Na Pesaro Futsal Arena, em Itália, o Sporting carimbou a passagem à final da Liga dos Campeões de Futsal depois de bater o Cartagena por 5-6, nos penáltis, após 3-3 no prolongamento. Assim, os leões chegam à oitava final da história do clube e, três anos depois, procuram conquistar a terceira “orelhuda”.
Este duelo ibérico, foi uma repetição da disputa pelo 3.º/4.ª lugar da edição passada, onde os espanhóis levaram a melhor. Esta vitória dramática do Sporting ficou marcada pela falta de eficácia da equipa de Nuno Dias, que quase deixava os leões fora da prova.
Assimque o cronómetro começou a contar, o Sporting entrou a pressionar alto e, em apenas 12 segundos, desperdiçou três oportunidades de golo. O guarda-redes espanhol Chemi esteve em grande plano e impediu que os leões se adiantassem no marcador.
O Sporting estava ligado à corrente e voltou a estar perto do golo, mas o remate de Zicky Té foi bloqueado por um jogador do Cartagena. A equipa de Nuno Dias controlava o jogo, mas faltava eficácia.
Depois da entrada fulgurante dos leões, os bicampeões espanhóis começaram a equilibrar o jogo, em posse de bola, e passaram a chegar com uma maior regularidade à área de Bernardo Paçó. Apesar das investidas do conjunto murciano, o guardião internacional português raramente era chamado a intervir.
Chemi estava a ser a figura do jogo, com defesas de elevado nível que mantinham o nulo no marcador. Quando não era o guarda-redes espanhol a evitar o golo, surgia um jogador do Cartagena a substituí-lo, como aconteceu ao minuto oito. Num pontapé de canto, a bola sobrou para Pauleta, que rematou de primeira, mas Francisco Cortés cortou em cima da linha de golo.
As oportunidades desperdiçadas dos leões iam aumentando e, como diz o ditado, quem não marca sofre. No minuto 11, Waltinho recuperou a bola enquanto o Sporting saía a jogar, fez uma tabelinha com Tomaz Braga e marcou o primeiro golo da tarde. Balde de água fria para a turma de Alvalade, que respondeu na jogada seguinte, mas o remate forte de Diogo Santos foi travado por Chemi.
À medida que o intervalo se aproximava, o Sporting carregava cada vez mais, recuperava a bola com muita facilidade, só que o golo teimava em não aparecer. E, novamente contra a corrente do jogo, o Cartagena voltou a marcar. Aos 17 minutos, Francisco Cortés bisou na partida, culminando uma grande jogada coletiva da equipa orientada por Duda.
A resposta leonina surgiu pelos pés de Tomás Paçó. O fixo português tinha apenas Chemi pelo caminho, mas o guardião voltou a agigantar-se e impediu que o Sporting reduzisse.
As equipas recolheram ao balneário e o Sporting só se podia queixar de si próprio do resultado ao intervalo. Numa final-four da Liga dos Campeões de Futsal, não se podem desperdiçar tantas oportunidades de golo. Chemi e Cortés foram um pesadelo para o conjunto comandado por Nuno Dias.
Os jogadores leoninos certamente afinaram a pontaria no balneário, porque aos dois minutos da segunda parte chegaram ao tão desejado golo. Diogo Santos assistiu Zicky, que rodou sobre o adversário e, de primeira, fez o 2-1. Para além do golo sofrido, surgiu mais uma má notícia para Duda. O guardião Chemi saiu de maca depois de se lesionar sozinho no lance do golo.
Dois minutos depois, o Sporting restabeleceu a igualdade no marcador. Na sequência de um canto, Felipe Valério, num grande lance individual, fuzilou a baliza espanhola, agora defendida por Chispi. Nuno Dias mostrava-se satisfeito com a exibição da sua equipa.
Mesmo sem Chemi na quadra, o Sporting não conseguia chegar à reviravolta. A eficácia da primeira parte voltou e, a meio da segunda parte, os leões já tinham desperdiçado inúmeras ocasiões de golo, algo que começava a gerar ansiedade aos jogadores verde e brancos.
Nos últimos dez minutos, as oportunidades de parte a parte escassearam, com as equipas a preservarem mais a posse de bola e a correrem menos riscos. Bernardo Paçó era o jogador leonino que mais procurava o golo. O guarda-redes do Sporting rematou várias vezes de longe, mas a bola nunca encontrou o destino desejado.
Os 40 minutos não foram suficientes para encontrar um vencedor deste duelo ibérico e seguia-se o prolongamento. O Sporting foi claramente superior ao Cartagena durante tudo o encontro, mas, por culpa própria, não conseguiu um resultado melhor. As duas equipas entraram no prolongamento já com cinco faltas acumuladas.
O Cartagena iniciou a primeira parte com guarda-redes avançado, algo que não tinha acontecido no tempo regulamentar. Ainda assim, o 5×4 dos espanhóis não surtiu efeito, graças à boa organização defensiva da equipa de Nuno Dias.
A dois minutos do fim da primeira parte, o Sporting consumou a reviravolta. Valério, na marcação de um canto, assistiu Tomás Paçó, que tirou um adversário do caminho e colocou os leões, pela primeira vez, em vantagem no marcador.
A vantagem leonina durou pouco e o Cartagena voltou a empatar, por intermédio de Gonzalo Castejón. Excelente jogada coletiva ao primeiro toque, em 5×4, com o pivot espanhol a surgir sozinho no segundo poste para fazer o 3-3.
O final do primeiro tempo foi animado e restavam cinco minutos para as equipas evitarem as grandes penalidades. No início da segunda parte, o Cartagena voltou a apostar no 5×4 e, num contra-ataque dos leões, Diogo Santos sofreu falta, dando origem a um livre de dez metros.
Tomás Paçó assumiu a marcação do livre, mas não conseguiu converter com sucesso. Chispi, com uma grande defesa, negou o golo ao fixo português e manteve a igualdade no marcador.
Não houve mais golos até ao final e, consequentemente, o jogo seguiu para o desempate por grandes penalidades.
Nos penáltis, pelo Cartagena, Waltinho, Darío Gil, Pablo Ramírez, Tomaz Braga marcaram, mas, no quinto penalty, Muhammad Osamanmusa viu o seu remate ser defendido por Gonçalo Portugal. Do lado do Sporting, converteram Bruno Pinto, Rocha, Diogo Santos, Tomás Paçó, Alex Merlim e Felipe Valério, autor do penalty decisivo.
Após um jogo de loucos, o Sporting regressa à final da Liga dos Campeões de Futsal, depois de três anos consecutivos a terminar no quarto lugar.
A final está agendada para o dia 8 de maio, às 17h00, na Pesaro Futsal Arena, contra o Palma Futsal. Os atuais tricampeões da Champions de Futsal bateram, também nas grandes penalidades, o Etoille Lavalloise.

