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Londres E-Prix: Vandoorne com uma mão no título após lição estratégica de Di Grassi

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A CRÓNICA: JOGO DE XADREZ NAS RUAS DE LONDRES ACABA COM XEQUE-MATE BRASILEIRO

A comitiva eléctrica da Fórmula E, liderada pelo chefe máximo da FIA Mohammed bin Sulayem, que também marcou presença no ExCeL Centre em Londres, chegava então ao Reino Unido para o penúltimo fim de semana da temporada de 2022.

Três pilotos partiam para esta ronda com olhos postos na luta pelo campeonato: Stoffel Vandoorne (Mercedes), Mitch Evans (Jaguar) e Edoardo Mortara (Venturi). No entanto, o primeiro dia de competição “a valer” foi dominado por Jake Dennis (Andretti) que, a correr em casa, conseguiu assegurar a “pole position” e traduzir o lugar na grelha em 29 pontos – 25 pela vitória, três pela “pole” e mais um ponto adicional pela volta mais rápida numa corrida de muito atrito.

Chegado o domingo, e disputada a segunda sessão de qualificação em Londres, no Top 5 da grelha alinhavam dois pilotos ainda candidatos ao título: Nyck de Vries (Mercedes, 5.º) e António Félix da Costa (DS Techeetah, 4.º). A liderar o pelotão, novamente Dennis, que com nova sessão de qualificação dominante dava a si próprio mais uma oportunidade de vitória.

Partida perfeita para Jake Dennis, mas não tanto para Oli Rowland, que se via relegado para último com danos no seu Mahindra após bloqueio de travões e contacto com Jean-Éric Vergne (DS Techeetah) – ambos viriam mesmo a desistir uma volta mais tarde com danos nos respectivos monolugares. Problemas cedo também para Dan Ticktum (NIO 333), que abandonava com a frente do carro muito danificada e trazia para pista o “Safety Car”, neutralizando a acção.

Recomeço tranquilo em Londres e de imediato Nyck de Vries a activar o seu primeiro “Attack Mode”, seguido imediatamente por Alexander Sims (Mahindra), Sebastién Buemi (Nissan) e Robin Frijns (Envision). Enquanto isso, Félix da Costa tentava melhorar o lugar no Top 5, mas sem sucesso imediato após ultrapassagem falhada a Antonio Giovinazzi (Dragon/Penske), que ia conseguindo manter ritmo competitivo entre os pilotos da frente. No entanto, com meia hora por disputar, mensagem devastadora para o italiano: penalização de “drive-through” por irregularidade na descarga de bateria e que o atirava para o fim do pelotão.

Sem a habitual vantagem do “Fan Boost” disponível para a fase final da corrida, que tal como tantas vezes antes lhe tinha sido atribuída no sábado graças ao sempre leal e activo público lusitano, Félix da Costa apostava desta feita numa táctica de usar ambos os “Attack Modes” cedo, trazendo-o de novo para o Top 3 após ultrapassagem a de Vries. Nesta altura, Dennis continuava na frente, seguido de perto pelo brasileiro Lucas Di Grassi (Venturi), também ele em “modo de ataque”.

Nyck de Vries e Mitch Evans, dois dos pilotos com “Fan Boost”, usavam a energia extra para colocar pressão em Félix da Costa. A pressão surtia efeito imediato para o holandês da Mercedes, que conseguia subir a 3.º por troca com o português. Pouco depois, Evans conseguia também “dar o golpe” e colocar distância entre si e o único piloto restante da DS Techeetah. Na frente, Dennis e Di Grassi prosseguiam luta táctica ao nível da temporização dos seus “Attack Modes”, mas o britânico parecia nesta altura o piloto mais confiante e agressivo do par.

Com pouco mais de dez minutos por disputar no E-Prix de Londres, Edoardo Mortara, outro dos pilotos em destaque nesta edição do campeonato, sentia também ele dificuldades. Depois de um início muito atribulado na corrida de sábado, o suíço ia novamente rodando na segunda metade do pelotão e com uma penalização de tempo a pairar sobre a sua classificação final. Por outro lado, Evans e Vandoorne, os outros candidatos principais ao título, prosseguiam a sua “cavalgada” alucinante, com ambos a rodar neste momento no Top 5.


Troca na frente após activação do último “Attack Mode” por parte de Jake Dennis, com Di Grassi a assumir a “ponta” e adição de três minutos ao tempo total de corrida: mais uma variável para os pilotos gerirem nos últimos momentos da corrida. E foi precisamente neste período extra que o desastre atingiu Mitch Evans! Depois de uma corrida brilhante, uma falha mecânica atirava o neozelandês para as boxes, juntando-se ao seu compatriota, Nick Cassidy (Envision), Oliver Askew (Andretti), Giovinazzi, Vergne, Ticktum e Rowland.

Posições fechadas e vitória merecida em Londres para o veterano brasileiro Lucas Di Grassi, que nunca perdera o contacto com o seu rival e aplicava uma estocada final estratégica para negar um fim de semana de domínio absoluto, e caseiro, a Jake Dennis.

A fechar o pódio, Nyck de Vries, que ganhava também ele pontos aos demais concorrentes no campeonato de pilotos, ainda liderado de forma relativamente confortável por Stoffel Vandoorne (4.º na corrida). No campeonato de construtores, e à partida para as duas corridas finais na Coreia do Sul, tudo muito próximo na frente entre Mercedes-EQ, Rokit Venturi e DS Techeetah.

Matematicamente, então, tudo ainda por disputar nas ruas de Seul. Vandoorne (185 pontos) parte, sem dúvida, na “linha da frente” para fechar um segundo campeonato de pilotos consecutivo para a Mercedes, com a equipa germânica também em condições favoráveis para juntar o título de construtores à colecção.

Mas, como se sabe, na Formula E nada é definitivo: com Evans (149), Mortara (144) e Vergne (128) ainda à espreita de um qualquer deslize de Vandoorne (ou do seu carro), vale a pena acompanhar o último fim de semana de acção, que tem datas marcadas para os dias 13 e 14 de Agosto.

O PILOTO DO DIA

Stoffel Vandoorne (Mercedes-EQ Formula E Team) – Depois do azar de Mitch Evans, e apesar da eficácia estratégica de Lucas Di Grassi, é difícil colocar outro piloto que não Vandoorne debaixo dos holofotes. De 13.º na grelha para um 4.º lugar final, numa pista de Londres em que as ultrapassagens têm dificuldade acrescida, o belga da Mercedes dá a si próprio uma vantagem que pode ser inalcançável a caminho do seu primeiro título na categoria.

 

A DESILUSÃO DO DIA

Mitch Evans (Jaguar TCS Racing) – Desilusão não por culpa própria, mas pelo que este fim de semana podia ter sido para o neozelandês e a posição em que o deixa à partida para Seoul. Depois de uma corrida brilhante no sábado, em que subiu de 14.º na grelha para 5.º (o mesmo número de posições que Vandoorne subiu na corrida de domingo), Evans viu o seu carro falhar no momento crítico quando seguia novamente no Top 5, ser forçado a recolher às boxes do circuito de Londres e ser atirado para fora dos pontos. Do ponto de vista técnico, nota menos para Oli Rowland, novamente envolvido num acidente evitável que se traduziu no sétimo abandono em 14 corridas disputadas.

Concluída a licenciatura em Comunicação Social, o Carlos mudou-se para Londres em 2013, onde reside e trabalha desde então. Com um pai ex-piloto de ralis e um irmão no campeonato nacional de karts, o rumo profissional do Carlos foi também ele desaguar nas "águas rápidas" da Formula One Management, onde trabalhou cinco anos. Hoje é designer numa empresa de videojogos, mas ainda não consegue perder uma corrida (seja em quatro ou duas rodas).

Concluída a licenciatura em Comunicação Social, o Carlos mudou-se para Londres em 2013, onde reside e trabalha desde então. Com um pai ex-piloto de ralis e um irmão no campeonato nacional de karts, o rumo profissional do Carlos foi também ele desaguar nas "águas rápidas" da Formula One Management, onde trabalhou cinco anos. Hoje é designer numa empresa de videojogos, mas ainda não consegue perder uma corrida (seja em quatro ou duas rodas).

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