A CORRIDA: “WHAT A DRAMATIC RACE”

Podia bem ser o título desta crónica, já que a corrida de MotoGP no circuito de Le Mans foi de cortar a respiração. Trouxe-nos o 7º vencedor diferente desta temporada (Danilo Petrucci), a Honda pareceu ressuscitar e a Yamaha continua a ficar aquém do esperado. E no final, quem venceu foi a Ducati.

O mundial de motociclismo voltou à pista e Le Mans acolheu mais uma prova desta temporada que continua caótica e surpreendente. A chuva, que não aparecia no mundial deste o GP de Valência em 2018, veio animar a corrida deste domingo e trouxe-nos a Ducati novamente à ribalta. Alex Márquez teve um domingo de sonho e os festejos da equipa mostravam-nos de que era um segundo lugar com sabor a vitória depois de tantos pontos perdidos esta época.

Já Valentino Rossi continua a não conseguir terminar uma prova e desta vez, ficou de fora logo na primeira curva num incidente confuso e onde o piloto italiano acabou por ficar no meio da pista.

Na linha da frente estava Quartararo, que queria vencer na sua home race, mas o piloto francês foi a prova viva de que um mau arranque pode ditar mesmo uma má corrida e um mau resultado no final. O homem da Petronas Yamaha SRT acabou fazer uma prova em queda livre e não teve armas para lutar diretamente com os pilotos da Ducati que dominaram toda a corrida no circuito de Le Mans.

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Se por um lado a chuva veio baralhar a estratégia de corrida para Quartararo – que nunca tinha corrido em piso molhado – veio, por outro, dar armas à Ducati, que costuma ser a rainha do asfalto molhado.

Primeiro, foi Miller que começou com um arranque flecha. Depois, Dovizioso e Petrucci seguiram-lhe as pisadas, mas só este último teve armas para se manter na liderança da prova e não tremeu perante os ataques dos companheiros de equipa, de Rins ou Alex Márquez. A verdade é que a animação e a adrenalina só chegaram à corrida nas últimas voltas – tal como 2020 nos tem habituado, e bem.

Dovi puxou das armas e atacou a liderança de Petrucci, enquanto lá atrás vinha Alex Rins com a sua Suzuki determinado a lutar pela vitória. Acredito, que se não fosse a queda nas últimas voltas da prova, estaria agora a escrever que o piloto da marca japonesa tinha sido o grande vencedor deste grande prémio.

Continuo a achar que só falta um danoninho à Suzuki para vencer uma corrida em 2020. E não estará muito longe disso. Miller acabou por abandonar a corrida devido a supostos problemas mecânicos e a vitória de Danilo Petrucci parecia cada vez mais certa. E foi. O piloto italiano tornou-se, assim, no sétimo vencedor diferente nesta louca temporada de 2020.

Le Mans trouxe-nos também a surpresa do fim de semana e talvez da época: Alex Márquez alcançou o seu primeiro pódio na categoria rainha do mundial de motociclismo depois de ter feito uma prova de grande qualidade, onde puxou pela Honda e nos mostrou que tem tudo para ser um grande piloto. E que começa, finalmente, a perceber a máquina que tem nas suas mãos… Pena que para o ano já não a tenha.

O pódio ficou fechado com Pol Espargaró que voltou a dar cartas com a sua KTM.

Andrea Dovizioso parecia capaz de alcançar o segundo lugar ou até mesmo a vitória, mas acabou por cair a pique nas últimas voltas, muito devido ao desgaste dos pneus que mais uma vez foram a chave deste grande prémio.

Já o português Miguel Oliveira fez uma prova bem ao seu estilo, recuperando depois de perder várias posições logo no arranque. Esteve lado a lado a batalhar com Dovizioso e quase que roubava o 5º lugar ao italiano, mas as condições de pista não permitiram uma ultrapassagem arriscada. Quem aproveitou esta luta foi Zarco, que acabou por roubar a 5ª posição ao Falcão de Almada e o relegou para o sexto lugar.

Ainda assim, excelente prova do português que continua a afirmar-se, e bem, na categoria rainha do mundial de motociclismo.

O próximo desafio é já na próxima semana, em Aragão.

Foto de capa: Moto GP