Depois da previsível vitória dos ingleses frente à Itália, foi a vez do País de Gales surpreender e vencer a Escócia em Edimburgo, em jogos a contar para o Torneio das Seis Nações.

Não obstante a derrota, foram os escoceses a assumir o controlo do jogo em muitos dos seus capítulos. A velocidade e a profundidade do seu jogo levaram a que a Escócia fosse capaz de se colocar em zonas adiantadas do terreno e, consequentemente, criar múltiplas oportunidades para ensaio. Ainda assim, muitas destas não foram concretizadas, o que permitiu aos galeses continuar a disputar o resultado.

Com o País de Gales sucedeu-se precisamente o contrário. Apesar das evidentes dificuldades no jogo penetrante e no controlo da largura, os galeses aproveitaram a indisciplina do adversário na segunda parte para ganhar terreno e marcar ensaios (o País de Gales passou apenas um minuto e meio nos 22 metros adversários, conseguindo quatro ensaios; já a Escócia precisou de sete minutos e meio para garantir três chegadas à área de validação contrária).

As entradas, principalmente, de Kieran Hardy, Callum Sheedy e Ulisi Halaholo tiveram um papel primordial no desenrolar do jogo galês, na medida em que vieram trazer velocidade, dinâmica e organização a uma linha de três quartos, até ao momento, muito previsível (Gareth Davies e Dan Biggar passaram completamente ao lado do jogo).

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Falemos agora da França, que, dez anos depois, voltou a vencer em Dublin, naquela foi mais uma prestação sublime da sua defesa. Velocidade, pressão e ocupação do espaço são, seguramente, vocábulos a que Shaun Edwards recorre frequentemente.

Ainda para mais, a qualidade da defesa não está só nos avançados. Prova de tal, foi o magnífico turnover de Antoine Dupont que deu a vitória aos gauleses, antecedido de 17 fases à mão da Irlanda, sem conquistar qualquer falta e sem progresso territorial.

Ainda assim, a França mostrou alguma dificuldade em manter a bola e progredir, mas quando o fez, a qualidade técnica dos seus jogadores foi decisiva. O velho ditado de que a defesa ganha jogos faz todo o sentido. A verdade é que a Irlanda, apesar de ter tido mais bola e território, teve muitas dificuldades em colocar a defesa contrária sob pressão, uma vez que a utilização da bola não se revelou profícua.

Por último, Louis Rees-Zammit e Antoine Dupont foram, a meu ver, os jogadores da jornada. O primeiro, que é o melhor marcador de ensaios da competição, garantiu a segunda vitória galesa, com um lance genial. O francês, por seu turno, dispensa apresentações. Dinâmico, técnico, inteligente e, certamente, um dos melhores jogadores do mundo.

Foto de capa: Six Nations Rugby

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