Se há ensinamento que o Grande Prémio da Hungria de Fórmula 1 nos deixou, é o de que o trabalho de equipa aproxima sempre mais uma equipa do sucesso do que do fracasso, seja em que modalidade for. Exemplo maior disso foi a corrida da Alpine, que teve em Esteban Ocon o vencedor da corrida, mas também teve um papel fundamental de Fernando Alonso para que tal acontecesse. Mas não foi só esse exemplo, quer na corrida, quer nesta temporada (já para não falar de exemplos mais antigos na Fórmula 1).

Portanto, como referido na introdução (e como foi referido pelo engenheiro de Ocon ao próprio piloto francês depois da corrida), Alonso foi uma das razões principais para que o seu colega tenha conseguido vencer no Hungaroring. Lewis Hamilton (Mercedes) vinha em franca recuperação e chegou a pensar-se que o britânico podia mesmo chegar à vitória e impedir Ocon de festejar o seu primeiro triunfo numa corrida de Fórmula 1. Até que Hamilton encontrou o espanhol, que o atrasou durante uma mão-cheia de voltas. Quando Hamilton passou, já não chegou a tempo de apanhar o grupo da frente.

Mas continuando na Hungria, se falamos da Alpine, porque não falar da Williams? A história de George Russell não conseguir pontuar na F1 ao serviço da equipa britânica já tinha conhecido demasiados capítulos. Depois da primeira volta ter retirado da corrida cinco ou seis pilotos que costumam estar com frequência no top-10, a Williams voltou para a pista com Nicholas Latifi no terceiro lugar e Russell em sétimo. A determinada altura, Russell ofereceu-se a comprometer a sua própria corrida se isso ajudasse o seu companheiro canadiano.

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Acabou por não ser preciso. Latifi não conseguiu manter o pódio, mas ambos os pilotos conseguiram terminar a prova dentro dos pontos, acabando com uma longa seca para a Williams. Claro que a equipa provavelmente nunca teria chegado aos pontos se a corrida fosse normal, mas a disponibilidade de Russell para ajudar Latifi estava lá e prova que, quando voltar a ser preciso, estes dois vão trabalhar em equipa de novo.

A harmonia entre colegas de equipa (fora de pista, claro que sim, mas sobretudo dentro, que é onde as corridas se decidem) é, na minha opinião, fundamental para que as equipas alcancem os seus objetivos, sejam eles quais forem. Na luta pelo título, vemos com frequência Valtteri Bottas e Sergio Pérez a abdicarem dos seus objetivos individuais de corrida para ajudarem os colegas de Mercedes e Red Bull, Lewis Hamilton e Max Verstappen, respetivamente.

Portanto, cumprida a primeira metade da época de Fórmula 1, vai ser interessante perceber como decorre a segunda metade. E quando olharmos para as classificações, será igualmente relevante perceber que peso é que momentos como o que a Alpine e a Williams protagonizaram na Hungria terão no resultado final.

Foto de Capa: Fórmula 1

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