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A CORRIDA: OS COMBOIOS DE ÍMOLA VOLTARAM

Neste estranho ano de 2020, o esquisito também chegou à Fórmula 1 com a adição de vários circuitos que não constavam no calendário há vários anos (ou de todo). O lendário Autodromo Enzo e Dino Ferrari foi um dos regressos, após 14 anos fora do calendário, e um circuito onde “antigamente” era difícil seguir e ultrapassar o carro da frente, com estes carros quase do tamanho de uma limousine, ou se formavam comboios, ou os pilotos eram obrigados a ser criativos durante a corrida.

A história principal, é sem dúvida, o feito astronómico da Mercedes, que mais uma vez mostra ser uma das melhores equipas de todos os tempos, ao fechar o sétimo campeonato de construtores consecutivo, recorde que se mantinha em pé desde que a Ferrari dominou entre 1999 e 2004. Para chegar ao troféu, Lewis Hamilton venceu, seguido do colega de equipa e homem da pole position, Valtteri Bottas, com Daniel Ricciardo (Renault), a conseguir um inesperado pódio, que só nas últimas voltas lhe caiu do céu.

Inicialmente, o arranque do britânico não foi o melhor possível, perdendo a segunda posição para Max Verstappen (Red Bull). Os três homens da frente seguiam próximos uns dos outros, sem haver uma clara declaração de superioridade, com Valtteri Bottas (Mercedes) a liderar, mas sem cilindrar. O finlandês que na segunda volta da corrida viu uma peça da Ferrari a ficar presa no seu carro, o que o tornou muito mais lento. Quando ele e Max Verstappen fazem as primeiras paragens, Lewis Hamilton ficou de fora, e em ar limpo, o que permitiu uma gestão muito melhor dos pneus e tempos mais rápidos. Ao não conseguir passar Bottas nas boxes, Verstappen tinha de o fazer em pista, mas em Imola, não é assim tão simples. Qualquer hipótese de chegar a Hamilton, ficou por terra para o holandês, quando surge um Safety Car Virtual causado pela avaria de Esteban Ocon (Renault), que vem mesmo a calhar para Lewis Hamilton, que assim perde apenas 17 segundos ao parar, em vez dos normais 27.

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A partir daí foi trabalho normal para Lewis Hamilton (Mercedes) até à vitória, com Valtteri Bottas a ter problemas e não segura Verstappen, contudo, o piloto da Red Bull tem um dramático furo, e é colocado fora da corrida, o que dá ao finlandês o segundo lugar, e manda o Safety Car para a pista.

É neste momento que o pódio cai nas mãos de Daniel Ricciardo, com o australiano a segurar Daniil Kvyat (Alpha Tauri) nas últimas voltas, para garantir a segunda visita do ano às escadas do pódio. O russo a  garantir um quarto lugar, na sua melhor corrida deste ano, num momento em que as previsões o colocam fora da Fórmula 1 em 2021.

O quinto lugar ficou para Charles Leclerc, cuja corrida não foi a melhor, conseguindo esta posição graças às desistências de Verstappen e Pierre Gasly (Alpha Tauri). O pódio de Ricciardo poderia muito bem ter ido para Sergio Perez (Racing Point), que após uma fenomenal decisão estratégica de parar algumas voltas depois do resto do pelotão, conseguiu passar para a frente, mesmo após se qualificar fora do top 10. A equipa a aproveitar o “comboio” causado por Kevin Magnussen, que abrandou os pilotos que pararam antes das 20 voltas. Todo esse trabalho acabou por ser deitado fora, quando no momento do safety car, a equipa tomou a decisão de abdicar da posição em pista, para colocar os pneus macios. Caso o safety car não fosse prolongado pelo acidente de George Russell (Williams), podia funcionar, contudo, “Checo” apenas teve cinco voltas para recuperar as posições, conseguindo “apenas” uma fenomenal ultrapassagem sobre Alexander Albon (Red Bull).

Seguem-se os homens da McLaren, com Carlos Sainz em sétimo e Lando Norris em oitavo, numa corrida silenciosa, em que a equipa nunca lutou pelo topo do pelotão. O top 10 foi fechado pelos homens da casa, na Alfa Romeo. Kimi Raikkonen e Antonio Giovinazzi a terminarem em nono e décimo respectivamente, após saírem perto do fundo da grelha. Confirmados para 2021, esta performance só pode colocar sorrisos na equipa que os mantém.

Com cinco desistências, vimos a oportunidade para alguns pilotos que não conseguem pontuar habitualmente, de trazerem um pequeno prémio para as suas equipas. Nicholas Latifi (Williams) terminou em 11.º, contudo, não fosse o erro durante o período de safety car, é quase certo que George Russell iria garantir os primeiros pontos da sua carreira e da equipa esta temporada, e todos sabemos que ele já os merece. Outro homem para quem a corrida foi muito ingrata foi Sebastian Vettel (Ferrari). O alemão fez 39 voltas de médios, e quando se colocava numa fantástica posição para pontos, a equipa mais uma vez, o deixa ficar mal, com uma trapalhona paragem de 13 segundos.

Do lado da Haas, foi apenas uma corrida invisível para ambos pilotos, com Romain Grosjean a terminar em 14.º, sem grande influência na corrida, e Kevin Magnussen a abandonar. Deste grupo final, destaque para as corridas horríveis de Lance Stroll (Racing Point), e Alexander Albon (Red Bull). O canadiano estava a conduzir um carro que mostrou ritmo, mesmo após parar na primeira volta, tinha a obrigação de fazer melhor, mais um fim-de-semana trapalhão para o homem que, convém realçar mais uma vez, se mantém na vez de Pérez para 2021. Já Alexander Albon, foi invisível na corrida, sem conseguir sair daquele pelotão, ao mesmo tempo que o seu colega de equipa batalhava com os líderes. No recomeço após safety car, é ultrapassado por Pérez, e perde controlo, caindo para o fundo da grelha. Se é assim que tenta convencer a Red Bull a mantê-lo, então a decisão será fácil.

Tal como era esperado, Imola não é um circuito fácil para criar uma boa corrida com estes novos carros. A complexa aerodinâmica e tamanho dos bólides, torna batalhas e ultrapassagens seguidas no alcatrão estreito deste circuito. Foi uma viagem a outros tempos na F1, a um dos circuitos mais icónicos, por boas e más razões, mas que para os carros atuais, sabe a pouco.

Mais uma vez, vimos história a ser feita revestida de preto e turquesa, com a Mercedes a demonstrar que é a equipa mais dominante da história, ao vencer sete campeonatos de construtores consecutivos. Antes que digam que é aborrecido, sim, era bom que mais equipas pudessem batalhar pelo primeiro lugar, mas não podemos desvalorizar o rolo compressor que é a eficiência e capacidade de trabalho desta equipa. A maioria ganha algumas vezes, e relaxa, ou comete erros quando já não sabe onde extrair mais performance, mas a Mercedes consegue a cada ano, retirar um defeito dos seus carros, mantendo as virtudes, enquanto os outros tropeçam sobre si mesmos, sem se aproximarem o suficiente.

Foto de Capa: Mercedes AMG-F1

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