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Há cerca de dois anos atrás, a Fórmula E era considerada um nicho, uma imitação da F1, com um som semelhante a uma broca de dentista. Mas em 2018, foi introduzida a segunda geração dos monolugares elétricos, e com ela, um novo conjunto de regras com o simples objetivo de tornar as corridas mais competitivas e divertidas.

A versão resumida, é que resultou. As corridas foram loucas. Desde thrillers estratégicos a explosões caóticas de peças, não houve corridas más na última temporada da Formula E. Os dois primeiros terços da época foram completamente imprevisíveis, com pilotos e equipas diferentes a vencer todas as semanas, e no final, Jean Éric Vergne (DS Techeetah), consolidou o seu segundo título consecutivo com uma demonstração imensa de consistência nas últimas corridas.

Avançamos uns meses e estamos quase no início da nova temporada da Formula E, e apesar das regras serem as mesmas, o cenário está muito diferente. Foram acrescentadas duas equipas alemãs com um peso gigantesco na história do desporto motorizado. Para começar, aquela que, a par da Ferrari, é provavelmente a melhor equipa de sempre nos desportos motorizados, a TAG Heuer Porsche.

2019 é um ano gigantesco no que toca à adesão à moda elétrica do mundo automóvel para a marca germânica. Após lançar o seu primeiro carro elétrico no Porsche Taycan, para competir diretamente com a Tesla, a Porsche embarcará no mundo da Formula E, com caras conhecidas atrás do volante. A constituir a dupla de pilotos, temos dois vencedores de Le Mans, começando com Neel Jani, eterno piloto da casa, vencedor em 2016 na pista francesa, e que acompanhou o desenvolvimento do monolugar da Porsche desde o início. Do outro lado da garagem, um piloto com imensa experiência na Formula E, em André Lotterer, que deixou a DS Techeetah, e tenta assim, ser finalmente o líder de uma equipa.

Um Mercedes na frente de outros carros, isto é familiar…
Fonte: Formula E

A outra equipa alemã em cena é a Mercedes, que também apostou imenso na eletrificação em 2019 com a marca Mercedes EQ. A equipa que tem dominado os últimos seis anos de Fórmula 1, procura o mesmo nível de sucesso no mundo dos elétricos. Após apalpar terreno na última temporada como HWA Racelab, a Mercedes vai entrar oficialmente como construtora na Formula E. Os lugares dos condutores estão preenchidos pelo atual campeão de Fórmula 2, Nick de Vries, e por Stoffel Vandoorne, o ex-piloto da McLaren, que se estreou na época passada, e a quem se notou a falta de consistência de quem ainda não está habituado ao desporto.

Estes são os dois gigantes que decidem entrar no território das outras grandes marcas que já habitam na Fórmula E, e ao que tudo indica, esta época vai ser ainda mais competitiva do que a anterior. Após os testes de pré-época, não era fácil escolher uma equipa que estivesse superior, porque do primeiro ao último lugar, a diferença era de cerca de um segundo. 24 carros separados por apenas um segundo torna quase impossível prever quem estará no topo no final da época, mas o mais certo é que sejam os suspeitos do costume que já ganharam a mestria de estratégias e do funcionamento da Fórmula E.

O bicampeão terá de lutar ainda mais para renovar o título
Fonte: Formula E

O primeiro desses grandes candidatos, é inevitavelmente, os campeões em título, DS Techeetah. Após darem a Vergne dois títulos, decidiram juntar a uma equipa vencedora, um dos melhores pilotos da grelha, o português António Félix da Costa, que deixou a BMW I Andretti para a equipa chinesa, por uma chance de lutar pelo título, num carro campeão. A par da equipa francesa, temos a equipa mais antiga da Fórmula E, a Audi ABT Schaeffler, campeões de construtores em 2018. A equipa alemã continua com os mesmos pilotos desde o início, com o sempre candidato Lucas Di Grassi e o consistente Daniel Abt. No ano passado, o mau inicio de época acabou por arruinar esperanças de repetição do título, mas um final de época fenomenal de Di Grassi, levou a luta pelo título de pilotos até à penúltima corrida. Corrigindo os inícios lentos, a equipa tem tudo para vencer.

A outra equipa que colocaria como candidata pura, seria a Nissan E-Dams. Consistência foi o maior problema da época transata, mas após os problemas iniciais, tal como a Audi, os dois pilotos subiram a fasquia na segunda metade da época, e finalmente mostraram o potencial do monolugar. Esses dois pilotos foram mantidos na equipa, sendo eles, Sebastien Buemi – o piloto mais bem sucedido da história da Fórmula E e segundo classificado no campeonato na época passada -, e Olivier Rowland, que chega ao seu segundo ano de Fórmula E, com vontade de tornar as excelentes performances nas qualificações, em excelentes performances em corrida.

O último dos grandes candidatos seria a Envision Virgin Racing, que conseguiu um excelente terceiro lugar no campeonato, apesar de ser apenas uma equipa cliente, ou seja, não produz os próprios motores, usando motores Audi. A equipa manteve os dois pilotos, uma decisão sensata, tendo em conta a qualidade dos mesmos. Sam Bird com certeza irá procurar voltar à luta pelo campeonato, após uma época em que terminou na nona posição no final da época, bem atrás do colega de equipa Robin Frinjs que terminou em quarto.

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