cab Rugby

A derrota da selecção nacional de XV frente à Roménia no passado fim-de-semana transformou o sonho da qualificação para o Mundial de 2015 num pesadelo. Principalmente porque a principal candidata à repescagem, a selecção da Rússia, venceu frente à Espanha.

Estes resultados trazem para a equipa das quinas a difícil tarefa de vencer mais três jogos do que a Rússia, em quatro jogos.

Os resultados desta campanha para o Mundial de 2015 têm levantado a questão de saber se o rugby nacional se encontra no rumo certo ou se algo devia ser mudado. E, nesta questão, os adeptos da modalidade dividem-se: será que a aposta no tradicional rugby de XV é acertada? Ou faria mais sentido investir mais no rugby de VII?

O que assusta mais é que, neste último jogo frente à Roménia, a equipa lusa se apresentou com qualidade, conseguiu dominar na primeira parte, mas não conseguiu concretizar um único ponto e acabaram por permitir que a superioridade romena se fosse sentindo mais até ao final do jogo. Quererá isto dizer que a qualidade da selecção de XV não está a ser suficiente?

Anúncio Publicitário

Já a equipa espanhola jogou de modo oposto frente à Rússia, apesar de ter também perdido. Começou mal na primeira parte, mas surgiu mais forte na segunda, fazendo frente à superioridade do adversário e conseguindo concretizar mais pontos. E com uma selecção espanhola forte, Portugal tem obrigatoriamente de vencer a Bélgica para se manter na Divisão 1A do Europeu das Nações.

Pedro Leal, considerado um dos melhores jogadores de Sevens  Fonte: facebook.com/fpr.pt/
Pedro Leal, considerado um dos melhores jogadores de Sevens da Europa
Fonte: facebook.com/fpr.pt/

Isto faz com que a discussão sobre a aposta na modalidade fique ainda mais acesa. Há quem defenda o rugby de XV, por ser o rugby “tradicional”, o de origem e, por isso, o verdadeiro; sendo que o rugby de VII seria apenas uma versão mais simples de compreender e mais rápida do rugby tradicional, captando mais facilmente novos adeptos. E há quem defenda que a aposta deve ser feita no rugby de VII dado que os resultados da nossa selecção têm sido melhores em Sevens, pelo facto de Portugal ter sido um dos pioneiros desta vertente na Europa e de os nossos jogadores estarem mais preparados para esta modalidade, tanto pelas características mais típicas do atleta português como pelas características do próprio jogo. A verdade é que Portugal é já uma equipa de referência na Europa.

Para além disso, apostar no rugby de VII significa agora apostar numa modalidade olímpica, a partir de 2016. Para além de serem o maior evento desportivo do mundo, os Jogos Olímpicos trazem também um maior financiamento para as modalidades.

Fica a questão, à medida que o mundial de 2015 se torna cada vez mais um sonho difícil de se realizar: não será altura de focar a estratégia nos Sevens?

A verdade é que a nossa selecção tem muito valor mas também não tem estado assim tão segura nesta vertente. Se o melhor para a modalidade for reunir esforços para os Sevens, há que tomar consciência do valor dos nossos atletas já e recuperar o fôlego depois dos resultados de Las Vegas. A selecção de VII merece contar com os melhores atletas e manter-se no circuito internacional. E venha 2016: a equipa portuguesa tem mais do que qualidade e valor para estar presente nos Jogos Olímpicos.

Comentários