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A NHL comemorou o seu centenário com um jogo ao ar livre entre os Ottawa Senators e os Montreal Canadiens, numa noite frígida na capital do Canadá. O gelo andou no ar, com a temperatura a atingirem os 20º negativos, assim como correu nas veias de Craig Anderson. O guarda-redes registou um shutout na vitória dos Senators por 3-0 e tornou-se apenas no quarto jogador a fazê-lo num jogo ao ar livre. Teria sido um momento bonito, de reconciliação entre adeptos e equipa, no meio de uma época desapontante, isto se Eugene Melnyk não o tivesse estragado.
Primeiro Período: Eugene Melnyk, inimigo público número um.
Já na semana passada tínhamos falado dos Senators, eu sei, mas não há como fugir. Tal como já estabelecemos, os Sens estão longe do sucesso que tiveram na época passada, arrastando-se no penúltimo lugar da Divisão Atlântico, a dez pontos dos wild card. Como se o insucesso desportivo não bastasse, ainda têm de lidar com a perspetiva de perder Erik Karlsson. O que melhor, portanto, do que um jogo a 20º negativos para refrescar as ideias? Eugene Melnyk tinha outras ideias.
O dono dos Senators olhou para este momento, de celebração do centenário da liga, o primeiro jogo ao ar livre organizado pelos Senators, como a altura ideal para ameaçar a massa adepta. Entre outras “postas de pescada”, Melnyk criticou os adeptos por não encherem o pavilhão nos playoffs, deixou claro que o orçamento da equipa irá reduzir ainda mais e, a cereja no topo do bolo, ameaçou mudar a equipa para outra cidade. É preciso ter pouca vergonha para fazer uma destas, ainda mais poucos dias depois de Melnyk ter ficado furioso, alegadamente, com os comentários de Karlsson.

Fonte: Yahoo Sports
Os Senators ganharam, com um shutout de Anderson e um jogo magnífico de Karlsson, mas, graças a Melnyk, não deu para festejar. Durante e após a partida, a hashtag MelnykOut foi uma das mais usadas no Twitter, como forma de protesto às declarações do dono dos Senators. É impressionante que os adeptos ainda tenham força para responder. Vamos recapitular tudo o que aconteceu aos Sens nas últimas semanas, fora o insucesso dentro da pista. Erik Karlsson, o melhor jogador da história dos Senators, indicou que não irá fazer desconto no seu próximo contrato. A equipa reagiu a esses comentários radicalmente, anunciando estar aberta a propostas por todos os seus jogadores, incluindo Karlsson. Matt Duchene está longe de ser o salvador prometido, com apenas cinco pontos em 17 jogos. Kyle Turris, jogador envolvido na troca de Duchene, tem 17 pontos no mesmo número de jogos pelos Preds e afirmou que esteve perto de ficar nos Sens, mas Melnyk impediu as negociações. Como responsta, o general manager, Pierre Dorion, afirmou à imprensa que todas as decisões passam por ele. Agora isto. Ninguém merece, muito menos os adeptos dos Senators.
Segundo Período: O caos na Divisão Metropolitana.
Todas as equipas já passaram a barreira dos 30 jogos disputados e aproximamo-nos a passos largos do ponto médio da temporada, seria de esperar, por isso, alguma estabilidade na tabela classificativa, pelo menos ser óbvia a divisão entre as equipas que lutam pelos playoffs e as que já não vão conseguir lá chegar. A Divisão Metropolitana não concorda. Entre primeiro e último há uma diferença de oito pontos, o que não é nada. Na Divisão Central a diferença é de 12 pontos, 27 na Pacífico e na Atlântico. Os Philadelphia Flyers, últimos na Metropolitana com 35 pontos, estão a apenas quatro do último wild card e têm dois pontos a menos que os Boston Bruins, terceiros da Divisão Atlântica.
Uma coisa que pudemos, desde já, garantir: os dois wild cards vão sair desta Divisão. Aliás, poderá acontecer o que todos temíamos desde a mudança de formato. Neste momento, os Boston Bruins, com 37 pontos, têm um lugar garantido nos playoffs, como terceiro classificado da Divisão Atlântico, quando há uma equipa da Metropolitana de fora com os mesmos pontos, os Penguins, e duas a apenas dois, Hurricanes e Flyers. Isto contribui para o caos, porque ainda ninguém desistiu dos playoffs. Todos julgam ainda ter hipótese e, na verdade, todos ainda têm.
Os surpreendentes New Jersey Devils lideram a divisão, com os mesmos pontos que os Washington Capitals em menos jogos. Apesar de ser uma equipa mais bem-sucedida nos últimos anos, não deixa der também uma surpresa termos os Capitals a lutar pelo título. Seria de esperar uma época mais fraca, depois da equipa ter perdido jogadores importantes na off-season, mas não. Não começaram da melhor maneira, com sete derrotas em 12 jogos em Outubro, mas, desde então, têm vindo a melhorar, pouco a pouco. Ovechkin lidera a NHL em golos, Kuznetsov está a fazer um ponto por jogo e Holtby é candidato ao Vezina. Tudo corre bem aos Capitals, o que quer dizer que vão ser eliminados na primeira ronda.

Fonte: Sports Net
Depois, ainda em posição de apuramento direto, temos os Columbus Blue Jackets. Há uma semana, parecia que os Blue Jackets tinham tudo para assumir a liderança, mas os últimos dias foram para esquecer. Três derrotas em quatros jogos, incluindo duas goleadas por 7-2, uma sofrida às mãos dos Oilers e outra contra os Boston Bruins. A juntar a isso, uma derrota contra os Carolina Hurricanes e a notícia da lesão de Brandon Dubinsky, dois meses afastado da competição devido a uma fratura facial.
Nos wild cards temos as duas equipas de Nova Iorque, os Rangers e os Islanders, com 39 pontos, e logo atrás, com 37, os atuais campeões, Pittsburgh Penguins, que ainda não conseguiram substituir os jogadores que perderam no defeso. Por último, os Philadelphia Flyers, que depois de uma série de derrotas históricas, ganharam seis jogos consecutivos, e os Carolina Hurricanes, que não perdem há três partidas. Portanto, os dois últimos classificados foram as duas equipas mais consistentes esta semana. Se conseguirem perceber esta divisão, digam qualquer coisa.
Terceiro Período: Panthers visitados pelos Espíritos dos Natais Passados.
E se eu vos disser que um jogo entre o primeiro classificado da Divisão Pacífico e o penúltimo da Atlântico foi um dos mais interessantes do fim-de-semana? Chamar-me-iam maluco, certamente, mas há muita história entre Florida Panthers e Vegas Golden Knights. Na equipa de Las Vegas, trabalham 8 pessoas que saíram dos Panthers, incluindo o treinador Gerard Gallant e os avançados Jonathan Marchessault e Reilly Smith. Num golpe cruel do destino, os Golden Knights saíram vencedores, por um resultado de 5-2, com Marchessault e Smith a fazerem cinco pontos entre os dois.
Ninguém admitiu, como seria de esperar, mas é difícil acreditar que este jogo não tinha uma importância especial para estas pessoas, principalmente tendo a conta a forma como saíram dos Panthers. Com Gallant, tivemos o famoso episódio do táxi. O antigo treinador dos Panthers foi despedido após uma derrota fora de casa, numa visita aos Carolina Hurricanes, e já não regressou à Florida com a equipa. Para a eternidade ficou a fotografia de Gallant a entrar para um táxi no fim do jogo. As saídas de Marchessault e Smith não foram mais pacíficas, ambos enviados para os Golden Knights durante o draft de expansão. Por essa altura, Dale Tallon tinha regressado à posição de GM e procurava desfazer muitas decisões do anterior regime.

Fonte: NHL
Correu-lhe mal. Tallon ofereceu Reilly Smith em troca de uma quarta ronda e deixou os Golden Knights escolherem Marchessault no draft, perdendo assim dois jogadores úteis de uma assentada. Não é de espantar, portanto, que os Golden Knights estejam a fazer uma época histórica a todos os níveis, enquanto os Panthers continuam a navegar na mediocridade. Para percebermos bem o nível do erro dos Panthers, Marchessault é o melhor pontuador dos Golden Knights com 29 pontos em 29 jogos e Smith é o quarto com 25. Para os adeptos dos Panthers, foi como ver três fantasmas, para sempre assombrados pela pergunta. O que poderia ter sido?
Estrelas da Semana
Primeira Estrela: Josh Bailey (New York Islanders)
Os Islanders têm o segundo melhor ataque da NHL, com 118 golos marcados, e Josh Bailey tem sido uma peça chave desse sucesso. Esta semana, Bailey fez oito pontos em quatro jogos (quatro golos e quatro assistências), incluindo o primeiro hat-trick da sua carreira. Bailey é segunda na NHL em assistências (31) e sexto em pontos (40). Jogar ao lado de John Tavares faz milagres.
Segunda Estrela: Brian Elliott (Philadelphia Flyers)
Brian Elliott encontra a boa forma e os Flyers iniciam uma série de seis derrotas consecutivas. É engraçado como isto acontece. Como já disse noutras ocasiões, não há posição mais importante no hóquei no gelo. Um bom guarda-redes tapa muitos buracos. Elliott teve uma semana perfeita, com três vitórias em três jogos e uma percentagem de defesas de 94.3%.
Terceira Estrela: Patrick Kane (Chicago Blackhawks)
Os Chicago Blackhawks passam por um dos seus melhores momentos da temporada, tendo registado cinco vitórias consecutivas. Patrick Kane foi decisivo em duas delas, ao marcar no prolongamento contra os Florida Panthers e ao bisar contra os Minnesota Wild. Juntou mais um golo e uma assistência frente aos Winnipeg Jets, terminando a semana com cinco pontos em três jogos.
Foto de Capa: NHL












