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GP Abu Dhabi: Porque não pode haver dois… Max Verstappen é o novo campeão do Mundo!

A CORRIDA: ÉPOCA LENDÁRIA DE FÓRMULA 1 DECIDE-SE NA ÚLTIMA VOLTA

Fonte: Formula 1

Depois de 21 rondas absolutamente memoráveis, a temporada de 2021 de Fórmula 1 resumia-se a 58 voltas ao traçado de Yas Marina, em Abu Dhabi. Na “pole”, Max Verstappen (Red Bull) – o “challenger”, destemido e talentoso holandês de 24 anos, nascido na Bélgica filho de pais “automobilistas”, e que procurava a sua estreia no panteão dos campeões.

Atrás dele, “Sir” Lewis Hamilton. Incontestavelmente uma das figuras maiores da modalidade, reconhecido dentro e fora de pista pela tenacidade com que, das origens modestas em Stevenage, chegou ao topo do mundo do desporto, no Reino Unido sua casa e além-fronteiras. Não só pelos sete títulos justamente conquistados (ter o melhor carro por si só não é suficiente, argumentará), mas também pelo trabalho desenvolvido em campanhas sociais de inclusão, igualdade e justiça.

Campeão de Abu Dhabi é o Max Verstappen

A última ronda do ano marcava também momentos de despedida e mudança. Kimi Räikkönen (Alfa Romeo) dizia adeus ao desporto 348 corridas depois da sua estreia na Sauber Petronas, enquanto o seu colega de equipa e amigo Antonio Giovinazzi fazia também a sua última partida antes de rumar à Formula E. George Russell (Williams) pilotava pela última vez o carro branco antes de rumar à Mercedes, tomando o lugar de Valtteri Bottas (Mercedes), que iria ocupar a vaga do seu compatriota Räikkönen. Ainda antes da corrida, más notícias para Nikita Mazepin (Haas), que se via arredado da última corrida após um teste positivo à Covid-19.

Rigorosamente iguais em pontos, mas com estratégias de corrida ligeiramente diferentes (Verstappen partia em pneus macios e Hamilton em médios), e com Lando Norris (McLaren) e Sergio Pérez (Red Bull) na segunda linha da grelha, o arranque e a curta distância até à travagem da primeira curva podiam ser decisivos para o desfecho da corrida e para a sorte dos dois candidatos. Apagadas as luzes vermelhas, vantagem imediata para Hamilton, que sai melhor e ataca a linha interior, colocando de imediato distância entre si e Verstappen, que ainda assim segurava o segundo lugar à frente, agora, do colega “Checo” Pérez.

Estratégias estabilizadas e Verstappen com dificuldades em aproximar-se de Hamilton, o britânico aparentemente aos comandos de um carro melhor afinado para os desafios de Abu Dhabi. Bottas sofria, também, atrás dos dois AlphaTauri, lutando pelos pontos finais do Top 10 e sem condições de ajudar Hamilton na luta contra os Red Bull.

Já com as primeiras paragens feitas, maioritariamente para pneus duros que levariam os pilotos até ao fim da corrida, a primeira grande decisão estratégica ocorre na garagem da Red Bull. Verstappen havia parado uma volta antes de Hamilton, mas Pérez ficara em pista, liderando agora a corrida e aguardando a chegada de Hamilton. A ideia era tentar atrasar o britânico o suficiente para permitir a Verstappen encurtar a desvantagem antes que o mexicano fosse forçado a sair de cena.

Se assim a Red Bull pensou, melhor o fez. Muito por culpa de duas voltas de condução absolutamente perfeitas por parte de Pérez, que inicialmente defendeu a posição dos ataques de Hamilton, e depois ainda teve capacidade para “puxar” Verstappen ao longo da segunda recta, antes de harmoniosamente ceder a posição ao holandês e seguir para a sua própria paragem nas boxes. Resultado: a diferença entre os candidatos reduzida para dois segundos e Verstappen, de novo, de mira apontada à asa traseira do “44”.

No entanto, o Mercedes parecia o carro mais rápido em ritmo de corrida e Hamilton conseguiu, a pouco e pouco, criar um fosso entre ele e Verstappen, os dois pilotos a rodar mais rápido que todo o restante pelotão, mantendo a tendência vista durante a época. Já após abandono forçado de Räikkönen com problemas de travões, um “Virtual Safety Car” por paragem em pista do outro Alfa Romeo conduzido por Giovinazzi permitiu a Verstappen descer às boxes e minimizar os danos; sem nada a perder, pneus novos eram a sua melhor aposta neste momento.

A pouco mais de cinco voltas do fim, e enquanto Verstappen ia tentando desesperadamente chegar perto de Hamilton, Nicholas Latifi (Williams) é o intermediário de um volte-face “Hollywoodesco”. Após luta breve com Mick Schumacher (Haas), o canadiano perde o controlo no já infame complexo das curvas 13 e 14, embatendo nas barreiras de protecção e… traz para pista o “Safety Car”! Verstappen de imediato desce às boxes para colocar um jogo de pneus macios, enquanto Hamilton fica em pista, protegendo a posição no caso de a corrida terminar sem mais disputa.

A duas voltas do final, e depois de uma decisão inicial de não deixar qualquer carro recuperar as voltas perdidas, a FIA, por via do seu director de prova Michael Masi, decide deixar os cinco carros entre Hamilton (em 1.º) e Verstappen (“de facto” 2.º) ultrapassar o “Safety Car”, deixando os dois candidatos em proximidade imediata. Uma decisão controversa, talvez forçada a bem do espectáculo, e que a Mercedes mais tarde protestou oficialmente por ser obscura no contexto de decisões anteriores. No calor do momento, Masi defendeu-se das acusações de Toto Wolff (chefe de equipa da Mercedes) dizendo: “Estamos aqui para correr”. Horas mais tarde, a FIA rejeitava os dois apelos da equipa alemã, o que iria efectivamente confirmar o resultado final.

Com a mensagem de que o “Safety Car” iria regressar às boxes, o coração começa a bater mais rápido. Uma volta apenas. Uma volta final para decidir o resultado de meses e meses de preparação e competição, entre as duas equipas e os dois pilotos mais fortes da presente época. Com cinco quilómetros e 281 metros pela frente, os olhos de milhões focavam-se em duas pessoas apenas: o veterano Lewis Hamilton, na frente, com pneus duros bastante desgastados e em busca do seu oitavo título de campeão do Mundo; e Max Verstappen, logo atrás, nos pneus macios mais rápidos e determinado a negar o recorde inédito a Hamilton e agarrar para si o mais cobiçado troféu.

Luvas de fora, e o desfecho… é melhor (re)ver para crer. Tal como aconteceu por múltiplas vezes na época, a batalha em pista recomeça: Hamilton tenta imediatamente defender-se de Verstappen enquanto o holandês ganha terreno no primeiro sector. Na travagem para o “gancho” da curva cinco, Verstappen mete por dentro e, “abrindo os cotovelos”, consegue ultrapassar Hamilton.

O britânico ainda tenta responder, mas sem DRS disponível e com o Red Bull a evitar vigorosamente o cone de ar, Verstappen assume definitivamente a liderança na chicane das curvas seis e sete. Nova recta e novo ataque de Hamilton, a meter “por fora” e roda com roda, noutra das imagens marcantes do campeonato, mas sem sucesso. Verstappen defende bem, o último sector não proporciona mais oportunidades claras de ultrapassagem, e Hamilton não consegue fazer mais do que ver o holandês a cruzar a meta primeiro, para se sagrar campeão pela primeira vez na carreira. O primeiro não-britânico e não-alemão a conseguir o feito desde, precisamente… Kimi Räikkönen, em 2007.

Feitas as contas, e depois de 261 dias de fortes emoções para os amantes da modalidade, a Mercedes revalidava o título de construtores por 28 pontos apenas, enquanto Max Verstappen se sagrava campeão por uma margem inferior a 2.3 segundos. Um hino à competitividade, num desporto que por várias vezes na sua história viveu ciclos de domínio individual por parte de uma equipa ou piloto.

A Fórmula 1 está mais viva que nunca e recomenda-se. Parabéns a Max Verstappen, a Lewis Hamilton e aos restantes protagonistas, desde os mecânicos aos voluntários comissários de pista, desde os chefes de equipa aos comentadores nas emissoras nacionais, a todos aqueles que nos permitiram disfrutar de uma das épocas mais memoráveis daquele que é o pináculo do desporto motorizado. Que venha a próxima época!

Foto de Capa: Formula 1

Componente 5 – 1 (1)

Concluída a licenciatura em Comunicação Social, o Carlos mudou-se para Londres em 2013, onde reside e trabalha desde então. Com um pai ex-piloto de ralis e um irmão no campeonato nacional de karts, o rumo profissional do Carlos foi também ele desaguar nas "águas rápidas" da Formula One Management, onde trabalhou cinco anos. Hoje é designer numa empresa de videojogos, mas ainda não consegue perder uma corrida (seja em quatro ou duas rodas).                                                                                                                                                 O Carlos não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Concluída a licenciatura em Comunicação Social, o Carlos mudou-se para Londres em 2013, onde reside e trabalha desde então. Com um pai ex-piloto de ralis e um irmão no campeonato nacional de karts, o rumo profissional do Carlos foi também ele desaguar nas "águas rápidas" da Formula One Management, onde trabalhou cinco anos. Hoje é designer numa empresa de videojogos, mas ainda não consegue perder uma corrida (seja em quatro ou duas rodas).                                                                                                                                                 O Carlos não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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