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Mais um rei espanhol?

David Pacheco · 3 min

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Cabeçalho modalidadesA 30 de janeiro foi anunciado, pela Toyota Gazoo Racing, o terceiro piloto do carro #8, Fernando Alonso. O duas vezes campeão do mundo de F1 vai disputar todas as provas do mundial de resistência (WEC) que não coincidem com os seus compromissos pela McLaren na Fórmula 1. Assim, Alonso só deverá falhar a prova em Fuji, no Japão… ou talvez não?

Como a Fuji International Speedway é propriedade da Toyota, desde o início do século, seguiu uma proposta para a FIA de uma mudança de calendário para poder “acomodar” Alonso na corrida caseira da marca nipónica. O pedido foi atendido e assim a corrida japonesa foi movida para a semana seguinte, o que garante a presença de Alonso. Apesar de “acomodar” Alonso, para os pilotos que competem em ambos os campeonatos IMSA e WEC, nesse fim-de-semana já havia corrida marcada (Petit Le Mans, em Road Atlanta, na Geórgia), logo não caindo muito bem a mudança de calendário.

Tendo testado o protótipo hibrido da Toyota em Espanha, no circuito de Aragón, Alonso já dava indicações de que iria estar presente, pelo menos, na mítica prova de 24h de Le Mans, em França. Assim, irá substituir Anthony Davidson no Toyota #8, passando este a ser piloto de testes e de reserva para a marca japonesa. Alonso segue assim alguns ex-pilotos de F1 que passaram para esta disciplina do desporto motorizado- Mark Webber, Sebastien Buemi, o próprio Anthony Davidson, entre muitos outros. A sua estreia no WEC está marcada para cinco de maio na Bélgica, no circuito de Spa-Francorchamps.

Fernando Alonso participou pela primeira vez numa corrida de endurance em 2018, nas 24h de Daytona Fonte: Daytona International Speedway
Fernando Alonso participou pela primeira vez numa corrida de endurance
Fonte: Daytona International Speedway

Qual o grande porquê desta mudança? Para quê ter um calendário extremamente preenchido? Há já algum tempo que é conhecido o desejo de Fernando Alonso conseguir um feito na história do desporto motorizado, a Triple Crown (Tripla Coroa). Foi nos longínquos anos sessenta e setenta que Graham Hill conquistou este feito, sendo o único a fazê-lo até hoje. No tempo em que os bigodes dominavam entre os pilotos, Hill, que passou 17 anos na F1, ganhou dois campeonatos do mundo (o mesmo que Alonso, até ao presente dia), em 1962 e 1968.

Entre estes campeonatos, em 1966 participou pela primeira vez na mítica prova americana Indy 500, no circuito de Indianapolis, no Indiana e venceu-a. Uns anos mais tarde, em 1972, Hill venceria a prova de resistência mais famosa do mundo, as 24h de Le Mans. Agora temos que ter atenção, existem duas variantes da Tripla Coroa. A primeira que diz que esta é composta por três corridas: o grande prémio do Mónaco, as 24h de Le Mans e a Indy 500. Outra que alberga as duas últimas, mas que diz que se deve ganhar o campeonato do mundo de F1. De qualquer uma das maneiras, Graham Hill consegui as duas, e Fernando Alonso está cada vez mais próximo.

Graham Hill em 1969 a correr pela Gold Leaf Team Lotus no Grande Prémio da Alemanha Fonte: Wikipedia
Graham Hill em 1969 a correr pela Gold Leaf Team Lotus no GP Alemanha
Fonte: Wikipedia

Fernando Alonso tem reunidas quase todas as condições para ser coroado “Rei da Tripla Coroa”. Em termos de F1, Alonso conta com dois campeonatos e duas vitórias no grande prémio do Mónaco. Na prova americana, Alonso participou em 2017, sendo que não a terminou, mas deixou muitos bons indícios de que em 2018 será muito competitivo.

A correr pela Mclaren-Honda-Andretti, o espanhol só a 21 voltas do fim é que viu o seu motor falhar, dando assim por terminada a prova. Na prova de endurance, a Toyota é o único fabricante oficial a correr com um carro LMP1 no WEC (a categoria máxima nas corridas de resistência). Assim, apesar do campeonato de endurance estar garantido, as corridas de endurance são maratonas, e nunca se sabe o que pode acontecer nelas. Mas esperemos que Alonso saia vitorioso em muitas provas do WEC para estar na máxima força em Le Mans, que decorrerá a 17 de junho.

Foto de Capa: 24 Horas de Le Mans

Artigo revisto por: Jorge Neves

David Pacheco

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