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SL Benfica 4-7 Sporting CP: Leões vencem na luz e ficam a uma vitória do título

Diogo Nunes · 13 min

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Naquele que foi um dos principais encontros da 24ª jornada do campeonato nacional de hóquei em patins, o Benfica recebeu o Sporting e caso vencesse, ficava com o caminho aberto para o título. No entanto, os leões realizaram uma grande exibição, tendo sido melhores que as águias durante grande parte dos cinquenta minutos de jogo, alcançando uma vitória histórica por 7-4. Resultado que deixa o conjunto leonino a um triunfo do título.

A partida teve um inicio dinâmico, mas com os dois conjuntos a jogar de forma diferente. O Benfica a procurar chegar rapidamente ao golo, enquanto que o Sporting tentava fazer uso ao máximo dos quarenta e cinco segundos de ataque.

Com os encarnados a querer marcar cedo, eram vários os espaços nas suas costas. Algo que o Sporting procurava aproveitar. No entanto, acabou por ser numa situação de posse de bola que os verde e brancos inauguraram o marcador. Caio, à entrada da área do basquete, enrolou o esférico, que pareceu ainda ter sido desviado por alguem, fazendo o 1-0.

Em desvantagem no marcador, o Benfica respondeu, mas nem Diogo Rafael ou Nicolia conseguiram bater Girão. A ânsia em chegar à baliza adversária era tanta que Valter Neves e Pedro Henriques iam passando calafrios, mas o guardião das águias não permitia novas mexidas no score. Através de uma iniciativa individual de Jordi Adroher, Vítor Hugo cortou a bola, deliberadamente, com o patim dentro da sua área, fazendo o Benfica beneficiar de uma grande penalidade. João Rodrigues não acertou bem na bola e Girão defendeu sem grandes dificuldades.

Na frente e sem precisar de arriscar, o Sporting circulava a bola, fazendo uso do tempo de ataque, não atacando a baliza das águias. Apenas o fazia em situações favoráveis. Por seu lado, o Benfica não conseguia criar grandes chances de golo, muito devido a algum individualismo de Nicolia, que tentava fazer tudo e acaba por não conseguir fazer nada.

Já com menos de dez minutos para o intervalo e a segundos do final de um tempo de ataque, Matías Platero stickou da zona da linha de meio campo e João Pinto fez o desvio que colocou o Sporting na frente por 2-0. Pouco depois, foi Ferran Font a ficar perto de marcar, mas a bola enrolada pelo espanhol passou por cima da baliza benfiquista.

A faltarem menos de cinco minutos para a pausa e em virtude de uma perda de bola dos leões, o Benfica ficou perto do golo por intermédio de João Rodrigues e Miguel Rocha. Porém, Girão voltou a levar a melhor. Logo a seguir, foi a fez de Pedro Gil ter sido impedido de marcar por Pedro Henriques, mas alguns momentos depois, Ferran Font rompeu por entre a defensiva encarnada e fez o 3-0. 

Sem conseguir responder de forma contundente, os melhores lances que o Benfica conseguiu criar antes do intervalo foi uma stickada de meia distancia de Diogo Rafael, que embateu em cheio no poste esquerdo da baliza de Girão e um lance de ressalto, já nos últimos segundos, que foi defendido por Girão.

Terminada a primeira parte, o Sporting vencia, de forma clara, o Benfica por três golos sem resposta. A jogar com o pragmatismo habitual, os leões defenderam de forma sólida e aproveitaram as poucas ocasiões de que dispuseram para ir aumentando a diferença no marcador. Tal como ocorrido uma semana antes, no clássico no dragão-caixa, os encarnados realizaram uma primeira parte muito má. Era necessário dar muito mais.

Adroher converte o livre-direto que restabelecia a igualdade
Fonte: Carlos Silva

O retomar do encontro não trouxe grandes novidades ao que se passava em rinque e até foi o Sporting a ser a primeira equipa a ficar perto de marcar. Num lance onde o ressalto lhe foi favorável, Pedro Henriques quase foi enganado.

Disputados cerca de três minutos e meio do segundo tempo, numa jogada de insistência, Jordi Adroher disse sim a um passe de Diogo Rafael e à meia volta, reduziu o marcador para 3-1. De seguida, o Benfica ficou a milímetros de marcar, mas desta feita, a bola passou por cima da baliza leonina. Pouco depois, num lance entre os intervenientes do tento benfiquista, Diogo Rafael viu o golo ser-lhe negado pela luva esquerda de Girão. 

O Benfica continuava a carregar e através de uma recuperação de bola de Nicolia junto à linha de meio campo, o argentino viu Adroher solto, colocou-lhe o esférico e o espanhol não falhou, reduzindo o resultado para 3-2. Pouco depois, os encarnados estiveram perto da igualdade em dois lances, mas a defensiva sportinguista esteve melhor e impediu o terceiro golo das águias. Logo a seguir, Nicolia disparou um “míssil” que apenas foi travado pela barra da baliza de Girão. O ímpeto mantinha-se e de forma a impedir uma saída de Valter Neves para o ataque, Vítor Hugo fez um enganchamento desnecessário sobre o capitão encarnado. Adroher, chamado à responsabilidade, esteve quase a perder o controlo de bola, mas conseguiu marcar e restabelecer o empate no jogo. 

Ainda dentro do clima de festa pela reposição da igualdade, o conjunto benfiquista cometeu a sua 10ª falta. Ferran Font tinha uma oportunidade de ouro de voltar a colocar o Sporting na frente e com uma excelente “picadinha” não desperdiçou o livre-direto e fez o 4-3. Nos instantes seguintes, contra-ataque de dois para um a favor do Sporting e Pedro Henriques, com uma enorme intervenção, negou o golo a Pedro Gil.

O quarto golo dos leões acalmou, um pouco, o que se passava dentro de pista, com o Sporting a conseguir ter mais bola do que nos dez primeiros minutos da segunda parte. Recuperada a forma de jogar apresentada durante o primeiro tempo, João Pinto pegou no esférico e de forma paciente, trocou as voltas a Vieirinha e serviu Henrique Magalhães que, solto no interior da área encarnada, fez o 5-3.

Com pouco mais de sete minutos para se jogar, João Pinto, novamente ele, arriscou uma iniciativa individual e “arrancou” uma grande penalidade. Caio, com hipótese de recolocar a vantagem de três golos no marcador a favor dos leões, não falhou e apontou o 6-3.

A necessitar de vencer para depender apenas de si próprio para conquistar o título, o Benfica procurava a baliza de Girão, mas não conseguia criar lances de perigo. O Sporting, por seu lado, dispunha de muito espaço nas costas da defesa dos encarnados, ia tendo várias chances de golo, mas por um motivo ou outro, não conseguia “matar” a partida.

A cerca de três minutos de meio do fim, Nicolia “sacou” uma grande penalidade a favor do Benfica. O próprio assumiu a marcação do penalti e não falhou, reduzindo o marcador para 4-3. Reavivando as poucas esperanças das águias em virar o jogo ou, na pior das hipóteses, voltar a empatar o mesmo. Volvido um minuto, Nicolia “arrancou” a 10ª falta leonina. Adroher voltou a ser o escolhido para a marcação do livre-direto, tentou executar uma “picadinha”, mas Girão defendeu. 

Ainda antes do fim do jogo, quando o Benfica já só atacava, Pedro Gil, depois de desperdiçar imensas oportunidades, marcou e fixou o marcador final em 7-4 a favor do Sporting.

Vitória história e mais do que justa do Sporting que, pela primeira vez desde que regressou ao ativo, venceu o Benfica, ainda para mais, em pleno pavilhão fidelidade. Os leões venceram bem e conquistaram três pontos que não merecem qualquer tipo de contestação, pois, apenas durante dez minutos não foram superiores aos encarnados. De resto, os verde e brancos estiveram bem a defender, sabendo sofrer em algumas situações, assim como a atacar, voltando a demonstrar um índice de aproveitamento ofensivo muito alto, quando comparados os golos e o número de remates.

Com esta vitória, o Sporting mantém a liderança do campeonato, agora com 65 pontos, mais um que o Porto, que esta tarde recebeu e venceu a Oliveirense por 4-1, que soma 64. Em terceiro, o Benfica permanece com os 61 pontos com que entrou para esta jornada. 

Na próxima semana, o Sporting pode, em caso de vitória, conquistar o seu 8º campeonato, o primeiro desde a temporada de 1987/1988. Pela frente terá o Porto que, para se manter na luta pelo bicampeonato, terá de vencer ou pelo menos não perder no João Rocha.

SL Benfica

Cinco Inicial: 1-Pedro Henriques (GR), 2-Valter Neves (CAP.), 4-Diogo Rafael, 5-Carlos Nicolia e 7-Jordi Adroher

Jogaram ainda: 9-João Rodrigues, 44-Miguel Rocha e 74-Vieirinha

Banco: 10-Guillem Trabal (GR) e 3-Hugo Santos

Sporting CP

Cinco Inicial: 61-Ângelo Girão (GR), 8-Caio, 17-Matías Platero, 30-Vítor Hugo e 88-Henrique Magalhães

Jogaram ainda: 4-Ferran Font, 9-Pedro Gil e 17-João Pinto (CAP.)

Banco: 1-Zé Diogo Macedo (GR) e 57-Toni Pérez

A FIGURA:

Fonte: Carlos Silva

Ângelo Girão – Que grande muro. Teve muita ajuda dos seus colegas de equipa, mas sempre que necessário lá estava ele. Apenas falhou após o final do jogo, devido a algumas atitudes desnecessárias.

O FORA-DE-JOGO:

Fonte: Carlos Silva

Diogo Rafael – Não esteve em jogo. Muito má exibição do número quatro benfiquista. Esperava-se mais, ainda por cima, num jogo desta magnitude.

CONFERÊNCIA BnR

SL Benfica

BnR-Falou sobre a questão do sorteio condicionado. Esta semana surgiu uma noticia onde era indicado que a FPP estaria a pensar alterar o modelo do campeonato para duas fases regulares. Qual é a sua opinião sobre esse modelo? Seria mais ou menos benéfico para o hóquei em patins?

Pedro Nunes- Tudo o que seja para o bem do hóquei em patins tem a minha assinatura e aprovação. Primeira questão, o Benfica sempre foi contra segundas fases e playoffs, que isso fique bem claro. Das duas hipóteses, o Benfica escolher o mal menor, a segunda fase. A única coisa que aponto é que são mais quatorze jogos. O que vai retirar força em termos internacionais às equipas portuguesas, não tenho duvida disso. Se esse modelo for colocado em prática na próxima época, temo que, em termos de seleção nacional para os Roller Games de Barcelona, os jogadores portugueses cheguem mais massacrados dos que todos os outros jogadores das restantes seleções. Além disso, em forma de crítica construtiva, não é a meio de maio que se informa os clubes que vai ser feita uma alteração no quadro competitivo, porque, provavelmente, os clubes teriam de repensar a formulação dos seus planteis, pois, acredito que com mais quatorze jogos a este nível, que o será, se calhar, dez atletas vão ser poucos.

Outras declarações

 “Vencedor justo. Dou os parabéns ao Sporting, pois, foi melhor que o Benfica durante a maior parte do jogo. As duas equipas entraram com estratégias bem definidas, com a do Sporting a surtir mais efeito durante os primeiros vinte cinco minutos. Posse de bola alargada, ataque a rondar os quarenta e cinco segundos. Os dois primeiros golos são desvios. Golos que traíram uma equipa que, até então, estava a defender e o guarda-redes não estava a ter muito trabalho.

O Benfica esteve muito nervoso, não soube ser reativo positivamente. Reagiu com muita crença, muita vontade, mas não conseguia organizar o seu ataque sem se expor, demasiadas vezes, ás transições ofensivas do adversário. O resultado ao intervalo, na minha perspetiva, era demasiado penalizador, mas o Sporting esteve melhor. 

Na segunda parte, o Benfica esteve mais próximo daquilo que tem sido habitual. Um Benfica reativo, enérgico, com muita vontade e muita crença. Fez o mais difícil, que era chegar ao 3-3 e aqui o jogo, talvez, pedisse outro tipo de abordagem no processo defensivo, mas, sobretudo, na questão individual com e sem bola. A partir daí, o Sporting voltou ao seu registo inicial e bem. Com a vantagem de um golo, a estratégia inicial poderia voltar a ser colocada em prática e o Benfica lutou muito, chegou muitas vezes à baliza com perigo, mas com pouca lucidez e discernimento.

“A equipa soube reagir. Só que uma coisa é reagir bem e outra coisa é reagir mal. O Benfica, logo após sofrer o 4-3, teve duas bolas de golo dentro da área do Sporting, mas não as conseguiu concretizar. 

Sobre a questão emocional, esta equipa está habituada a jogar nestes ambientes e até hoje nunca tinha falhado. Falhou hoje, porque o Sporting foi melhor e porque eu quero querer que, hoje, houve muita desinspiração coletiva do Benfica.” 

“As contas estão complicadíssimas. Acho que nós temos que ter noção que o Sporting e o Porto, neste momento, são os principais candidatos ao título. Eu acho que, dificilmente, o Benfica chegará ao título. 

Da parte do Benfica há um assumir claro que, não dependendo de nós, não me parece bem, estar a falar do título. É inglório, pois, equipa sofreu, hoje, a primeira derrota no campeonato, quando faltam duas jornadas para o final.”  

Sporting CP

BnR-Esta é uma vitória histórica do Sporting, que já não ganhava ao Benfica, na luz, há imensos anos. Acha que esta vitória consolida, ainda mais, o projeto de candidato ao título do Sporting?

Paulo Freitas- Não faço ideia de há quantos anos o Sporting não ganhava ao Benfica na Luz, nem é importante nesta altura. O importante é dar os parabéns aos jogadores do Sporting que foram fantásticos. Assim como, dar os parabéns aos jogadores do Benfica e ao seu treinador, pois, foram uns dignos vencidos. 

Relativamente ao tempo em que não ganhávamos aqui, sinceramente, não me interessa, nem para nós é importante, porque, tal como eu venho dizendo, nós vivemos o presente e perspetivamos o futuro. Desde o primeiro dia que assumimos que queríamos entrar nos momentos de decisão e é isso que está a acontecer. Hoje não é rigorosamente mais nada para além disso. Nós, hoje, saímos daqui satisfeitos porque este é o dérbi dos dérbis, onde todos gostam de jogar, participam e fundamentalmente de ganhar, mas para nós não altera rigorosamente nada. Este jogo vale na mesma três pontos. Consolida, obviamente, aquilo que tem vindo a ser o nosso discurso, que é um discurso de ambição, mas sabemos que não ganhámos rigorosamente nada, pois, se hoje defrontámos uma grande equipa, no próximo fim de semana vamos encontrar outra grande equipa que temos, claramente, que respeitar, mas que vamos defrontar com a ilusão de conquistar três pontos, tal como fizemos aqui.

Outras declarações

“Acho que fomos mais fortes durante os cinquenta minutos. Entrámos melhor que o Benfica, numa primeira parte muito, muito bem conseguida, em que acabamos por surpreender o Benfica com a estratégia que trouxemos e depois com aquilo que nos carateriza. Uma equipa a saber sofrer e uma equipa a perceber que, do outro lado, estava uma grande equipa com um público entusiasta a apoiá-la e em cima de nós.

Sabíamos que íamos passar por momentos difíceis. Conseguimos aguentá-los e nos momentos certos cavar a diferença que nos poderia, de algum modo, tranquilizar no jogo.

Acho que nos dez primeiros muitos da segunda parte o Benfica acabou por ser mais forte do que nós. Conseguiu concretizar, conseguiu encostar-nos ás cordas naquele momento e acho que, a partir daí, o jogo volta a ser todo da minha equipa e num competo geral, acho que fomos uns justos vencedores”.

“Não. Repare, todos nós fazemos essas contas. Nós sabíamos que se o Benfica ganhasse o jogo, o título estava entregue. De forma alguma quero faltar ao respeito ao Infante Sagres e ao Grândola, mas seria uma evidência. Nós também sabíamos que eramos uma equipa que vinha à procura de conquistar três pontos, mas percebíamos que, se a partir de determinado momento tivéssemos de estancar o jogo e tivéssemos de sair daqui com um ponto, nós sairíamos daqui com um ponto. Isso não significa falta de ambição, mas significa pragmatismo e respeito pelos adversários que estão em competição. Portanto, a única coisa que isto trás são os três pontos confortáveis de uma vitória e a possibilidade de continuar a discutir aquilo que assumimos desde a primeira hora em que nos juntamos para começar a trabalhar nesta época. 

Se me permitem, uma palavra para os vinte heróis que aqui estiveram por parte da minha gente do Sporting e dedicar-lhes esta vitória pelo entusiasmo que trouxeram ao jogo”.

“Não senti nenhuma ansiedade da parte dos jogadores.. Rigorosamente nada. Nem sentia hoje, nem vou sentir durante a semana. Agora, nós somos seres humanos e, por isso, temos sentimentos e eu admito que vá ser uma semana com alguma ansiedade. Tanto para nós, como para o nosso adversário, o Porto, mas o importante é nos atingirmos um grau de maturidade coletivo que nos permita perceber que são situações normais e que estamos preparados para o que aí vem. Portanto, não vejo que se altere rigorosamente nada. Aquilo que nos preocupa neste momento é recuperar os jogadores do desgaste tremendo que aqui tiveram e na segunda-feira voltarmos a trabalhar com a mesma ambição e com o mesmo querer que tivemos até aqui. 

“Eu tenho essa máxima. Eu tenho a máxima que, obviamente, o ataque vai ganhando jogos, mas que uma defesa e coletivo fortes ganham campeonatos. No que nos queremos centrar é, não obstante termos qualidade nas nossas ações atacantes, nos queremos centrar-nos num coletivo muito forte e numa defesa muito forte que nos permita, nesta altura, continuarmos empenhamos em conquistar o título.  

Foto de Capa: Carlos Silva

Diogo Nunes

Redação Bola na Rede · ver artigos