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Já sem NHL, Pyeongchangh fica sem a Rússia

Tiago Pinto Martins · 6 min

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Esta semana, o Comité Olímpico Internacional (COI) baniu a Rússia dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, como punição pela manipulação de amostras de doping durante os Jogos Olímpicos de Socchi. No entanto, o COI vai permitir a participação dos atletas russos envergando a bandeira olímpica e só depois de satisfazerem uma lista exaustiva de critérios. Esta decisão é inédita e terá repercussões profundas no torneio olímpico de hóquei no gelo.

Primeiro Período: O que sobra depois do afastamento da Rússia?

O torneio masculino já estava muito desfalcado pela ausência dos jogadores da NHL, devido a divergências financeiras entre a liga norte-americana e o COI. Agora pode perder muito mais. Os russos podem formar uma equipa envergando a bandeira olímpica, mas a KHL ameaçou não participar em caso de sanções à Rússia. Tal viria não só a prejudicar a Rússia, como também muitas outras seleções que tem jogadores a atuar na liga russa, como é o caso do Canadá e dos EUA. Com a ausência certa da NHL, a KHL passou a ser a primeira fonte de recrutamento destes países. Seleções como o Canadá, que já tinham um acordo com a KHL, ficam sem saber se podem contar com esses jogadores ou não. É uma indefinição que promete estragar a preparação de muitas equipas.

Isto retira o interesse do torneio olímpico de hóquei no gelo? De certa maneira, sim. A ausência da NHL já tinha retirado muito talento e isso ainda se agravará mais se a KHL não participar. Mas há um lado positivo. Temos sempre o torneio feminino, com a rivalidade entre EUA e Canadá ao rubro, e mesmo o torneio masculino pode beneficiar em termos de emoção, se bem que perde em qualidade. Como as coisas estão, qualquer seleção se pode tornar campeã olímpica. Não há favoritos.

Segundo Período: NHL avança para Seattle.

Seattle será a próxima paragem da NHL. Depois de ter sido anunciado durante a semana que a cidade do estado de Washington irá ter um novo pavilhão, Gary Bettman anunciou que a liga autorizou o Oak View Group a fazer um teste de mercado. O consórcio está autorizado a vender bilhetes de época para determinar a viabilidade de uma equipa de hóquei no gelo na cidade. Foi exatamente assim que começou o processo do nascimento dos Vegas Golden Knights, tal como o próprio Bettman admitiu à imprensa. A diferença em relação aos Golden Knights é o preço. O Oak View Group terá que pagar 600 milhões de dólares pela licença de expansão, 30% mais do que os Golden Knights (500 milhões). No espaço de poucos anos a NHL irá amealhar mais de 1 bilhão de dólares em duas expansões.

Ainda aqui há poucas semanas falávamos de Houston, que assim fica em stand-by. Na verdade, a NHL andava a namorar Seattle há muito tempo, mais cedo até que Las Vegas, mas a cidade não tinha pavilhão, nem donos estabelecidos. Quando isso mudou, a NHL não perdeu tempo e saltou para cima desta oportunidade de equilibrar as conferências (atualmente a Oeste tem uma equipa a menos). Ao lado de Houston na lista espera, continua Quebec City, cidade que espera há anos o regresso dos seus queridos Nordiques. A NHL sempre viu Quebec como uma opção de relocalização. Bettman deixou em aberto a opção de relocalização também para Seattle, mas o cenário ideal é mesmo a expansão, no entanto, dá sempre jeito ter várias opções, ainda mais numa altura em que há tantas franquias com o futuro incerto.

Gary Bettman Fonte: Sportsnet.ca
Gary Bettman
Fonte: Sportsnet.ca

O comissário apenas teve palavras reconfortantes para os Hurricanes, que foram vendidos esta semana. Bettman deixou claro que a saída dos Hurricanes da Carolina do Norte está fora de questão. Quanto às outras, ficou tudo no ar. A NHL continua investida nos Coyotes, os Islanders estão nas mãos das entidades públicas de Nova Iorque e os Senators já se começaram a mexer para pedir novo pavilhão. Nesta altura, tudo corre bem a Bettman. A NHL quebra recordes de lucros e o salary cap poderá chegar aos 80 milhões na próxima época. Com mais esta possível injeção de capital, estes números só podem subir. O mais curioso de tudo isto é o timing. O pavilhão estará construído em 2020, por volta da mesma altura em que o atual CBA chega ao fim. Mesmo com tudo a correr melhor que o previsto, os donos terão a coragem de tirar mais dinheiro aos jogadores?

Terceiro Período: Nada é certo em Ottawa.

Os Ottawa Senators são uma das desilusões da temporada. Depois de terem estado tão perto da final da Stanley Cup na época passada, tendo deixado mesmo a ideia, em alguns jogos, que seriam capazes de eliminar os eventuais campeões, Pittsburgh Penguins, os Senators estão completamente arredados da luta pelos playoffs. A equipa da capital do Canadá vai numa série de quatro derrotas consecutivas e só venceu por uma vez nos últimos 12 jogos. Nove dessas 11 derrotas vieram no tempo regulamentar, o que quer dizer que, nesse espaço de 12 jogos, os Senators só amealharam quatro pontos. Isso deixa-os no penúltimo lugar da Divisão Atlântico, a 10 pontos dos wild cards.

Podemos apontar várias causas para o fraco desempenho dos Sens. O autoritarismo de Guy Boucher, por desgaste natural, já não tem o mesmo efeito que tinha. Erik Karlsson não está ao seu nível e Matt Duchene tem sido uma desilusão, pontuando apenas por quatro vezes (dois golos e duas assistências) em 13 jogos com a camisola dos Sens. Talvez o ano passado tenha sido fogo de vista e a equipa afinal não seja assim tão boa. Todos estes argumentos, uns mais do que outros, têm um fundo de verdade, mas a explicação mais simples para os maus resultados costuma ser sempre a mesma na NHL: o guarda-redes.

Craig Anderson Fonte: NHL
Craig Anderson
Fonte: NHL

Craig Anderson, que escondeu muitas das falhas desta equipa em épocas anteriores, está a passar por uma fase má, não indo além dos 89.5% de defesas. É uma grande queda, tendo em conta que terminou a época passada com 92.6%. Normalmente, isto até seria bom sinal para os Senators, pois estes são números tendem a normalizar, principalmente para um jogador com a carreira de Anderson. Mas há outro número que deverá deixar os adeptos dos Senators mais preocupados: 36, a idade de Anderson. Estar à espera que um guarda-redes de 36 anos melhore, não me parece a receita para o sucesso.

Como se isso não chegasse, os Senators pediram aos seus jogadores para entregarem listas de equipas para onde não querem ser trocados. Ao todo, os Senators têm 10 jogadores com cláusulas deste tipo no seu contrato, incluindo Erik Karlsson. Da última vez que os Sens fizeram um pedido semelhante, desfizeram-se de Mike Fischer, Chris Kelly e Alex Kovalev num curto espaço de tempo. Poderá isto acontecer novamente? Será Erik Karlsson um desses jogadores? Mesmo que não seja, quererá ele ficar em Ottawa se a equipa for desmembrada?

Estrelas da Semana

Primeira Estrela: Anze Kopitar (Los Angeles Kings)

Os Los Angeles Kings estão a subir na Divisão Pacífico depois de terem vencido os últimos oito jogos. Grande parte desse sucesso deve-se às performances de Kopitar. O centro dos Kings quer esquecer a época passada e já leva mais de metade dos pontos que marcou em 2016/17. Esta semana, Kopitar marcou três golos e fez seis assistências em quatro jogos.

Segunda Estrela: Tom Wilson (Washington Capitals)

Ser colocado numa linha com Alex Ovechkin e Nicklas Backstrom faz milagres. Tom Wilson, que tinha oito pontos em 23 jogos antes de ser posto ao lado das duas estrelas dos Caps, tem sete pontos nos últimos três jogos.

Terceira Estrela: Artemi Panarin (Columbus Blue Jackets)

Esta semana, Artemi Panarin fez uma coisa que já ninguém fazia há 22 anos. O russo fez cinco assistências primárias (passe que antecede imediatamente o golo) na vitória por 5-3 sobre os New Jersey Devils. O último jogador a alcançar este feito foi Brian Leetch em 1995. E não foram assistências quaisquer. Cada uma delas é uma amostra da capacidade do playmaker russo.

Tiago Pinto Martins

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