Naquele que foi o principal encontro da 20ª jornada do campeonato nacional de hóquei em patins, o Porto, com uma enorme oportunidade de passar para liderança, não deu qualquer hipótese e venceu o Sporting por 3-1. Desta maneira, a seis rondas do final da competição, os dragões têm três pontos de vantagem para os leões e a Oliveirense.

O clássico arrancou de forma intensa e quase nem eram necessários dez segundos para o marcador mexer. Todavia, Girão, com uma enorme intervenção, impediu o golo de Reinaldo Garcia. Os dragões continuavam por cima e, pouco depois, Rafa e Reinaldo Garcia voltaram a ameaçar, mas o guardião leonino voltou a defender. 

Mais rápidos a colocar o esférico no ataque, os azuis e brancos estavam com sinal mais, mas não conseguiam importunar o guarda-redes da Seleção Nacional, que, com maior ou menor dificuldade, travava as intenções portistas. O Sporting, quando em posse, procurava rupturas ao centro, mas o Porto estava a fechar bem. Assim, Paulo Freitas, que recentemente renovou até 2022, fez entrar o argentino Gonzalo Romero, com o objetivo de apostar mais vezes na meia distância, tendo Toni Pérez e mais tarde Vítor Hugo como opção para a recarga. 

Sempre muito recolhido a nível defensivo, o Sporting começou a dar cada vez menos espaço para chegar à sua baliza, tentando sempre explorar as costas do conjunto de Cabestany em situações de contra-ataque. Isto porque, em situação de posse de bola, raramente era forçada qualquer entrada na teia dos dragões. Sem especialistas na meia distância como Hélder Nunes e Gonçalo Alves em pista, que obrigavam a defesa leonina a esticar-se em pista, a missão portista tornava-se bastante difícil. 

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Quase em cima da marca dos 15 minutos, os leões ficaram muito perto de inaugurar o marcador, mas Nelson Filipe disse “não” a Toni Pérez. Momentos depois, Hélder Nunes sofreu uma falta para grande penalidade, mas a infração foi assinalada fora da área sportinguista. O livre não criou nenhum perigo, mas, no seu seguimento, Rafa ficou perto de concretizar. Volvidos alguns instantes, Rafa enviou o esférico ao poste. Girão estava batido, mas o poste foi seu amigo. 

A cerca de cinco minutos da pausa, o Sporting beneficiou de um lance de contra-ataque, mas Ferran Font, que passou por dois jogadores do Porto e deitou Nelson Filipe, enrolou a bola ao lado do poste esquerdo da baliza azul e branca. 

Mesmo sem um grande fluxo ofensivo, os leões usufruíam da qualidade técnica de cada um dos seus jogadores e foi dessa maneira que Toni Pérez esteve quase a abrir o ativo, mas Nelson Filipe voltou a levar a melhor. 

Com pouco mais de um minuto para se jogar, na sequência de um lance entre Henrique Magalhães e Gonçalo Alves, Reinaldo Garcia e Ferran Font quase levaram o jogo para outro nível de picardias, mas, felizmente, tudo foi rapidamente sanado. 

A faltarem menos de 40 segundos para a buzina, o Sporting quase que foi traído com uma bola vinda atrás da sua baliza, mas Girão negou o golo a Gonçalo Alves. Pouco depois, numa situação semelhante, o número 77 do Porto voltou a ver Girão a fechar-lhe a porta da baliza leonina e a manter o 0-0 na ida para as cabines. 

Terminada a primeira parte, o marcador continuava a indicar um empate sem golos entre Porto e Sporting. Num jogo sempre muito equilibrado, os dragões foram sempre a equipa mais próxima a marcar, mas Girão, fazendo jus à alcunha de muro, foi mantendo a igualdade com algumas intervenções de alto calibre. A jogar dentro do seu estilo habitual, o Sporting procurava responder em transições rápidas, mas Nelson Filipe demonstrou o porquê de ser um dos melhores guarda-redes portugueses e preservou as suas redes.

Gonçalo Alves foi um dos principais criadores de perigo, mas apenas conseguiu marcar através de grande penalidade
Fonte: FC Porto Sports

A segunda metade não trouxe grandes novidades ao jogo, sendo que a principal terá sido a estreia de Raul Marín no clássico, com o Porto a ser a equipa que mais demonstrava querer chegar ao golo. Nos cinco minutos iniciais, os leões apenas tiveram uma chance para marcar, mas Nelson Filipe, com a cotoveleira direita, defendeu uma boa stickada de Marín. 

Apesar da maior postura defensiva, o Sporting voltou a ser o conjunto que mais perto ficou de marcar, por volta dos 32 minutos, mas Ferran Font não conseguiu dar o melhor seguimento a um passe de Gonzalo Romero. Momentos depois, Font teve espaço para stickar à baliza, mas o remate rasteiro passou ao lado da baliza portista.

Perto da marca dos 33 minutos do encontro, Rafa cometeu a 10ª falta dos dragões. Ferran Font, especialista neste tipo de lances, foi o escolhido para a conversão do livre-direto. Tentou fazer um bonito, mas Nelson Filipe fez uso da sua estatura física e defendeu a picadinha do espanhol com o ombro direito. 

Disputados cerca de 35 minutos, Pedro Gil fez falta sobre Rafa para grande penalidade. Gonçalo Alves assumiu a marcação do pénalti, mas acabou por stickar ao poste direito. Instantes depois, o número 77 dos azuis e brancos voltou a obrigar Girão a brilhar, mas, a dois tempos, voltou a negar o golo ao internacional português. Passados alguns minutos, situação de contra-ataque de dois para um a favor do Porto e Gonçalo Alves acabou por ser derrubado no interior da área leonina por Pedro Gil. O próprio Gonçalo Alves regressou à marca da grande penalidade e, com uma stickada rasteira ao centro da baliza, fez o 1-0.

Como um mal nunca vem só, segundos depois do golo de grande penalidade, Vítor Hugo cometeu a 10ª falta verde e branca. Hélder Nunes teve uma enorme oportunidade para avolumar a vantagem portista, mas, apesar da boa execução, enviou o esférico à barra.

A perder e com a liderança do campeonato em jogo, o Sporting procurou mudar o chip, mas não estava a ser fácil, pois, tal como os leões, o Porto fechava bem os caminhos para a sua baliza, dificultando a possibilidade de o conjunto sportinguista incomodar Nelson Filipe. Romero e a sua meia distância, assim como a virtuosidade e imprevisibilidade de Pedro Gil, estavam a ser os principais argumentos do Sporting, mas faltava algo mais.

Mais preocupado em atacar e menos focado em defender, uma recuperação de Hélder Nunes resultou numa transição rápida de três para dois a favor do Porto que Poka, que aparentou ter falhado a stickada, concluiu aumentado a vantagem portista para 2-0. Segundos depois, o Porto cometeu a sua 15ª falta. Ferran Font voltou a ser o escolhido para tentar converter o livre-direto em golo, mas Nelson Filipe voltou a brilhar e a impedir o tento do espanhol. Volvidos alguns instantes, Font viu um cartão azul por ter voltado a simular uma falta. No respetivo livre-direto, Hélder Nunes tentou uma picadinha, mas Girão não foi na conversa do capitão azul e branco e fechou as portas da sua baliza. No desenrolar do jogo, Gonzalo Romero abriu o livro e deixou o esférico em Matías Platero que, apenas com Nelson Filipe pela frente, reduziu a desvantagem do Sporting para 2-1. 

Em situação de superioridade numérica devido ao azul visto por Font, os dragões quase não conseguiram ter o esférico em sua posse, não tendo conseguido aproveitar o powerplay.

O fim da partida estava cada vez mais próximo e o Sporting carregava na tentativa de chegar à igualdade. Porém, com maior ou menor confusão, o Porto cerrava os caminhos para as suas redes, sendo que, muitas vezes, os jogadores deram o peito, pernas e braços às balas leoninas. 

Já dentro do último minuto, a cerca de 38 segundos de terminar o clássico, Gonzalo Romero cometeu a 15ª falta do Sporting devido a uma infração sobre Telmo Pinto. Desta feita Hélder Nunes stickou direto, mas Girão, com alguma sorte no ressalto, voltou a dizer não ao número 78 dos portistas. 

Sem nada a perder, Paulo Freitas arriscou tudo e retirou Girão de pista para colocar mais um jogador de campo. Pedro Gil ainda tentou incomodar Nelson Filipe, mas, segundos depois, Reinaldo Garcia recuperou o esférico e, com a baliza totalmente deserta, não desperdiçou e fixou o resultado final em 3-1 a favor dos dragões. 

Finalizado o encontro, o Porto venceu Sporting por 3-1 e ascendeu ao topo da tabela classificativa. Vitória justa da equipa que mais procurou alcançar os três pontos e que produziu mais a nível ofensivo, “obrigando” Girão a realizar uma nova grande exibição. Os leões, a quem um empate garantia o primeiro lugar, optaram sempre por uma postura mais defensiva e, quando foi necessário alterar a forma de jogar para conseguir um resultado positivo, já não foram a tempo de inverter a desvantagem. As bolas paradas poderiam ter dado um outro colorido ou, quiçá, um desfecho à partida, mas somente o Porto conseguiu converter um dos inúmeros lances de bola parada assinalados.

Assim, o Porto sobe ao topo da classificação, passando a somar 49 pontos, mais três que o Sporting e a Oliveirense, que esta tarde recebeu e venceu o HC Braga por 3-2.

Na luta pelo último lugar de acesso à Liga Europeia, o Benfica ganhou vantagem, pois, em casa emprestada (o jogo teve de se realizar em Alverca devido à interdição da Luz), derrotou o OC Barcelos por 4-3. Desta forma, os encarnados passam a somar 41 pontos, mais seis do que os minhotos.

EQUIPAS

FC Porto: 10-Nelson Filipe (GR), 9-Rafa, 57-Reinaldo Garcia, 77-Gonçalo Alves e 78-Hélder Nunes (CAP.); Jogaram ainda: 5-Telmo Pinto, 7-Giulio Cocco e 18-Poka.

Sporting CP: 61-Ângelo Girão (GR), 4-Ferran Font, 17-Matías Platero, 57-Toni Pérez e 88-Henrique Magalhães; Jogaram ainda: 9-Pedro Gil, 27-Raul Marín, 30-Vítor Hugo e 99-Gonzalo Romero.