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Polémicas e glória, o ano de 2022 | Fórmula 1

João Magalhães · 7 min

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A temporada de 2022 do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 começou exatamente no ponto onde terminou a anterior. Apesar da introdução de regulamentos que alteraram significativamente o aspeto e desempenho dos carros, no paddock, e entre os adeptos da modalidade, as atenções estavam viradas para as consequências do Grande Prémio de Abu Dhabi de 2021.

Em resposta à polémica final do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 em 2021 a FIA começa por anunciar o afastamento de Michael Masi substituíndo-o por Niels Wittich e, pelo português, Eduardo Freitas, no cargo de diretores de corrida. Mohammed Ben Sulayem, Presidente da FIA, anuncia de seguida a abertura de um inquérito às decisões tomadas por Michael Masi no GP de Abu Dhabi de 2021, onde Max Verstappen conquistou o título.

O inquérito acabou de vez com a polémica, confirmando que, apesar da boa fé de Michael Masi, as suas decisões constituíram um “erro humano”, levando a que o título ficasse decidido na direção de corrida e não em pista. Em resposta às conclusões do inquérito, a FIA alterou um conjunto de regras de forma a evitar uma nova interpretação
“criativa” das mesmas. Enterrada a polémica, começa uma nova temporada de Fórmula 1.

Apesar de ter sido um ano previsível, foi também um ano onde se viram mais batalhas a meio do pelotão e aconteceram coisas fantásticas, como Nicholas Latifi liderar um treino livre e Kevin Magnussen conquistar uma pole position com a Haas. Para além disso, é de enaltecer a incrível recuperação da Mercedes, que tornou um mau projeto, num carro capaz de ganhar uma corrida. No entanto, é certo que o W13 não vai deixar saudades.

Por fim, neste ano assiste-se à saída de Mick Schumacher, Nicholas Latifi e Daniel Ricciardo, que não conseguiram garantir um lugar na grelha para 2023, e de Sebastian Vettel, que decidiu retirar-se no final do ano. A saída destes pilotos abriu as portas para Oscar Piastri (Mclaren), Nick De Vries (AlphaTauri), Nico Hulkenberg (Haas) e Logan Sargeant (Williams). Em relação às trocas de equipas, Fernando Alonso sai da Alpine para a Aston Martin e Pierre Gasly sai da AlphaTauri para a Alpine.


A SURPRESA


PORPOISING – A temporada de 2022 começa com a Mercedes, octogésima Campeã de Construtores, a revelar um carro completamente diferente dos restantes e que acabou por sofrer, ainda mais, com um problema que afetou todas as equipas, menos a Red Bull.
O porpoising tornou-se um problema para todas as equipas, que só o detetaram quando colocaram os carros em pista. Este efeito aerodinâmico fazia com que os carros começassem a “saltar” e consequentemente o fundo arrastasse violentamente no chão. Este efeito ‘saltitão’ fazia com que os pilotos tivessem de lidar com vibrações que colocaram em causa a sua saúde. Foi exatamente pela saúde e segurança dos pilotos que a Mercedes pediu à FIA novas alterações aos regulamentos para acabar de vez com o porpoising, esperando também que essa alteração resultasse numa perda de rendimento por parte da Red Bull, o que não aconteceu. A maior prejudicada foi a Ferrari, o que facilitou ainda mais a conquista do Campeonato do Mundo de Pilotos e de Construtores por parte da Red Bull.

Porque é que a Red Bull não teve problemas com o porpoising? Vamos então à Figura do Ano!

FIGURA DO ANO

Fonte: Red Bull

ADRIAN NEWEY – O génio da Red Bull estudou o porpoising no início da sua carreira e utilizou a teoria, aliada à sua vasta experiência na idealização de carros de competição, para criar o RB18, carro que ganhou 17 em 22 corridas, tornando a temporada de 2022 num autêntico passeio para a equipa austríaca.

Com um carro tão dominante não foi surpresa que Max Verstappen conseguisse quebrar o recorde de mais corridas ganhas num ano, com 15 vitórias.

DESILUSÃO DO ANO

MERCEDES – Quem diria que os Alemães também falham!

Depois de oito anos a dominar a Fórmula 1, com sete Campeonatos do Mundo de Pilotos e oito Campeonatos do Mundo de Construtores, a equipa liderada por Toto Wolff apostou num conceito completamente diferente no design e construção do seu carro, acabando por sofrer ainda mais com o porpoising do que todas as outras equipas, conseguiu uma dobradinha no Grande Prémio do Brasil, mas não conseguiram evitar um ano sem vitórias por parte de Lewis Hamilton.

O único aspeto positivo foi a fiabilidade demonstrada pelo carro, apesar dos problemas, só por uma vez, um dos carros da Mercedes se retirou da corrida por problemas técnicos.

TOP 5 PILOTOS

MAX VERSTAPPEN – Depois de ver o seu mérito questionado, contou com a ajuda de Adrian Newey que lhe deu um carro incrível e que assentou que nem uma luva no estilo de condução do Neerlandês. Mostrou que consegue ser um piloto correto, ao ter batalhas muito leais com Charles Leclerc, que contrastaram com as feias batalhas protagonizadas com Lewis Hamilton na temporada anterior e que viram novo episódio no Grande Prémio do Brasil. Acabou por manchar o campeonato com a atitude que teve perante o seu colega de equipa, Sergio Pérez, no final do ano. O episódio em Interlagos, onde colidiu com Hamilton, também acaba por ser uma mancha no segundo título de Verstappen.

CHARLES LECLERC – Cometeu alguns erros que lhe custaram a hipótese de ser Campeão do Mundo de Fórmula 1, mas também se deve queixar do péssimo trabalho realizado pela Ferrari. Sempre com batalhas leais perante os seus rivais, conseguiu concluir o ano com nove pole positions, duas vitórias e três voltas mais rápidas. Terminou no pódio 11 vezes.

SÉRGIO PÉREZ – O “Ministro de Defesa Mexicano” teve uma boa temporada apesar do esforço inglório para conquistar o segundo lugar no Campeonato de Pilotos. Não sentiu o mesmo à vontade com o RB18 do que o seu colega de equipa, não conseguindo retirar todo o potencial do carro. Apesar disso, venceu duas corridas, conquistou uma pole position e três voltas mais rápidas. Terminou no pódio 11 vezes.

GEORGE RUSSELL – A confirmação de uma estrela, depois de ganhar a alcunha de “Mr. Saturday” pelas incríveis performances em qualificação ao volante do Williams no passado. Conseguiu, nesta temporada, entrar no grupo de pilotos que ganharam uma corrida. Pareceu sempre estar mais à vontade com o W13 comparativamente com o seu colega de equipa e, graças a isso, conquistou uma pole position e uma vitória, conseguiu a volta mais rápida em corrida por quatro ocasiões e terminou no pódio oito vezes.

CARLOS SAINZ – Conseguiu ser melhor estratega do que os responsáveis da Ferrari. Muito lúcido e inteligente nas suas decisões de corrida, teve alguma falta de sorte que resultou em seis abandonos devido, na sua maioria, a problemas técnicos. Ganhou apenas uma corrida, mas conquistou a pole position em duas ocasiões e foi o piloto com a volta mais rápida em corrida por duas vezes, chegando ao pódio por nove vezes.

Foto De Capa: Formula 1

Autor: João Filipe Alves Magalhães

 

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