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GP Azerbaijão: Da calma à tempestade, instaurou-se o caos em Baku

Angelina Barreiro · 4 min

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A CORRIDA: DEU-SE GAS(LY) 

Nem se sabe bem por onde se há de começar neste GP do Azerbaijão. Se o arranque da corrida e as primeiras voltas pareceram tranquilas, a partir da volta 31, a coisa mudou de figura. E muito.

Mas, vamos por partes. Charles Leclerc (Ferrari) arranca bem, na pole position, mas cedo se deixa ultrapassar por Lewis Hamilton (Mercedes), que segurava uma vantagem significativa na frente.

Entretanto, trocas e entradas e saídas da box levam Max Verstappen (Red Bull) e a própria Red Bull a crer que poderia levar os dois pilotos a fazer a desejada dobradinha 1-2, até que Lance Stroll (Aston Martin), que então viria a fazer uma corrida espetacular, passando de 19.º a quarto lugar por uma estratégia bem definida da equipa, acaba no muro, num embate fortíssimo que acciona a bandeira amarela e, consequentemente, leva o Safety Car a entrar em pista.

A partir daqui, «segundo arranque» da corrida, em que Lewis Hamilton (Mercedes) tenta chegar ao segundo lugar, mas sem sucesso, pois a Red Bull continua na sua caminhada pela dobradinha, e pela vitória de Max Verstappen.

Contas feitas, até que às últimas três voltas da corrida, é o líder da corrida, Max Verstappen, quem acaba no muro, exatamente da mesma forma que Lance Stroll o fez. Seria um dos pneus traseiros do carro do holandês que o «traiu» sendo que, tal como se pareceu suceder com o piloto canadiano da Aston Martin, o pneu não aguentou a pressão e rebentou, deixando assim Max Verstappen frustrado com um fim-de-semana que parecia ser perfeito para a equipa austríaca.

Accionada, desta vez, a bandeira vermelha, e após mais de 30 minutos de espera para perceber se valia a pena começar novamente a corrida, ou se a suspensão seria a melhor ideia, a corrida começa, apenas para completar as últimas três voltas. Estas voltas seriam cruciais para Lewis Hamilton, que, estando o britânico atrás do agora líder, Sergio Pérez, poderia ser a oportunidade perfeita da Mercedes ganhar a corrida e recuperar de um fim-de-semana menos bom, visto que Valtteri Bottas estava atrás, a «brincar» com os Alfa Romeo, os Haas e os Williams.

Mas, ao começar o «terceiro arranque», Lewis Hamilton, surpreendentemente, sai na primeira escapatória, deixando a oportunidade de ganhar a corrida cair por água abaixo, e assim, Sergio Pérez sagra-se o grande vencedor do Grande Prémio do Azerbaijão.

Assim, é Sebastian Vettel (Aston Martin) e Pierre Gasly (AlphaTauri) que aproveitam esta deixa do piloto britânico para completarem os últimos dois lugares do pódio. O quatro vezes campeão do mundo segura, assim, o pódio, após o último ter sido na Turquia, em 2020, numa época negra para a Ferrari, e na Ferrari.

Já o piloto francês da AlphaTauri ainda teve trabalho nas últimas voltas com Charles Leclerc (Ferrari), não fosse Lando Norris (McLaren) a tentar também o quarto lugar do piloto monegasco, mas sem sucesso.

Destaques ainda para Fernando Alonso (Alpine), que ainda consegue o sexto lugar. Yuki Tsunoda (AlphaTauri) volta aos bons momentos, e após o GP do Bahrain, consegue novamente voltar aos pontos, com o sétimo lugar. Para terminar um top 10 sem Mercedes, está Carlos Sainz (Ferrari), Daniel Ricciardo (McLaren), e por fim, o Alfa Romeo de Kimi Raikkonen chega ao décimo lugar.

Em suma, o GP do Azerbaijão, de uma corrida tranquila e que parecia dominada por Max Verstappen, passou a ser uma das corridas mais caóticas que pudemos ver, até agora, nesta temporada.

Incidentes de corrida acontecem, mas, a verdade é uma, a Pirelli terá que arranjar uma explicação credível às equipas, para entendermos como é que pneus deste calibre rebentam em duas situações distintas, que acabam por criar o mesmo dano.

Nas contas do Campeonato, tudo igual, visto que nem Lewis Hamilton nem Max Verstappen pontuaram hoje. Já a Red Bull, aos poucos, afasta-se da Mercedes no Campeonato de Construtores. Porém, ainda há muito campeonato a enfrentar, com o GP da França daqui a duas semanas.

Foto de Capa: Red Bull Racing

PILOTO DO DIA

Sebastian Vettel (Aston Martin) – Poderia ser Pierre Gasly (AlphaTauri), mas é demasiado tentador escolher Sebastian Vettel como piloto do dia, depois de um ano negro na Ferrari em 2020, e depois de toda a expetativa que se punha na Aston Martin no início da época.

Assim, o piloto alemão consegue o seu primeiro pódio da temporada, numa corrida em que o ritmo da Aston Martin estava muito superior àquilo que tínhamos visto no início da temporada, e numa estratégia muito bem conseguida da equipa, em que poderia ter sido finalizada pelos dois pilotos nos pontos, não fosse o infortúnio de Lance Stroll.

A DESILUSÃO

Mercedes – Ao escolher a Mercedes, destaca-se um fim-de-semana negro da equipa, como há muito tempo não se via.

Valtteri Bottas foi um autêntico «fantasma» nesta corrida, pois, para além da má qualificação, em momento algum conseguiu recuperar posições. E o «erro» de Lewis Hamilton no final custou à Mercedes um resultado positivo, no meio de tanta negatividade que já vinha desde o início do fim-de-semana.

Angelina Barreiro

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