Fórmula 1 | O «circo» dentro do «circo»

- Advertisement -

É o tema do momento na Fórmula 1 e foi um dos temas das redes sociais no último domingo. Lewis Hamilton e Max Verstappen colidiram em Silverstone, no Grande Prémio da Grã-Bretanha, Max ficou fora da corrida e Lewis, apesar da penalização, ganhou a prova e reduziu a desvantagem para o holandês no campeonato de pilotos. Seguiram-se todo o tipo de reações e de opiniões, por parte de pilotos, equipas e adeptos. E, infelizmente, também se seguiram algumas reações exageradas.

Antes de mais, e porque todos os que acompanham Fórmula 1 já o fizeram (nem que seja para eles próprios), também vou dar a minha opinião sobre o incidente. Para mim, é incidente de corrida. Antes de chegarem à curva, o Mercedes está suficientemente lado a lado com o Red Bull para considerar que conseguia ficar com a posição. E Verstappen, talvez por confrontos anteriores, também deve ter considerado que Hamilton ia levantar o pé do acelerador e ceder. Nenhum cedeu, Verstappen acabou ali a corrida, Hamilton também poderia ter abandonado se não tivesse havido a bandeira vermelha.

A minha opinião é esta e aceito outras. Tal como aceito a interpretação que os comissários fizeram do incidente. Consideraram que o britânico falhou ligeiramente a curva (e de facto tinha mais espaço para virar mais para dentro) e, por isso, consideraram-no a ele como culpado e atribuíram-lhe 10 segundos de penalização (e nem esse castigo foi consensual). Há outras coisas que eu tenho mais dificuldade em aceitar e, por isso, é que no título lhes chamei de “circo” dentro do “circo” da Fórmula 1.

Primeiro, a ideia de que Hamilton não devia ter festejado de forma tão exuberante porque Verstappen estava no hospital (o próprio piloto holandês deixou essa ideia no Twitter, não sei se por iniciativa própria, ou para entrar no espírito de mind-games da Red Bull). Em primeiro lugar, Hamilton só ficou a saber que Verstappen tinha ido para o hospital nas entrevistas depois das celebrações do pódio. E, em segundo, o piloto festejou uma vitória alcançada em casa, uma vitória que foi arrancada a ferros, em que passou para a frente da corrida a duas voltas do fim. Para além de que recuperou de uma desvantagem que se estava a tornar muito grande na luta pelo campeonato.

Depois, as comunicações que Christian Horner e Toto Wolff, chefes da Red Bull e da Mercedes, respetivamente, foram tendo com Michael Masi, diretor da Federação Internacional do Automóvel. A determinada altura, com queixas de um lado e queixas do outro, sentia que estava a ver aquilo que menos gosto de ver em jogos de futebol (foco nas queixas e não no jogo, ou neste caso, na corrida). Nesta altura, já li que a Red Bull contratou um advogado para tentar agravar a penalização de Hamilton, por isso aqui, tal como no futebol, também temos ‘pós-jogo’ para uma ou duas semanas.

E depois, claro, o pior que existe no desporto e que, infelizmente, era inevitável que acontecesse aqui: o racismo. Hamilton, ainda por cima um grande combatente deste problema que afeta, e muito a sociedade, foi alvo de insultos racistas nas redes sociais depois do incidente. Tal como disse (e bem) a Fórmula 1, uma coisa é opinião e rivalidade. Mas, quando se leva a rivalidade ao campo do fanatismo, costuma quase sempre ser mau sinal e costumamos acabar no campo do insulto e do racismo.

Sigo Fórmula 1 atentamente desde 2018 e tenho gostado de ver como, corrida após corrida, as rivalidades se resumem apenas ao número de voltas que cada prova tem, o que proporciona um ambiente civilizado e agradável à modalidade. O que peço daqui para a frente é que não ‘futebolizem’ (no pior sentido) a Fórmula 1. Não façam da Fórmula 1 um desporto em que toda a gente tem de se odiar fora de pista, porque a Fórmula 1 não é isso.

Foto de Capa: Fórmula 1

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

Bernardo Figueiredo
Bernardo Figueiredohttp://www.bolanarede.pt
O Bernardo é licenciado em Comunicação Social (jornalismo) na Universidade Católica de Lisboa e está a terminar uma pós-graduação em Comunicação no Futebol Profissional, no Porto. Acompanha futebol atentamente desde 2010, Fórmula 1 desde 2018 e também gosta de seguir ténis de vez em quando. Pretende seguir jornalismo desportivo e considera o Bola na Rede um bom projeto para aliar a escrita ao acompanhamento dos desportos que mais gosta.

Subscreve!

Artigos Populares

Valência mostra interesse em médio do Benfica: eis a situação

O Valência olha com interesse para Enzo Barrenechea. Médio argentino do Benfica esteve no clube espanhol durante a época passada.

Diogo Travassos: «Claro que tenho o sonho de um dia estrear-me oficialmente pelo Sporting. Estou a lutar por isso»

Diogo Travassos tem o sonho de se estrear pela equipa principal do Sporting. Lateral direito de 22 anos está emprestado ao Moreirense.

Mallorca sobe preço de Samu Costa e português tem novos interessados no Médio Oriente

Samu Costa é alvo de clubes do Catar e continua cada vez mais valorizado no mercado. Mallorca já subiu fasquia e exige 25 milhões de euros.

Atlético Madrid comunica lesão após eliminação da Champions League

Johnny Cardoso sofreu uma entorse de grau elevado no tornozelo direito. Atlético Madrid emite comunicado oficial sobre a lesão.

PUB

Mais Artigos Populares

Fenerbahçe perguntou por Vangelis Pavlidis e por 3 internacionais portugueses de luxo e prepara mercado em grande

O Fenerbahçe está de olho no mercado português e dos portugueses. Vangelis Pavlidis, Diogo Costa, Rafael Leão e Bernardo Silva em cima da mesa.

Dia de folga da equipa principal: José Mourinho presente no treino dos “B” do Benfica

José Mourinho esteve presente no treino da equipa B do Benfica. Dia de folga da equipa principal, mas técnico continuou no Benfica Campus.

Ex-Sporting Manuel Ugarte planeia saída do Manchester United: o ponto de situação

Manuel Ugarte pode estar a viver as últimas semanas no Manchester United. Ex-Sporting planeia saída e há várias opções.