Há uns tempos, disse num artigo que seria impossível estar na cabeça de um atleta olímpico para sabermos qual seria o seu pensamento quanto à realização dos Jogos Olímpicos em tempos de pandemia. O pior é que achei que seria impossível, mas consegui. Aliás, consegui mais do que isso. Consegui compreender aquilo que é o seu dia-a-dia em confinamento e ver, e de algum modo sentir, aquilo que é o seu principal sonho.

A pandemia da COVID-19 parou o Mundo e com ela trouxe também o cancelamento ou adiamento de grande maioria dos eventos, incluindo os Jogos Olímpicos. Tóquio já esperava por atletas, adeptos e jornalistas para mais uma edição dos Jogos, a XXXII edição. Contudo num verdadeiro retrocesso em termos de calendário, a pandemia fechou-nos em casa e aqueles que tinham a sua rotina de alta competição a pandemia deixou-os completamente parados. Numa situação algo invulgar.

Tamila Holub, de 20 anos, era uma das atletas portuguesas já qualificadas para os Jogos que deveriam ser em 2020 e, de um modo geral, já estava de malas feitas. «A minha primeira reação vou ser sincera foi: “por mim, que o Mundo caia abaixo. Quero ir aos Jogos na mesma, não me interessa”», desabafou a jovem atleta. Porém, sabia que a decisão mais acertada, neste momento, seria adiar a edição de 2020 para o ano seguinte.

Tamila Holub é nadadora olímpica e conta já com uma participação no Rio 2016 com apenas 17 anos

A esperança de ainda haver a edição deste ano à porta fechada cedo esfumou-se da cabeça da atleta portuguesa, pois, estava ciente que «os Jogos Olímpicos, para além do Desporto, são um grande mercado, são um show e um espetáculo». E, deste modo, não faria sentido nenhum a realização dos mesmos, visto que as Olimpíadas são feitos dos adeptos e para os adeptos.

Anúncio Publicitário

Assim, sabendo de pronto que estava completamente fora de questão a organização dos Jogos em 2020, o Comité Olímpico Português (COP) depressa procurou ajudar os seus atletas tanto a nível físico como a nível psicológico. Uma componente muito importante, pois, de um momento para o outro, os atletas viram-se parados e confinados dentro de quatro paredes onde, certamente, a motivação não é a mesma e muitos poderiam passar por uma má fase. Algo que o COP não queria que acontecesse.