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O Pavilhão João Rocha foi o palco da competição que hoje findou e a derradeira partida marcou um encontro que se tem tornado habitual no que toca a decisões no hóquei em patins: um sempre escaldante e disputado clássico entre o FC Porto-Sporting CP. Dragões e leões, ambos esfomeados para a nova época, já se fitaram olhos nos olhos na última final da Liga Europeia – a qual foi vencida pelo Sporting – e também na última Elite Cup – esta levantada pela equipa portista.

Ambas as formações chegaram, sem surpresa, à final da Taça Continental depois de arrasar os seus respetivos adversários nas meias-finais: o Lleida foi derrotado pelo FC Porto por 8-2 e o Hockey Sarzana perdeu por 7-0 frente ao Sporting. Desta forma, o bem composto rinque lisboeta vestiu-se de gala para receber duas das melhores equipas do mundo nesta modalidade, orientadas por dois treinadores que se conhecem e respeitam mutuamente. Sendo assim, nada melhor do que uma final europeia, logo a abrir a época, para afiar as garras e aguçar o apetite destas duas vorazes equipas sobre rodas, mas também para preparar os corações dos apaixonados por este desporto eletrizante.

Do lado portista, Guillem Cabestany optava por manter unicamente no cinco inicial o reforço francês di Benedetto e o guardião Xavi Malián. Já Paulo Freitas, o técnico leonino, colocava o ex-dragão Telmo Pinto e Gonzalo Romero mais recuados e a dupla espanhola, feita por Pedro Gil e Toni Pérez, jogava mais à frente. Unidades como Ferran Font, Reinaldo Garcia, Raul Marín e Gonçalo Alves, iniciaram a final sentados no banco, um claro sinal da riqueza absoluta de ambos os plantéis.

Durante os primeiros cinco minutos, as duas formações tentavam alongar as suas posses e construir com mais paciência e o primeiro acontecimento digno de registo foi o cartão azul para Cocco. Na sequência, o especialista catalão Ferran Font não foi capaz de desfeitear o seu compatriota Xavi Malián, que travou com imponência o livre favorável aos leões. Consequentemente, a equipa portista ficou reduzida a quatro unidades e o Sporting cercava a área de Xavi Malián, que começava a mostrar-se, segurando o empate com um par de boas defesas. Na resposta, Rafa ensaiou uma jogada a solo, mas o melhor que conseguiu foi atirar ao lado da baliza verde e branca.

O ritmo da partida ia subindo e a bola e os jogadores deslocavam-se mais rapidamente pelo rinque leonino. O que subia também era a “temperatura” no terreno de jogo e as faltas e picardias começavam a suceder-se, não fosse este um clássico do nosso hóquei em patins. O equilíbrio de forças era notório, mas à passagem do minuto 10’, o Sporting colocava-se em vantagem no marcador. Numa jogada repentina, Romero arrancou, imparável, antes do meio campo e só parou quando enfiou a bola rasteira na baliza de Malián.

Faltavam dez minutos para o fim da primeira parte, e surgiram duas oportunidades claríssimas para cada lado, porém ambas acabaram com os guarda-redes como protagonistas. Instantes depois, mais um cartão azul para os dragões, desta vez para Gonçalo Alves. Agora, o encarregado de bater o livre correspondente era Raul Marín, que teve a mesma sorte que o seu antecessor: Malián voltou a brilhar, travando o remate do espanhol. No seguimento, o FC Porto voltava a ficar em inferioridade numérica e era o guarda-redes espanhol que, por várias vezes, não permitia o avolumar do resultado, que se mantinha em 1-0 para os leões.

Os cinco minutos finais da primeira parte trouxeram mais ação e incerteza no marcador. Primeiro, mais um cartão azul, agora para Matías Platero e na cobrança do livre, o gigante francês di Benedetto moveu Girão de um lado ao outro e desferiu a stickada final, empatando o jogo. De seguida, o mesmo Benedetto colocou Girão outra vez à prova, desta vez de longe, mas com resposta afirmativa do internacional português.
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No entanto, quando o Porto parecia crescer, Gonzalo Romero não pensou duas vezes e disparou com estrondo para o fundo das redes azuis e brancas. Uma autêntica bomba do internacional argentino do Sporting. De seguida, Malián disse presente mais uma vez e mostrava-se cada vez mais decisivo. Ainda antes do intervalo, Benedetto dispôs de mais um livre para empatar a final, mas Girão defendeu. O lance foi repetido e o guarda-redes campeão do mundo voltou a defender,

Chegava ao fim uma primeira parte com várias paragens, mas em crescendo, onde as defesas se sobrepunham aos ataques. O equilíbrio foi a norma inicial, mas a sucessão de cartões azuis e os momentos de jogo em inferioridade numérica, sobretudo do FC Porto, ajudaram a que o Sporting criasse mais perigo, conseguindo ainda materializar essa superioridade no marcador.
Paulo Freitas continua a amealhar troféus, desta vez o único que faltava ao museu leonino
Fonte: Sporting CP
O FC Porto, em desvantagem no marcador, entrou melhor na segunda parte e alvejou por duas vezes a baliza de Girão. Ainda nessa toada, o Sporting chegou à sua 15ª falta e Cocco não vacilou na cobrança: foi paciente e bateu Girão com qualidade. Dois golos de bola parada para o FC Porto e o resultado fixava-se em 2-2.

O jogo estava muito disputado, quezilento até, e os artistas teimavam em não aparecer – ambas as equipas ainda procuram a sua melhor versão para esta nova época. O número de faltas era elevado e as sempre entusiasmantes e velozes transições sobre rodas não surgiam. Entretanto, a equipa azul e branca atingiu a décima falta, o que deu a oportunidade a Pedro Gil de colocar a turma de Alvalade de novo na frente do resultado. O espanhol de 39 anos não atirou sequer enquadrado e os leões continuavam a perdoar nestes lances soberanos de bola parada, ao invés dos dragões.

Dez minutos decorridos na segunda parte e, devido a uma segunda simulação, Reinaldo Garcia deixou os dragões em inferioridade numérica mais uma vez. Por três vezes nesta situação, o Sporting não conseguia deslindar um caminho para a baliza portista, sobretudo graças a Malián, que neste período voltou a destacar-se acima de todos. Do lado dos leões, Romero parecia omnipresente e era o homem mais inconformado, em duelos constantes com o guardião adversário, mas também muito forte nos duelos defensivos.

O jogo precipitava-se para o fim e a igualdade não se desfazia. Ainda assim, nos últimos dez minutos, o ritmo subiu substancialmente e a incerteza crescia no Pavilhão João Rocha. Faltavam cerca de seis minutos para o fim e o Sporting acumulava a sua 20ª (!) falta. Desta feita, Girão levou a melhor sobre Cocco e mantinha vivo o sonho leonino de conquistar a Taça Continental pela primeira vez. A decisão ia sendo adiada, até que a menos de dois minutos do fim, Sergi Miras viu o cartão azul. Raul Marín tinha, no stick, a chance de oferecer o troféu europeu que falta no museu leonino. O espanhol partiu, parou frente a Malián e colocou-lhe a bola por cima, fazendo com o pavilhão explodisse em tons de verde e branco.

No tudo por tudo, Cabestany decide lançar um jogador de campo no lugar do guarda-redes e a equipa leonina, debaixo do incentivo dos seus adeptos, defende-se como pode da ofensiva final da equipa portista. Momentos de aflição na área de Girão, mas a Taça Continental ficou mesmo no Pavilhão João Rocha.

O jogo feito por estas duas equipas extremamente competitivas e equivalentes parecia destinado a um empate no tempo regulamentar, mas são os pormenores que, geralmente, decidem as finais. No momento decisivo, Marín teve a calma, a arte e o engenho de bater o instransponível Malián e nada mais houve a fazer para os dragões de Guillem Cabestany. Paulo Freitas e os seus pupilos continuam a fazer aquilo que ainda não tinha sido feito. A competitividade demonstrada é um bom prólogo para o que poderá ser a corrida pelo título no campeonato português, para muitos o melhor campeonato do mundo.

CINCOS INICIAIS

FC Porto: 1 – Xavi Málian (GR); 55 – Sergi Miras; 7 – Cocco, 9 – Rafa, 19 – Bennedeto

Sporting CP: 61 – Ângelo Girão (GR); 5 – Telmo Pinto; 9 – Pedro Gil; 57 – Toni Pérez; 99 – Gonzalo Romero

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