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De que valeu os 362.4km/h? | MotoGP

David Pacheco · 3 min

De que valeu os 362.4km/h? | MotoGP
Foto: MotoGP

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A temporada de 2021 de MotoGP teve um começo atípico. Cada piloto deve ter dado ao Circuito de Losail cerca de 400 voltas, contando a pré-temporada e as duas primeiras rondas.

Depois dos testes de pré-temporada, a Ducati parecia inclinada a vencer os dois primeiros Grandes Prémios, mas foi a Yamaha que conseguiu tal feito.

A marca de Bolonha continua a ser das que mais aposta em termos aerodinâmicos e 2021 não ficou aquém das minhas expetativas. Olhando para a Desmosedici GP21 podemos verificar algumas mudanças.

Nos últimos anos, Gigi Dall’Igna é o maior dos impulsionadores neste campo. Desde reduzir o tempo que a moto passa ‘de nariz para o ar’ ou melhorar em termos de travagem, com maior estabilidade, permitindo assim ao piloto travar mais tarde.

A marca italiana parece agora querer melhorar a sua performance, introduzindo mais carga aerodinâmica, algo nada fácil, num veículo de duas rodas. Mesmo no primeiro Grande Prémio, conseguimos ver Francesco ‘Pecco’ Bagnaia a utilizar as duas variações da Desmo GP21.

Em 2021, a Ducati introduziu um novo apêndice aerodinâmico na GP21
Fonte: Ducati Corse

No final da carenagem da moto, na roda da frente, é visível uma entrada de ar, que recebe ar e depois, num ângulo de quase 90 graus, coloca-o no chão. Com a moto direita, esta conduta fica próximo do chão, limpando assim a turbulência que existe de baixo da moto, normalmente criada pela esteira do pneu. Admito que possa ser isto, pois, no final dos testes, Jack Miller dizia que a nova aerodinâmica deixava a Ducati «mais estável».

A recompensa da adição deste novo apêndice? (Que, claro, trabalha com os restantes). Com uma moto mais esguia, menos arrasto, o que significa uma maior velocidade de ponta. Mas, não só. Com todos os apêndices aerodinâmicos na frente da moto, o ar que chega à traseira chega mais limpo, o que significa que apanhar o cone de ar da moto italiana torna-se mais difícil. Mas, certamente foi isto que ajudou Johann Zarco a atingir os 362.4km/h no TL4 do GP do Qatar.

Mas, com uma moto mais rápida em reta, o que aconteceu para as Yamaha venceram a dupla jornada no Qatar?

Ora, não só de velocidade de ponta vive o MotoGP. Nem é a sua principal arma. Para mim, ter aceleração à saída das curvas é crucial, pois existem mais curvas do que longas retas.

E a Yamaha M1 continua a ser superior nessa parte. Depois de em 2020 ter sofrido muito, 2021 parece trazer um renascimento na moto japonesa. Desde 2016 que a Yamaha tem tido problemas com o pneu dianteira da Michelin. A chegada de Cal Cruchlow da Honda, onde esteve seis anos, pode ter ajudado ainda mais o construtor japonês.

Depois de seis anos a pilotar uma Honda, Cal Cruchlow junta-se à Yamaha, substituindo Jorge Lorenzo como piloto de testes
Fonte: Monster Energy Yamaha MotoGP

A Honda RCV213V ganha tempo à entrada das curvas. Junta-se o “útil ao agradável” e com a Yamaha a ser das melhores “dentro” de curva, só tem a ganhar com Crutchlow. No final da primeira corrida, Maverick Viñales afirmava que: «Consegui sair da última curva com muita tracção, depois na terceira e quarta curva não fazia wheelie, por isso consegui um cone de ar muito bom [atrás das Ducati], depois na quinta e sexta foram-se um pouco embora, mas foi muito melhor do que eu estava à espera”.

E é aqui que a Ducati precisa de melhorar, em curva. A M1 de Viñales foi claramente superior em termos de velocidade em curva, velocidade na saída de curva e aceleração em baixa velocidade. O mesmo se pode dizer de Fabio Quartararo, na segunda corrida no Qatar, o GP de Doha.

Após uma estadia longa no Qatar, o MotoGP segue para a primeira prova europeia, o Grande Prémio de Portugal, que se realiza no Autódromo do Algarve, em Portimão.

Foto de Capa: MotoGP

David Pacheco

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