Portugal 2-2 Cazaquistão (4-3 GP): De prolongamento em prolongamento até à vitória final?

- Advertisement -

A CRÓNICA: O SOFRIMENTO HABITUAL DE UM PORTUGUÊS

De emoção e suor se fez esta meia-final entre Portugal e Cazaquistão. Os portugueses pareciam ter a vitória na mão, mas os cazaques forçaram o prolongamento e, após um empate a duas bolas, o jogo acabaria por sorrir à equipa das Quinas nas grandes penalidades.

O Cazaquistão entrou mais atrevido e Orazov até conseguiu marcar logo dentro dos primeiros três minutos, mas o lance acabaria por ser revertido com ajuda do Video Support, dado que a bola tinha ultrapassado a linha lateral. A equipa das Quinas tentou reagir com as investidas de Cecílio e Zicky Té, deparando-se imediatamente com as tentativas perigosas de Taynan e Tursagulov após lances de 5×4.

Num jogo muito bem disputado desde início, Portugal ativou alguns momentos de pressing e as recuperações de Ricardinho possibilitaram que Pany Varela e Miguel Ângelo ficassem muito perto do golo. A juntar a essas ocasiões, Erick Mendonça e Bruno Coelho também ficaram a escassos centímetros de festejar, mas os portugueses viram os cazaques terminar o primeiro tempo como começaram, isto é, com mais perigo: Taynan e Orazov viram os seus remates serem travados pelos postes nos instantes finais.

A segunda parte não poderia ter começado melhor para a seleção portuguesa. Ainda não estavam decorridos 3 minutos e Pany Varela já tinha feito o gosto ao pé, após boa assistência de Miguel Ângelo. O golo trouxe mais emoção ao jogo e Zicky Té até esteve perto de ampliar a vantagem por duas ocasiões, porém, do outro lado, a tentativa de resposta surgiu pelos pés de Turgasulov e do guardião Higuita.

O tempo ia passando e a necessidade do Cazaquistão em restabelecer a igualdade era cada vez maior, o que levou a equipa de Kaká a assumir ainda mais riscos (além dos lances de 5×4), mas acabou por as tentativas de Knaub e Douglas Júnior a esbarrar nas defesas de Bebé. Sucederam-se as intervenções do guardião português, mas o golo do empate acabaria mesmo por aparecer ao cair do pano, com Nurgozhin a encostar ao segundo poste.

Novo empate em tempo regulamentar, novo prolongamento. Ao contrário da segunda parte, Portugal entrou mal e sofreu o tento da reviravolta num livre executado por Douglas Júnior. Não havia dúvidas de que o golo do empate tinha mexido animicamente com a seleção lusa, mas a equipa acreditou e empatou a dois minutos do fim, fruto de um lance de insistência de Pany Varela a culminar no golo de Bruno Coelho.

Nas grandes penalidades, Jorge Braz avistou que estava ganho e, de facto, aconteceu. Bebé defendeu o primeiro, viu Pany Varela falhar o terceiro, mas Vítor Hugo defendeu o quarto e Tiago Brito tratou de assinar o golo do triunfo português. O Cazaquistão conseguiu fazer História ao chegar às “meias” da prova, mas são os campeões portugueses que seguem para a final, de forma inédita, onde irão defrontar a Argentina. Depois de mais um prolongamento, estará a equipa de futsal perto de repetir o feito da seleção de futebol há pouco mais de cinco anos? Domingo saberemos.

 

A FIGURA
Fonte: André Sanano/FPF

Pany Varela – Apontou o primeiro golo e desenhou o segundo. O ala de 32 anos assumiu-se como a unidade mais desequilibradora do encontro sempre que esteve em campo e, além das inúmeras desmarcações e movimentações surpreendentes, acabou por ter interferência direta no desenrolar da partida. O penalti falhado nas grandes decisões em nada abalou a bela exibição do atleta português.

O FORA DE JOGO

Albert Akbalikov – Globalmente, Albert Akbalikov unidade mais apagada da formação do Cazaquistão. O atleta de 31 anos acumulou várias perdas de bola e nem sempre teve as melhores leituras das desmarcações dos colegas de equipa, falhando muitos passes que, em caso de sucesso, poderiam ter sido comprometedores para Portugal.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Jorge Braz optou por repetir precisamente a mesma equipa inicial dos dois jogos anteriores, mas só durante a primeira parte fez entrar outros sete jogadores para desequilibrar a estratégia coesa do adversário. Perante os lances de 5×4 no momento defensivo, Portugal montou um losango e soube como controlar o perigo que daí pudesse surgir, tendo sentido mais dificuldades em travar as típicas bolas em profundidade do Cazaquistão.

A seleção portuguesa colocou-se em vantagem pouco depois do regress0o dos balneários e, face à vontade de chegar ao empate por parte do adversário, Zicky Té passou a assumir uma maior importância no processo ofensivo da equipa. Bebé ainda foi travando o empate, mas tal acabou por acontecer na pior altura possível, deixando a equipa algo descoordenada até sofrer a reviravolta (já no prolongamento). Jorge Braz não arriscou verdadeiramente no 5×4, mas a equipa teve a lucidez para levar o jogo para as grandes penalidades.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Bebé (8)

João Matos (5)

Bruno Coelho (7)

Ricardinho (7)

Fábio Cecílio (6)

SUBS UTILIZADOS

Vítor Hugo (6)

André Coelho (5)

Afonso Jesus (5)

Erick Mendonça (6)

Pany Varela (8)

Tiago Brito (6)

Miguel Ângelo (6)

Zicky Té (7)

 

ANÁLISE TÁTICA – CAZAQUISTÃO

Já Kaká procedeu a duas alterações em relação ao último duelo (com Albert Akbalikov e Dauren Nurgozhin a renderem Dauren Tursagulov e Birzhan Orazov, respetivamente), mas foram precisamente esses dois elementos substituídos a desequilibrar assim que entraram em campo, tanto nos lances com o guarda-redes mais avançado no terreno, como nas bolas em profundidade, como sendo a imagem de marca do Cazaquistão.

A defender, os cazaques mostraram ser praticamente sempre coesos, de tal forma que chegaram a este duelo como sendo a equipa menos batida da competição. No entanto, depois de consentirem o golo de Pany Varela, assumiram mais riscos e colocaram-se a jeito de sofrer mais golos. Certo é que o golo do empate apareceu e galvanizou a equipa para operacionalizar a reviravolta, fechando-se atrás após esse momento às investidas portuguesas e tendo estado muito perto de fazer a sexta falta.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Léo Higuita (7)

Douglas Júnior (7)

Tayan (7)

Albert Akbalikov (4)

Dauren Nurgozhin (5)

SUBS UTILIZADOS

Ruan Atantayev (5)

Chingiz Yesenamanov (5)

Arnold Knaub (5)

Dauren Tursagulov (6)

Birzhan Orazov (6)

Miguel Simões
Miguel Simõeshttp://www.bolanarede.pt
Já com uma licenciatura em Comunicação Social na bagagem, o Miguel é aluno do mestrado em Jornalismo e Comunicação, na Universidade de Coimbra. Apaixonado por futebol desde tenra idade, procura conciliar o melhor dos dois mundos: a escrita e o desporto.                                                                                                                                                 O Miguel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

José Pedro treinador da seleção de Timor-Leste: «Há muito para estruturar e organizar»

José Pedro lidera a seleção de Timor-Leste desde agosto de 2025. O técnico trabalha na estruturação do futebol nacional, numa realidade onde as condições de trabalho divergem bastante dos padrões competitivos atuais.

Estreia de Reinaldo Ventura: eis os convocados da Seleção Nacional de Hóquei em Patins para a Taça das Nações

Reinaldo Ventura fez a sua primeira convocatória como selecionador nacional. O treinador português promoveu quatro alterações em relação à ultima lista.

Segurança em sintonia: Braga e PSP reforçam cooperação e «objetivos comuns»

PSP e Braga deixaram para trás a polémica no dérbi frente ao Vitória SC e reforçaram a cooperação para definir estratégia de segurança para os próximos jogos.

Francisco Neto: «Sabemos que já estivemos no Mundial e sabemos que somos capazes de repetir»

Francisco Neto e Dolores Silva fizeram a antevisão do jogo frente à Finlândia. O selecionador relembrou a vontade de quererem jogar o Mundial do Brasil.

PUB

Mais Artigos Populares

Alarmes ligados na Luz: Fredrik Aursnes sai de campo lesionado e está em dúvida para o Benfica x FC Porto

Fredrik Aursnes saiu lesionado do Gil Vicente x Benfica. Médio norueguês deixou o relvado na segunda parte com queixas físicas.

Andreas Schjelderup admite preferência no Bodo/Glimt x Sporting da Champions League: «Vou apoiá-los»

Andreas Schjelderup analisou o Gil Vicente x Benfica. Extremo falou nos oitavos de final da Champions League entre Bodo/Glimt e Sporting.

César Peixoto: «Jogámos de igual para igual com o Benfica, que temporizou porque estávamos a jogar bem. O futebol não foi justo connosco»

César Peixoto analisou o desfecho do duelo da 24.ª jornada da Primeira Liga. O Gil Vicente recebeu o Benfica no Estádio Cidade de Barcelos.