E ao terceiro dia, Roger Goodell deu por terminada a edição de 2020 do Draft da NFL, sete horas depois de se ter iniciado a última tranche de rondas. Sim, porque no último dia do evento foram anunciadas as últimas quatro (!) rondas, para um total de 149 jogadores selecionados.

O último dia do Draft é o que separa o normal do demente – apenas uma mente insana se sujeitaria a sentar-se em frente a um ecrã durante sete horas para ver nomes aparecer e desaparecer, anotando cada um

No entanto, e tal como a ESPN fez questão de demonstrar através de um gráfico, 65% dos jogadores que fazem parte do plantel de uma equipa são escolhidos depois da terceira escolha – 14% são selecionados na primeira e 21% na segunda – o que significa que é nesta zona que se consegue ganhar uma maior compreensão de como será o plantel de cada equipa.

A quarta ronda teve uma tendência bem demarcada. Com onze offensive linemen escolhidos, fica claro que as equipas optaram por escolher jogadores de “trabalho”, os que “carregam o piano” para que os artistas possam tocar. Estes são os jogadores que estão nas trincheiras, fazendo o trabalho sujo e que muitas vezes passa despercebido.

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Quem decidiu escolher um artista foram os Indianapolis Colts, que com a 122.ª escolha selecionaram Jacob Eason, quarterback de Washington. Um quarterback forte fisicamente e com um forte braço, a sua incapacidade em criar jogadas através do jogo em corrida e falta de experiência foram algumas das razões que fizeram Eason descer tanto. Em Indy vai encontrar Philip Rivers, um veterano que vai ser fundamental para a sua evolução.

Foram várias as equipas que se reforçaram de forma muito competente. Os Green Bay Packers não foram uma delas. Depois de terem surpreendido tudo e todos ao escolherem Jordan Love com a 26.ª escolha da primeira ronda, e apesar de terem cinco escolhas nas últimas três rondas, os Packers foram incapazes de selecionar um único wide receiver naquela que foi a classe mais talentosa na posição dos últimos anos.

Com a recente adição de Tom Brady – para muitos o melhor jogador de sempre – Tampa Bay tinha uma estratégia muito bem definida para este Draft e que fica visível: ajudar Brady de todas as maneiras possíveis. Offensive linemen, tight ends, running backs e wide receivers, os Buccaneers reforçaram-se de forma muito competente para atacarem uma divisão que também tem Matt Ryan e os seus Falcons, e Drew Brees e os Saints.

Em Minnesota, Rick Spielman tinha muito por onde escolher. Com 13 (!) escolhas nas últimas quatro rondas, os Vikings reforçaram a sua linha defensiva e secondary, zonas onde estavam algo fragilizados.

No fim, e porque também merece ser destacado, o último atleta a ser escolhido no Draft, a escolha 255, é “carinhosamente” conhecido como Mr.Irrelevant, e este ano o escolhido foi Tae Crowder, linebacker selecionado pelos New York Giants.

Foram chamados 255 nomes ao longo dos três dias. 255 nomes de entre milhares de jogadores que se declararam como elegíveis. Muitos não conseguiram cumprir o sonho de ouvir o seu nome chamado, mas entram agora na fase de free agency e a possibilidade de entrarem na NFL continua em aberto.

Foto de Capa: Washington Huskies