As 4 corridas a rever no GP Portugal de Fórmula 1

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Grande Prémio de Portugal 1985 – Se o Grande Prémio do Mónaco de 1984 anunciou a chegada de Ayrton Senna, o Grande Prémio de Portugal foi um grito de afirmação à Cristiano Ronaldo a dizer: “Eu estou aqui!!”

Vamos ser honestos, se na tua segunda época de sempre na Fórmula 1, ao volante de um carro que nem é dos três melhores da grelha, dominas de tal forma uma corrida, que terminas a 63 segundos de vantagem do segundo classificado, que conseguiu ser o único a não levar uma volta de avanço tua, é porque és alguém muito especial, e neste caso em especifico, era mesmo.

Há vários exemplos da mestria de Ayrton Senna na chuva, desde a corrida do Mónaco em 1984, até Donington em 1993, incluindo claro está, esta vitória em solo português ao volante do Lotus 97T.

A chuva chegou ao Circuito do Estoril mesmo antes do início, que para Senna era quase como um presságio. Dependendo do seu começo, o brasileiro sabia que poderia ter um caminho livre pela frente, ou, por outro lado, começando mal, ficaria envolto por toda a água levantada pelos carros à sua frente. Para quem era estreante na pole position, o brasileiro fez um excelente trabalho ao arrancar, sem derrapar, liderando o seu colega de equipa, Elio de Angelis (que ele bateu na qualificação por mais de um segundo) na primeira curva.

Durante a corrida, a chuva aumentou até níveis próximos de uma monção, o que resultou em apenas 9 dos 26 pilotos que começaram a corrida, conseguirem acabar.  A maioria dos que não terminaram viram a sua corrida terminar após perder o controlo dos seus monolugares, e falamos de pilotos extremamente capazes, como Keke Rosberg (Williams), Alain Prost (McLaren) e Ricardo Patrese (Alfa Romeo). Outros retiraram-se pelos habituais problemas de fiabilidade da maioria dos carros da época.

À décima volta, Senna já tinha uma liderança de 13 segundos, com Elio de Angelis em luta acesa com Alain Prost e Michele Alboreto (Ferrari). Com 20 voltas passadas, a liderança já era de 30 segundos para de Angelis, seguido de Prost e Alboreto. Por esta altura, apenas nove carros ainda não tinham ficado uma volta atrás de Senna, que conduzia como se nada se passasse, com uma calma e controlo absoluto sobre uma corrida, onde mais ninguém o possuía.

Uma das melhores performances de sempre em piso molhado
Fonte: Formula 1

A partir da trigésima volta, vendo pilotos de grande nível como Gerhard Berger (Arrows) e Alain Prost despistar-se, Senna começou a pedir aos comissários para parar a corrida, como tinham feito no Mónaco em 1984, porém não houve interrupções ou paragens, era para continuar a correr, algo impensável nos dias de hoje, tendo em conta o autêntico rio em que a pista se tinha transformado.

Não foi a meio da corrida, mas foi a três voltas do fim que se decidiu terminar a corrida. Como o ritmo tinha sido tão lento devido às condições da pista, já se tinha chegado ao limite imposto de duas horas e o diretor da corrida decidiu terminar a mesma. Senna vencia o seu primeiro Grande Prémio, tendo liderado todas as voltas e dobrado todos, menos o segundo classificado Michele Alboreto. A fechar o pódio, estava o Renault de Patrick Tambay, que após começar em 12.º, conseguiu uma boa dose de pontos para a equipa francesa.

Foi a primeira vitória de Ayrton Senna na Fórmula 1, e era difícil fazê-lo de forma mais contundente. O brasileiro é ainda hoje, muito querido pelos fãs de Fórmula 1, particularmente os fãs portugueses e, em conjunto com outros fatores como a partilha da língua mãe, esse carinho dos portugueses por Senna deve-se ao facto de ele ser o grande protagonista da melhor corrida de Fórmula 1 a acontecer no nosso Portugal.

Redação BnR
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