cab futsal

As hostilidades estão abertas. Podemos oficialmente dizer que o pontapé de saída no Euro 2014 de Futsal está dado. São 12 equipas de todos os cantos do velho continente a procurar a glória, numa competição disputada somente na cidade belga de Antuérpia, distribuída por dois pavilhões (Lotto Arena, palco dos jogos referentes à primeira fase do torneio, e o SportPalais, sede dos jogos decisivos do torneio). Não é absurdo dizer que a nossa equipa é candidata a trazer o troféu para solo nacional, visto que a seleção portuguesa se encontra numa primeira linha de candidatos, a par de Espanha, Itália e Rússia, surgindo depois, num segundo patamar, um vasto rol de seleções a acompanhar com atenção, de onde se destaca a equipa do Azerbaijão, recheada de jogadores brasileiros de qualidade, a Ucrânia, sempre difícil de bater e já duas vezes vice-campeã continental (2001 e 2003), a Roménia, que surpreendeu a equipa da casa no seu primeiro jogo neste torneio, ou mesmo a República Checa, que conta com seis presenças em oito possíveis, registo igual ao nosso. É essa a magia deste desporto: olhamos para todos os presentes e pensamos que o espetáculo está garantido, emoção é algo que não vai certamente faltar.

Aqui, é possível verificar a distribuição das equipas pelos quatro grupos, constituído cada um por três seleções:

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Grupo A

Bélgica                                                 Jogos disputados: Bélgica 1-6 Roménia
Roménia
Ucrânia

Indo ao encontro daquilo que eu disse anteriormente, nenhuma destas seleções se mostra clara favorita, sendo, por isso, o grupo mais imprevisível. No entanto, creio que os adeptos locais irão apanhar uma desilusão, dado que a Bélgica parte claramente como o favorito a sair já de cena. O jogo entre Roménia e Ucrânia promete ser muito intenso e equilibrado, em princípio, para decidir a liderança final no grupo. Dado que transitam duas formações para os quartos de final, esta dupla parece, à primeira vista, ter todas as condições para avançar.

Grupo B:

Rússia                                         Jogos disputados: Rússia 7-1 Holanda
Portugal
Holanda

Para mim, é o tão aclamado “grupo da morte”. Temos aqui em cena dois dos candidatos a campeões. A fortíssima Rússia, que dispensa apresentações, atual vice-campeã em título (perdeu 3-1 na final frente à todo-poderosa Espanha, em 2012) e vencedora no longínquo ano de 1999, e, por outro lado, a equipa portuguesa, que pretende juntar-se a Espanha, Itália e à já citada Rússia no “hall of fame”do Europeu como vencedores finais. Portugal e Rússia são claros favoritos a passar, sobretudo porque a equipa do Leste Europeu já bateu copiosamente a Holanda, por 7-1, estando praticamente apurada. Resta a Portugal seguir o exemplo e carimbar o apuramento, quando, no dia 30 de janeiro, defrontar a rival Holanda. Caso isso aconteça, a última jornada (1 de fevereiro) servirá para averiguar qual será a vencedora deste entusiasmante grupo B.

Grupo C:

Itália
Azerbaijão
Eslovénia

Mais um grupo interessante que podemos observar. Há um claro favorito, Itália. A formação transalpina, pelo seu historial (onde pontifica o título no ano de 2003), é o natural candidato a assumir a liderança final. Mas engane-se quem pensa que vai ser um passeio até à fase a eliminar. Tem pela frente duas equipas muito interessantes. Em primeiro lugar, o Azerbaijão, que, em 2010, conseguiu alcançar um interessante e notável 4º lugar, provando assim ser um grupo a ter em conta para o apuramento. Tem apenas duas presenças em Europeus, mas coincidem com as 2 últimas edições da prova (2010 e 2012), por isso é um valor emergente no futsal mundial. De forma análoga, embora um pouco mais modesta, aparece a Eslovénia. Também marcou presença em 2010 e 2012, acrescentando à presença de 2003, mas, curiosamente, nunca conquistou qualquer ponto em fases finais (sete derrotas em outros tantos jogos). Quererá, por isso, mudar a história este ano, de modo a alcançar um inédito apuramento para os quartos de final.

Grupo D:
Espanha
República Checa
Croácia

Neste grupo, encontramos um colosso do futsal europeu e mundial, Espanha, que naturalmente dispensa apresentações. Nas oito edições anteriores, os “nuestros hermanos” lograram vencer o torneio por seis vezes (1996, 2001, 2005, 2007, 2010, 2012). Quer isto dizer que as últimas quatro edições não conheceram outro vencedor. Este ano, irão tentar alcançar um inédito penta campeonato, partindo como claros favoritos a, para já, vencer o seu grupo. Posto isto, República Checa e Croácia partem como candidatos ao segundo bilhete para a fase seguinte. É difícil dizer quem é o favorito nesse confronto, talvez a República Checa, por ter mais participações (seis contra três croatas) e por já ter conseguido um lugar no pódio (3ª posição, em 2010, ao passo que a Croácia nunca fez melhor que o 4º lugar, quando organizou o Euro 2012). Mas este embate promete ser mais um escaldante e a não perder.

Campeão em título, Espanha / Fonte: Mediaconsulting.cz
Campeão em título, Espanha /Fonte: Mediaconsulting.cz

Feita a apresentação dos concorrentes, vamos ao que interessa a nós portugueses, o grupo B. Para já, apenas a Rússia jogou contra a Holanda, e venceu de forma clara e tranquila (7-1). Isto provoca um sentimento misto nas hostes lusas. Por um lado, apresenta-se diante dos nossos olhos uma Rússia na plenitude das suas capacidades, a prometer ser um duro rival quando se deparar com a equipa portuguesa. Por outro lado, a Holanda deu um passo claramente em falso, provando ser uma equipa macia e permeável a defender. Apesar de ter entrado forte no jogo com a Rússia, cedo se provou que não tinha andamento para a formação leste-europeia, com um cheirinho a samba, tal a quantidade de jogadores brasileiros que atuam por esta seleção (Eder Lima – avançado, Robinho – avançado, Cirilo – avançado, Pula – defesa, e Gustavo – guarda-redes). Quer-me parecer que a Holanda, em condições normais, não tem qualidade para bater a nossa equipa, salvo qualquer exibição menos conseguida da nossa parte. Ainda assim, há que manter o olho bem aberto, aquando do jogo com a Rússia, que, nesta espécie de mistura russo-brasileira, criou uma seleção temível, e cujo confronto deverá ser encarado com toda a seriedade. Para além dos jogadores já citados, outros merecem o devido destaque, tal como o experiente avançado Shayakhmetov e o capitão Pereversev, também avançado.

Cirilo, autor do 1º golo do Euro 2014 / Fonte: Uefa.com
Cirilo, autor do 1º golo do Euro 2014 / Fonte: Uefa.com

Finalmente, resta-nos desfrutar de toda a ação que irá ter lugar em Antuérpia, uma cidade que esperemos que seja talismã para o nosso futsal, tal como aconteceu recentemente com Kuala Lumpur, em relação ao ténis (título mais importante do ténis português, na pele de João Sousa), e com Florença (onde Rui Costa se sagrou campeão mundial de ciclismo). Vamos todos estar a torcer por um título que tanta falta faz, para potenciar ainda mais esta modalidade no nosso país e a elevar para patamares nunca antes atingidos.