Os motores voltaram a rugir nas garagens, desta vez sem o chamado “sandbagging”, a Fórmula 1 está de volta após as “férias” de inverno. 

Como sempre, a época começou com o Grande Prémio da Austrália, que raramente dá um bom espetáculo, mas desta vez foi uma corrida decente. Lewis Hamilton conseguiu a pole position no sábado, mas foi Bottas, ao seu lado em segundo lugar, que venceu de forma dominante a corrida e ainda fez a volta mais rápida.

A Ferrari não esteve em lado nenhum
Fonte: Red Bull Racing

Quando as luzes desligaram, Bottas teve a melhor arrancada e liderou a partir da primeira curva, para nunca mais sair daí. Mais atrás, Ricciardo teve um mau início na sua carreira na Renault. Após conseguir apenas um 12.º lugar no grid, a sua asa dianteira colapsou depois de o mesmo sair ligeiramente da pista, e obrigou-o a ir aos pits para reparações, deixando-o em último com uma grande desvantagem.

Após uma excelente qualificação no sábado, e ao fazer a sua primeira paragem para pneus, Lando Norris da Mclaren viu-se preso atrás de Antonio Giovinazzi, que ainda não tinha parado para pneus. O italiano estava a defender de forma agressiva para facilitar o trabalho a Kimi Raikkonen. Com isto, deu-nos uma das batalhas mais interessantes do meio campo, com Norris a acabar por sair vitorioso, mas acabou por se mostrar tarde demais, tendo perdido a possibilidade de chegar aos pontos.

Ainda no meio campo, a Haas perdeu a possibilidade de pontuar com os dois carros, quando voltaram a cometer erros na pit stop de Grosjean, que teve de abandonar a corrida com uma roda solta, tal como no ano passado.

Na liderança, Bottas continuava isolado e com um ritmo muito mais rápido do que qualquer um dos seus concorrentes. Hamilton seguia em segundo, mas sem conseguir acompanhar o seu colega de equipa, e Vettel era terceiro. Mas havia o fator Verstappen, que pressionou Vettel e acabou por ficar com o último lugar do pódio, após uma ultrapassagem fácil ao alemão. 

A Ferrari parecia uma sombra daquilo que mostrou nos testes, não conseguindo acompanhar o ritmo da Mercedes ou de Verstappen. Até que Leclerc foi às boxes e começou a tirar segundos ao seu colega de equipa, aproximando-se a grande ritmo. 

Foi aqui que surgiu a maior polémica da corrida: Leclerc era muito mais rápido do que Vettel e começou a tentar a ultrapassagem, mas, de repente, afastou-se, mantendo-se a cerca de dois segundos de distância. As ordens de equipa na Ferrari começaram cedo – aqui, a equipa tinha a possibilidade de deixar Leclerc com ar limpo na sua frente para pelo menos tentar obter o ponto pela melhor volta, mas não o deixaram – para mim, um erro estratégico da equipa de Maranello.

Verstappen aproximou-se de Hamilton e começou a lutar pelo 2º lugar, sendo que o britânico não estava com um excelente ritmo, mas, ainda assim, conseguiu manter o piloto da Red Bull atrás de si.

O melhor momento da corrida foi quando Bottas perguntou se podia ir às boxes meter pneus novos para conseguir a volta mais rápida, tal era a sua vantagem para Hamilton, e a equipa recusou. Mas o finlandês está com uma atitude nova, e com pneus velhos decidiu aumentar o ritmo e ser o mais dominante possível, conseguindo mesmo assim a volta mais rápida e vencendo a corrida de forma extremamente confortável.

Após as críticas que recebeu na época anterior e a queda de confiança que sofreu, Bottas precisava de encontrar algum fogo nele para mostrar que está na Fórmula 1 para ficar e que é candidato e não apenas um “Wingman”, e esta corrida foi a melhor resposta que podia dar. Sem dúvida, a sua melhor performance desde que está na Fórmula 1. 

Hamilton terminou em segundo, e bastante longe do seu colega de equipa, Verstappen, logo a seguir ao britânico, conseguindo pela primeira vez o pódio na Austrália, e dando à Honda o seu primeiro pódio desde 2008. O piloto da Red Bull a mostrar que a sua segunda metade da época de 2018 não foi por acaso, e que está pronto para lutar pelo título este ano, e desta vez, o Red Bull parece capaz de acompanhar.

Na quarta e quinta posição, Vettel e Leclerc, uma corrida bastante fraca para a Scuderia, ninguém sabe onde foi parar a velocidade que tinham mostrado antes, nem eles próprios.

Os pontos seguintes serviram para mostrar o quão perto as equipas estão umas das outras, com cinco equipas nos cinco lugares restantes para pontuar, em 6º, Kevin Magnussen da Haas, com uma exibição muito segura, Hulkenberg da Renault recuperou para 7º, em mais uma corrida muito sólida, Kimi Raikkonen a começar bem a sua época na Alfa Romeo com 8º, Lance Stroll a ter uma corrida fabulosa pela Racing Point, subindo de 16º para 9º, e a fechar os pontos, o regressado Daniil Kvyat, na Toro Rosso a manter o francês Pierre Gasly fora dos pontos, apesar de este ter um Red Bull, um dos carros mais rápidos do grid. Uma exibição muito pobre de Gasly, que não conseguiu ultrapassar ninguém durante a corrida e, lamento dizer isto, porque acho o francês um bom piloto, mas, se fosse Ricciardo, ficava bastantes lugares acima.

A época começa de boa forma, já com especulação e intriga. Os Mercedes parecem dominantes, Bottas parece que não vai aceitar ser o carrasco de ninguém, e está aqui para vencer, Verstappen parece em grande forma e desta vez o carro acompanha, e a Ferrari… bem, a Ferrari não estava em lado nenhum.  

Só nas próximas duas corridas é que vamos ter a noção de onde estão verdadeiramente as equipas, mas parece-me que teremos um campeonato muito próximo no topo e no meio da tabela.

Piloto do dia: Valtteri Bottas

Fonte: Formula 1

Havia mais alguém? Acho que ainda se vai descobrir a meio da época que, na verdade, é Nico Rosberg quem está a pilotar o Mercedes 77, disfarçado de Bottas. Ninguém esperava a tareia que o finlandês deu no seu colega de equipa e, muito menos, a atitude muito mais agressiva que mostrou. Mas ainda bem, é assim que ele tem de ser quando tem Ocon à espreita pelo seu lugar. É um ano decisivo para o finlandês e o que mostrou nesta corrida é que há ali estofo de campeão.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Red Bull Racing

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