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Quando o Rali de Portugal era a maior festa nacional

Rodrigo Fernandes · 2 min

Quando o Rali de Portugal era a maior festa nacional

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cab desportos motorizados

Durante anos, o Rali de Portugal e a Volta a Portugal em bicicleta competiam para ser o maior marco desportivo anual português. Eram dias de festa – o povo saía à rua para ver passar os carros e os ciclistas à porta de suas casas.

Hoje, o rali está concentrado no Algarve, região com menos tradição nestas andanças, mas considerada ideal para a sua realização, por haver menos público nas estradas do que no Centro e no Norte do país. De facto, esta opção pelo Algarve pode considerar-se positiva; voltámos a ter o WRC cá graças a isso.

Mas vamos voltar às origens. As tardes e noites de Sintra e Fafe ainda hoje deixam saudades, e, ao mesmo tempo, fazem desejar o seu regresso; a prova é o Fafe Rally Sprint, que se vai disputar pelo terceiro ano seguido. Esta é uma prova que reúne os principais pilotos e equipas que participam no Rali de Portugal, e também alguns pilotos que tenham interesse em tal. São milhares de pessoas, que não vêm só de Portugal para ver esta prova. Uma verdadeira multidão que não deixa ninguém indiferente e que cria um ambiente melhor do que na grande maioria dos estádios de futebol. Uma prova de fidelidade e amor à modalidade por parte dos nortenhos. Adruzilo Lopes disse, em entrevista ao Autosport, que “no Confurco, ver aquelas bancadas naturais a ganhar vida… é impossível descrever o que isto faz a um piloto”. Esta é apenas uma de muitas centenas de declarações do género, que os vários pilotos deixam depois de fazer esta especial.

Mas não existiam só coisas boas, nesta que foi por várias vezes considerada a melhor prova do mundial. Os pilotos queixavam-se, frequentemente, da irresponsibilidade dos espetadores portugueses. O público, de facto, era irresponsável. Era frequente ver pessoas no meio dos troços; mais frequente ainda era só saírem da estrada mesmo no último segundo. O ano de 1986 mostra o episódio mais triste desta irresponsabilidade. Joaquim Santos, no seu Ford RS 200, ao fugir de uns espetadores mal posicionados, despistou-se e colheu várias pessoas, matando duas logo nesse momento e ferindo dezenas. Foi mais um passo para o fim do grupo B, os melhores carros de sempre no mundo dos ralis. Mas vejamos o lado positivo deste acidente: deu-nos a única vitória portuguesa no WRC. Joaquim Moutinho e o seu Renault 5 Turbo foram os protagonistas.

Rodrigo Fernandes

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José Juan Romero: do Real Bétis a Ceuta, dos milagres dentro de campo ao futebol em segundo plano

SEVILHA, ANDALUZIA- Espanha não tem sido notícia apenas por boas razões nos últimos meses, bem pelo contrário. A queda do governo de Pedro Sánchez está na ordem do dia e tal ‘crise’ justifica-se com vários pontos: alianças políticas que já não estavam a funcionar, aumento do descontentamento da população, salários que não acompanham o custo de vida, crise habitacional que levou a manifestações por todo o território… No entanto, a memória é traiçoeira. Faz-nos pensar que certos acontecimentos já ocorreram há bastante tempo, quando não é bem assim. Quantos se recordam do dia 30 de julho de 2026? Foi nessa data que ocorreu o começo da crise migratória de Ceuta e as consequências da mesma ainda se fazem sentir hoje em dia. 70 mil pessoas oriundas de Marrocos entraram no território a partir do mar durante as 48 horas, provocando uma crise migratória totalmente inesperada. As razões que estiveram na origem desta entrada em massa não são o foco desta análise. A maioria das pessoas teria uma boa índole, procurando o melhor para si e para os seus. Histórias de vida diferentes umas das outras, mas o objetivo comum de atingir a felicidade. No entanto, também existiu o outro lado da moeda: quem procurou o conflito e a criação de um ambiente tóxico.

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Quem é o rei da Andaluzia? É o Real Bétis. Ah, bem me parecia!

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Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

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Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

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