tempo na garagem devido a problemas na unidade de potência e também na bateria.

Contrariamente, a Haas foi uma boa surpresa. Sem ninguém dar por ela, a equipa americana está muito bem posicionada para ser a líder do pelotão do meio. O VF-26 deu sinais que é um carro fácil de conduzir e muito rápido tanto em retas curtas como longas. Somente, a Mercedes rodou mais do que a Haas nos últimos três dias de treino e, tal como a Ferrari, são muito fortes no arranque. Aquele motor poderá ajudar e muito a Haas a fazer uma boa temporada.

A Audi, durante os treinos, teve sempre em ascensão. Na primeira parte da sessão, os tempos não eram muito impressionantes, mas nos treinos onde as equipas normalmente abrem mais o jogo, estive muito sólida e poderá estar mais perto do meio da grelha do que o fundo. As simulações de corrida de Nico Hulkenberg e Gabriel Bortoleto foram muito satisfatórias, com o piloto brasileiro a terminar o último dia na sétima posição.

Após uma temporada desastrosa, a Alpine parece estar a renascer das cinzas. O A526 é um carro equilibrado, mas ainda não há alguns fantasmas de 2025. Apesar de não ter tanto foco como a Haas, a Alpine poderá estar ao mesmo nível do que a equipa americana e a luta pelos pontos é realista. Terminaram os testes em alta, mas não sabemos como este carro se comportará em corrida, uma vez que fizeram poucas simulações. Prestes a estrear-se na Fórmula 1, a Cadillac deverá iniciar a temporada a rodar no fundo da grelha, com a esperança que os últimos dois lugares fiquem para a Aston Martin. Tal como a Audi, à medida que os dias passavam o carro melhorava e com tempos mais baixos, mas longe das equipas que estão num patamar intermédio. Os problemas nas primeiras sessões prejudicaram o trabalho da equipa, mas Graeme Lowdon, chefe de equipa, está satisfeito com o progresso que fizeram e acredita que vão estar preparados para a estreia em Melbourne.

Gonçalo Carneiro
Gonçalo Carneiro
Gonçalo é licenciado em Ciências da Comunicação e encontrou na escrita o refúgio perfeito para se manter ligado ao mundo do desporto. Acredita que o jornalismo desportivo é o seu rumo ao estrelato.

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