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CM01/02 | “Make Estrela great again” – Part I

Vítor Miguel Gonçalves · 6 min

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Há cerca de ano e meio, em conversa com o Mário Cagica, calhou em conversa falarmos sobre CM01/02, ou Championship Manager 01-02, e em fazer algo sobre o mesmo aqui no Bola na Rede.

Na altura seguia o trabalho que o Ian Macintosh fazia (e faz) no Set Pieces, e onde começou um projecto no Everton FC na tentativa de o levar à glória em Terras de Sua Majestade.

Daí, surgiu um artigo sobre um onze composto pelas grandes pérolas do jogo, onde Portugal estava em destaque, com alguns jogadores nacionais a serem vistos como verdadeiros “Deuses” do simulador. Hugo Pinheiro, os “manos” Paralta e Tó Madeira são figuras incontornáveis do jogo lançado no primeiro ano do novo milénio e que ainda hoje ecoam no mundo virtual.

LÊ MAIS: Os 11 magníficos do CM 01-02

Assim, decidi voltar atrás no tempo e voltar a “brincar” com um jogo que se irá fazer 18 anos em 2019 e começar na Segunda Liga Portuguesa e num clube histórico do nosso futebol…

O DESAFIO

 

O CF Estrela da Amadora tinha descido ao segundo escalão em 2000/2001, no ano do inédito triunfo do Boavista FC na Primeira Liga. Na Segunda Liga, partiam como claros favoritos (algo que na realidade não aconteceu, mesmo com a chegada de um tal Jorge Jesus ao comando técnico dos tricolores) e sonhavam alto.

Fonte: Bola na Rede

Este seria então um desafio à minha medida e, a 29 de Julho de 2001, assinei contrato com o clube dos arredores de Lisboa, substituindo no cargo Álvaro Magalhães.

A missão era simples: voltar ao convívio dos grandes e colocar o Estrela no lugar onde merece. Contudo, ambiciono mais e quero que a equipa da Amadora se torne ela própria num dos grandes do nosso futebol, reescrevendo a história.

Fonte: Bola na Rede

Contudo, assim que abro a porta do balneário percebo que o plantel é já experiente – o que até seria bom para uma equipa que quer lutar pelos lugares cimeiros – e que há alguns jogadores que não se enquadram na táctica de eleição, o 3-5-2.

Assim, o primeiro passo será fazer uma limpeza no vestiário e há uns nomes que me saltam à cabeça: Cadete e Luís Vasco. Curiosamente, um avançado e um guarda-redes… Será que alguém tem o número do agente do Tó Madeira e do Hugo Pinheiro?

Fonte: Bola na Rede
Fonte: Bola na Rede

Sei que um desafio à altura seria fazer este projecto sem o “monstro” Tó Madeira, mas não seria a mesma coisa! Que se lixe, pego no telefone e, após Jorge Cadete bater com a porta, ligo para Gouveia… mas ninguém quer falar comigo.

Depois, vejo que tenho o plantel composto por vários extra-comunitários, e alguns deles de qualidade questionável. Decido que é tempo de saldos e faço várias promoções.

PRÉ-ÉPOCA

A entrada em Agosto traz consigo alguns amigáveis e a primeira derrota, frente à UD Leiria. Há muito a mudar e sinto que grande parte do núcleo da minha equipa é mediocre. Como tal, continuo a ter reuniões a um ritmo alucinante e a enviar faxes para as secretarias dos clubes. Entre os dispensados está um tal de Paulo Fonseca, conhecem?

Do lado das entradas, chegam Antchouet e Castanho, do Leixões SC; um miúdo de 16 anos sem clube com um nome engraçado: Cristiano Ronaldo; João Paiva, também ele um puto promissor e, directamente do CD Gouveia… João Paralta. Chegam também, por empréstimo, Toñito, Ricardo Esteves, Rubens Júnior e Pavlin.

Nomes conhecidos de quem joga CM0102, mas sem o peso de quem realmente queria a vestir a camisola tricolor.

Para o segundo jogo, e ainda com uma equipa remendada, está o Sporting CP de João Vieira Pinto, Niculae ou Jardel. Encaro o jogo sem esconder as emoções, mas frente ao clube do coração, digo à equipa para lugar de igual para igual e, em pleno Estádio José Gomes, quase surpreendo os leões.

Fonte: Bola na Rede

O empate a um acaba por ser um bom resultado e sinto que estamos no bom caminho. Mas, ao mesmo tempo que estico a mão ao Monsieur Bölöni, com a outra continuo a ligar para Gouveia e para a Marinha Grande.

Até à primeira jornada, frente ao rival directo Rio Ave FC, tenho onze dias e aproveito para voltar a Matosinhos e contratar um médio defensivo: Odé. Do outro lado do Atlântico, e já sem Cadete, Gaúcho, Luís Vasco e uma legião de médios direitos no plantel, chegou Marajó e mais um trinco: Binho.

Tudo parecia estar a encaminhar-se e a confiança estava em alta na Reboleira para a estreia na Segunda Liga.

AGOSTO 2001

“One more time a celebration
You know we’re gonna do it right
Tonight, just feeling
Music’s got me feeling the need
We’re gonna celebrate”.

No escritório, com o Discman em cima da mesa, rabiscava numa folha A4 enquanto via os minutos a passar até à hora do jogo. Durante o aquecimento, percebia que os adeptos estavam com a equipa e que tudo estava alinhado para uma boa exibição. Mas, com o apito do árbitro José Cardoso, tudo mudou.

À passagem do primeiro quarto de hora, os visitantes fazem o primeiro. Coço a barba – na altura ainda sem qualquer zona branca – e acredito que faz parte do futebol. A nove minutos do final da primeira parte, o segundo. Miguelito, que anos depois viria a passar pelo SL Benfica, desfaz a minha “pobre” defesa e faz o segundo. Olho para cima, para o limpo céu de Agosto, e penso no que posso fazer.

Chego ao balneário e mudo tudo; que se lixe o 3-5-2, vamos jogar em 4-3-1-2, com os médios no centro do terreno. Faço um discurso motivacional “à Al Pacino” e tudo para dentro de campo.

Tudo corre bem, com um golo na estreia para João Paiva e com a “estrela do Estrela”, Semedo, a fazer o 3-2 final.

Fonte: Bola na Rede

Suspiros de alívio e um sorriso rasgado inundam a minha face. Um jogo, uma vitória e tudo corre de forma épica.

Na semana seguinte, vamos até Santa Maria de Lamas para enfrentar o CFU Lamas. Uma equipa teoricamente mais acessível e com um jogador em destaque, o central Adilson.

Depois da vitória em casa, tudo parecia estar a correr bem mas, num jogo típico de CM0102, perco o jogo com o guarda-redes lamacense a ser o melhor em campo, numa partida em que joguei quase uma parte inteira com mais um. REALITY CHECK!

Fonte: Bola na Rede

Faço o caminho na A1 sem abrir a boca e, à passagem pela zona do Pinhal de Leiria, pego no meu Nokia 3310 e volto a ligar para a Marinha Grande… e atendem.

SETEMBRO 2001


Sábado, dia 1 de setembro. Estamos ainda no Verão e já parece Natal. Quinta e sexta-feira foram dias excelentes e consegui, finalmente, o que queria: Tó Madeira e Hugo Pinheiro na sala de imprensa, juntamente com Nélson Veiga, a mostrar a camisola tricolor.

Fonte: Bola na Rede
Fonte: Bola na Rede

Quase que não aguento a excitação e já só penso na recepção ao Moreirense FC, ao mesmo tempo que envio o meu plantel final para a Liga de Clubes. Custou, mas creio que temos plantel para lutar pelos objectivos e até o Jamor é um sonho para os meus meninos.

Fonte: Bola na Rede

Agora, é tempo de preparar o jogo frente ao Moreirense e ver AQUELA frente de ataque a destruir as defesas adversárias…

Foto de Capa: Bola na Rede

 

Vítor Miguel Gonçalves

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