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Depois de África do Sul, País de Gales, Nova Zelândia, França, Irlanda, Argentina, Austrália e Escócia assegurarem um lugar nas oito melhores equipas do mundo, os quartos-de-final do Campeonato do Mundo de Rugby 2015 trouxeram ainda mais emoção e espectáculo a terras de sua Majestade.

No primeiro jogo a oito, a África do Sul discutia uma vaga nas meias-finais com o País de Gales e a partida teve emoção até ao último minuto, com a vitória a poder recair em qualquer uma das equipas. Tal como se esperava, Springboks e Highlanders protagonizaram um jogo de intensidade elevada e muito contacto físico. O primeiro tempo teve duas partes bem distintas: nos primeiros vinte minutos os sul africanos nem sequer entraram na área de 22 metros de Gales, com os galeses a atacar mais, enquanto os primeiros defendiam bem e respondiam em contra-ataque; a partir dos vinte minutos de jogo existiram menos oportunidades, mais jogo ao pé e mais bolas ganhas pelas duas defesas.

Os Highlanders saíram para o intervalo a vencer por um ponto (13-12) com tudo em aberto para a etapa complementar. Na segunda parte os Springboks destacaram a sua superioridade no jogo pelo chão, os galeses tentaram equilibrar mas nunca foram realmente eficazes, e seria mesmo no jogo pelo chão, após uma formação ordenada, que chegaria o ensaio da vitória: Duane Vermeulen saiu com a bola pelo lado fechado, passou no contacto a Fourie du Preez e o capitão dos sul africanos não desperdiçou e marcou aquele que seria o ensaio da vitória – fixando o resultado final em 23-19. O País de Gales já não viria a ter tempo nem oportunidade para alterar o rumo da partida, vendo a sua indisciplina punida pela melhor equipa em campo.

O capitão sul africano deu a vitória aos Springboks e assegurou a passagem às meias-finais Fonte: Rugby World Cup
O capitão sul africano deu a vitória aos Springboks e assegurou a passagem às meias-finais
Fonte: Rugby World Cup

No segundo jogo de sábado, os All Blacks vestiram o fato de gala e confirmaram as expectativas criadas em volta do Nova Zelândia – França ao derrotar, de forma claríssima, Les Bleus. A resistência francesa só durou até aos 23 minutos, quando os neo-zelandeses dispararam no marcador e jamais pararam – ao intervalo a Nova Zelândia vencia por 29-13 e via a sua superioridade totalmente instituída. À entrada para o segundo tempo os franceses tentaram reagir mas, ao invés de verem o seu esforço confirmado no marcador, viam os neo-zelandeses avolumarem a sua vantagem e Julian Savea a dar show: três ensaios daquele que se diz ser o novo Jonah Lomu e a vitória All Black era incontestável, com uma diferença de 49 pontos – que poderia ser ainda mais numerosa! – e o resultado final fixado em 62-13.

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Os franceses não conseguiram domar Julian Savea que rubricou mais uma grande exibição com a camisola All Black Fonte: Rugby World Cup
Os franceses não conseguiram domar Julian Savea que rubricou mais uma grande exibição com a camisola All Black
Fonte: Rugby World Cup

Domingo era a vez dos Pumas derrotarem a Irlanda e escreverem mais uma página de glória no rugby argentino. Vamos por partes, oito anos volvidos a Argentina voltava aos quartos-de-final de um Mundial e apanharia pela frente uma Irlanda desfalcada, na luta por um lugar nas meias-finais do Campeonato do Mundo. E cedo os Pumas mostraram ao que vinham: os homens de Daniel Hourcade entraram no jogo a todo o gás, mas à irreverência colocada em campo aliaram a inteligência e souberam ser pacientes na hora de abater a muralha irlandesa. A meio da primeira parte a Argentina já vencia por 20-3, mas a Irlanda não baixou os braços e conseguiu mesmo anular parte dessa superioridade, ficando apenas a três pontos de alcançar os argentinos (23-20).

Mas os minutos decorriam e a raça da selecção argentina teimava em sobrepor-se e após uma penalidade desperdiçada por Ian Madigan, que tinha em mãos – nos pés, aliás! – o empate, os Pumas despertaram e transformaram a sua superioridade em pontos, conquistando a maior vitória de sempre frente aos Highlanders – 43-20 – e, mais importante ainda, um lugar nas meias-finais do Campeonato do Mundo.

Nicolás Sanchéz e os seus preciosos pontapés foram as figuras do jogo Fonte: Rugby World Cup
Nicolás Sanchéz e os seus preciosos pontapés foram as figuras do jogo
Fonte: Rugby World Cup

O último jogo dos quartos-de-final opôs, uma vez mais, Europa e Oceânia. E se inicialmente se pensava que a Austrália teria a tarefa facilitada frente à Escócia, o jogo apenas foi resolvido – pasme-se! – quando faltavam quarenta segundos para o final da partida… Mas já lá iremos. A Austrália entrou melhor em jogo, concretizando o seu primeiro ensaio logo aos oito minutos. O ensaio dos Wallabies não intimidou os escoceses que correram atrás do prejuízo: os comandados de Vern Cotter impressionavam sobretudo pela pressão imposta, obrigando os australianos a cometer vários erros individuais e colectivos. Foi desta forma que chegaram à vantagem, chegando ao intervalo a liderar a partida por um ponto.

Na etapa complementar o equilíbrio continuou a pautar o jogo, a Austrália chegou a adiantar-se no marcador… mas pouco. A resiliência escocesa foi nota presente a cada minuto que passava e, a seis minutos dos oitenta, Mark Bennett marcou o terceiro ensaio para os britânicos, colocando o marcador num 34-32 favorável à Escócia. Mas nos últimos quarenta segundos – quarenta segundos! – da partida que garantia o último passe de acesso às meias-finais, uma falta escocesa colocava nos pés de Bernard Foley a responsabilidade de levar os Wallabies até à próxima fase. O Iceman fez jus ao seu cognome desportivo e marcou encontro com os Pumas nas meias-finais!

Foi com uma penalidade nos últimos quarenta segundos de jogo que Bernard Foley apurou os Wallabies para as meias-finais Fonte: Rugby World Cup
Foi com uma penalidade nos últimos quarenta segundos de jogo que Bernard Foley apurou os Wallabies para as meias-finais
Fonte: Rugby World Cup

No próximo fim-de-semana a África do Sul defronta a Nova Zelândia e a Argentina encara a Austrália por um lugar na final do Campeonato do Mundo – em dois jogos que prometem, uma vez mais, grande emoção e níveis de intensidade impróprios para cardíacos!

No primeiro jogo All Blacks e Springboks irão protagonizar um duelo sempre escaldante, os primeiros chegam às meias-finais invictos, já os sul africanos sofreram (apenas) o memorável deslize frente ao Japão. Os neo-zelandeses têm apresentado um jogo mais seguro quando comparado com o desempenho sul africano, mas num duelo com tanta História a vitória pode cair para qualquer um dos lados.

Teoricamente, o duelo entre Pumas e Wallabies poderá ser visto como uma tarefa mais acessível do ponto de vista australiano, já no plano prático, e recordando a grande exibição dos argentinos e o sofrimento pelo qual a Austrália teve que passar para se apurar… Ficamos com a certeza de que tudo pode acontecer. O melhor mesmo é reservar o lugar em frente à televisão – ou, para os mais sortudos, no estádio – e não perder pitada do próximo capítulo!

Foto de Capa: Rugby World Cup