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We (Sometimes) Race as One…

Dito isto, há um grande elefante na sala de Chase Carey, que não para de me incomodar. Toda esta mensagem fabulosa de uma maior luta pela igualdade humana, e pela sustentabilidade do planeta, ficam um bocado prejudicadas quando vemos a Fórmula 1 a encostar-se à Arábia Saudita e à Aramco como destino de corrida e patrocinador respetivamente.

E ao fazer esta questão, acabei de abrir uma caixa de pandora daquelas bem grandes, por isso vou tentar ser o mais cuidadoso possível com isto, porque é muito mais complexo do que parece à primeira.

Esta complexidade, surge do facto que julgar a Fórmula 1 por correr na Arábia Saudita, devido aos registos de atrocidades contra os direitos humanos no próprio país e nas suas guerras (se quiserem deprimir leiam sobre a guerra do Iémen), implica julgar a F1 por correr na China, devido aos atentados aos direitos laborais e ao povo muçulmano Uighur que tecnicamente se encontra preso em campos de concentração, assim como julgar a Turquia pelo seu também líder autoritário, Rússia pelas mesmas razões (envenenar adversários políticos já que falamos disso), Bahrain, entre outros.

Tal como disse, isto é muito complicado, mas porque é que acontece? Essa é a parte fácil, dinheiro, muito dinheiro.

Os chefes da Fórmula 1, quando os confrontam com isto, tentam esconder debaixo do tapete e terminar a conversa, sendo algo quase cómico se não fosse trágico, ver Chase Carey a usar o facto de as mulheres já poderem conduzir na Arábia Saudita como um bom argumento contra as críticas.

Há quem diga que a Fórmula 1 levar a mensagem a estes países, pode ser algo bom, que pode ajudar a promover mudança, no entanto para ajudar a que algo seja mudado, primeiro têm de admitir que algo está errado, e a Fórmula 1 tenta esconder-se para não estragar a relação que tem nesses países, que é de facto, muito lucrativa.

O problema de tudo isto é onde se começa, e como se passa realmente à ação. Lewis Hamilton numa entrevista durante o GP do Bahrain de 2020 disse algo que me chamou à atenção: “Não é só dizer que vamos fazer alguma coisa, temos de facto de tentar ver alguma mudança a ser praticada”.

E isto é uma boa mensagem de Hamilton, e a Fórmula 1 com certeza irá ouvir a sua principal figura, mas mais do que ouvir, é preciso agir, e realmente colocar condições aos países e tentar mudança. Ao agir desta forma parecem apenas hipócritas a promover uma mensagem pela frente, e a ajudar a destruí-la por trás.

Chase Carey, o homem atrás das decisões dos últimos dois anos
Fonte: Formula 1

A Fórmula 1 está longe de ser o único desporto ou empresa que faz isto, a WWE é facilmente dos piores exemplos neste tipo de coisas, tornam-se literalmente uma máquina de propaganda para a Arábia Saudita, e a NBA teve sérios problemas com o seu maior mercado, a China, só porque Daryl Morey, ex-GM dos Houston Rockets, mostrou que apoiava os protestos em Hong Kong.

Não é fácil, e honestamente, tendo em conta os valores envolvidos em alguns destes negócios (só o acordo com a empresa petrolífera estatal dos sauditas, Aramco, estima-se que seja na volta dos 40 milhões de dólares por ano), será complicado ver isto a mudar. Infelizmente, num mundo que gira à volta do que dá o maior lucro possível, defender verdadeiramente e afincadamente os direitos humanos e ideologias de inclusão, ainda não é a forma mais lucrativa de negócio, o que revela muito daquilo que é a sociedade em que vivemos.

Não espero mudar ninguém, não espero que a Fórmula 1 ignore os rios de dinheiro para se agarrar a este tipo de ideologia, nem sequer irei deixar de ver por eles não o fazerem, contudo, o sentimento de desconfiança das mensagens que promovem irá continuar, e não deveria ser assim, porque estas são realmente mensagens de inclusão, igualdade, e fraternidade com o potencial de mudar o mundo para melhor, e ao ser ignoradas assim por quem as promove, retira o valor que elas deviam ter.

Foto de Capa: Formula 1

O Luís tem 21 anos e é de Marco de Canavezes, tem em si uma paixão por automobilismo desde muito novo quando via o Schumacher num carro vermelho a dominar todas as pistas por esse mundo fora. Esse amor pelas 4 rodas é partilhado com o gosto por Wrestling que voltou a acompanhar religiosamente desde 2016.                                                                                                                                                 O Luís escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

O Luís tem 21 anos e é de Marco de Canavezes, tem em si uma paixão por automobilismo desde muito novo quando via o Schumacher num carro vermelho a dominar todas as pistas por esse mundo fora. Esse amor pelas 4 rodas é partilhado com o gosto por Wrestling que voltou a acompanhar religiosamente desde 2016.                                                                                                                                                 O Luís escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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