O Hóquei em Patins vive uma bipolarização ibérica há muitos anos. Portugal e Espanha venceram 30 das 32 edições do Campeonato Europeu, desde que se separou do torneio Mundial.

No Mundial só a Argentina por quatro e a Itália por duas conseguiram ganhar para além das seleções dos países da Península Ibérica em 33 edições desde a separação de competições. Assim, mais de 80% dos torneios foram ganhos por Portugal e Espanha.

Já quanto à mais importante competição europeia de clubes, a Liga Europeia, o cenário não é muito diferente. Desde a época 1996/97, na qual a Taça dos Campeões Europeus se fundiu com a Taça das Taças para formar a Liga dos Campeões Europeus (antiga designação da Liga Europeia), apenas o Follonica de Itália em 2006 se intrometeu no domínio ibérico da competição mais importante de clubes na Europa.

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Mesmo com o alargamento da fase de grupos do torneio de oito para 16 equipas em 2008/09, todos os finalistas foram clubes portugueses e espanhóis, com os nuestros hermanos a vencer oito das 11 edições.

Já na segunda competição europeia mais importante de Hóquei em Patins, a Taça World Skate Europe de 2019–20 (anteriormente denominada Taça CERS), apenas a Itália equilibra um pouco as contas. Os transalpinos contam com cinco equipas finalistas no atual formato de final four, que conta com 12 edições, uma das quais vencedora, o Hockey Bassano, em 2011/12.

O Hockey Bassano foi a última equipa sem ser ibérica a ganhar a Taça CERS
Fonte: Hockey Bassano

Será esta bipolarização positiva para o desenvolvimento da modalidade? Por que razões os países europeus fora Portugal, Espanha e Itália não se intrometem nas principais competições de clubes e seleções? Falta de divulgação da modalidade por parte das federações aos mais jovens ou falta de investimento financeiro?

A separação atual do mundial numa divisão A e B não poderá agravar o desequilíbrio entre as seleções mais fracas e mais fortes por não se defrontarem entre si oficialmente?

Veremos como evolui o Hóquei em Patins a nível europeu e financeiro nos próximos anos, mas, a não ser que hajam alterações de fundo, o domínio ibérico deverá continuar…

Foto de Capa: Federação de Patinagem de Portugal

Artigo revisto por Diogo Teixeira