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Portugal teve este fim-de-semana mais uma demonstração da qualidade que existe na formação. Em Viana do Castelo, os jovens comandados por Luís Sénica fizeram o pleno, ao vencerem os três jogos da Taça Latina.

Mas primeiro vamos falar do troféu em si. A Taça Latina é uma prova disputada entre Portugal, Espanha, Itália e França, as quatro melhores selecções de hóquei na Europa. É um torneio que ocorre de dois em dois anos (intervala com o Torneio de Montreux) e o escalão que participa é o sub-23.

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Para este ano, as quatro selecções poderiam ser divididas em dois grupos. Itália e França vinham com o objectivo de ambientar os seus jogadores aos grandes palcos. A pretensão destas selecções era fazer com que os jogadores ganhassem experiência para provas futuras. A Itália trouxe uma selecção mais jovem e sem os habituais titulares, pois a Taça Latina ocorre ao mesmo tempo que a fase decisiva do campeonato italiano.

Portugal e Espanha partiam mais à frente. Os dois conjuntos tinham o objectivo real de ganhar a Taça. Tanto portugueses como espanhóis têm planteis recheados de grandes valores que já se afirmaram nas suas equipas. Em Portugal, a formação é cada vez mais uma aposta dos clubes, quer seja por causa da crise ou por vontade dos clubes, o que faz com que cada vez mais jovens tenham as portas abertas para as equipas principais. E esses mesmos jovens têm agarrado a oportunidade. Hélder Nunes (FC Porto) André Pimenta (Sporting) Gustavo Lima (Juventude de Viana) ou Rodolfo Sobral (HC Braga) são exemplos de jovens que neste momento são peças fundamentais nas suas equipas. Em Espanha o cenário é o mesmo.

No primeiro dia, Espanha e Portugal começaram com o pé direito. Os espanhóis venceram a França por 4-1, com destaque para Joan Salvat, que fez um hat-trick. Logo a seguir Portugal venceu a Itália por 3-1. Não foi um jogo fácil, pois os italianos demonstraram uma boa organização defensiva e conseguiram empatar o jogo. Portugal não tremeu e no minuto a seguir voltou para a frente do marcador. A Itália apostou na meia distância e tinha em Giulio Cocco o homem que carregava a selecção transalpina às costas. Mesmo assim, os portugueses foram sempre mais perigosos e João Souto acabou com as dúvidas ao fazer o 3-1.

No segundo, Portugal e Espanha voltaram a vencer. Os espanhóis derrotaram a Itália por 6-1, mas ainda sofreram, ao verem os transalpinos falharem dois penalties e um livre directo. A Espanha acabaria por tomar conta da partida e vencer.

Portugal não teve dificuldades para vencer a França. Hélder Nunes deu o mote e Portugal goleou os franceses por 11-3. Ao intervalo venciam por 3-0 e 5 minutos depois do inicio da segunda parte já vencia por 6-1. O guarda-redes Pedro Costa foi também figura no jogo, travando as ofensivas francesas, mas Portugal foi mais organizado e eficaz e chegou aos 11 golos.

Portugal festeja a conquista Fonte: Facebook de CERH - Comité Européen de Rink-Hockey
Portugal festeja a conquista
Fonte: Facebook de CERH – Comité Européen de Rink-Hockey

Para o último dia estava reservado o melhor. Portugal e Espanha, ambas só com vitórias, disputavam a Taça entre si. Aos portugueses bastava um empate, pois tinham mais golos marcados. E, tal como esperado, as duas equipas deram um bom espectáculo. Numa primeira parte sem golos, os jogadores lusitanos mostraram uma boa organização defensiva e acabaram por cima, mas na baliza espanhola estava um jovem de grande valor chamado Elagi Deitg, que defendeu tudo. Elahi Deitg voltaria a ser a figura na segunda parte, ao defender vários livres directos. A Espanha entraria a ganhar na segunda parte, mas isso apenas serviu para os jovens portugueses se galvanizarem e conseguirem dar a volta ao marcador. Em vantagem numérica, fruto da expulsão de Pau Bargalló, Portugal tinha tudo para sair vencedor. Aproveitando o tudo por tudo da Espanha, os portugueses souberam aproveitar as suas saídas para o ataque e fizeram o 3-1, por João Souto. Os nuestros hermanos arriscaram tudo mas tiveram na baliza outro grande valor português. Pedro Costa parou quase tudo, menos um tiro de Àlex Rodriguez, e foi importante na manutenção do resultado, tendo mesmo defendido um livre directo que daria o empate. No outro jogo, a França venceu a Itália por 7-2 e acabou em 3º lugar.

Uma vitória justa para Portugal e, mais do que isso, uma demonstração de qualidade por parte destes jovens. O futuro da selecção está assegurado e o presente dos clubes também. Há grandes valores na formação e é hora dos clubes apostarem cada vez mais nela.