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Super Rugby Aotearoa: Hurricanes à boleia de Laumape

Marco Minelli · 4 min

Foto: Super Rugby NZ

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O pontapé de saída da sexta jornada do Super Rugby Aotearoa deu-se em Wellington, no jogo de cartaz do fim de semana, sendo este o embate entre Hurricanes e Blues. Este confronto gerou muita expectativa na imprensa e nos adeptos, não só por ter marcado o regresso de Beauden Barrett ao Sky Stadium, desta vez na condição de adversário, mas também por colocar frente a frente os irmãos Barrett pela primeira vez.

Já em campo, o apelido “Barrett” esteve diretamente ligado à história do jogo. De um lado, Beauden respondeu a Ngani Laumape com um ensaio de grande qualidade, ao enganar TJ Perenara e Tyrel Lomax com um dummy antes de chegar à área de validação contrária. Do outro lado, Jordie garantiu a terceira vitória consecutiva dos Hurricanes, ao converter o ensaio de Asafo Aumua a três minutos do apito final de Ben O’Keeffe.

Apesar de suada, os Hurricanes mereceram a vitória, uma vez que dominaram o jogo nos capítulos do território e da posse. A equipa de Jason Holland mostrou uma boa capacidade de manter a bola viva e de montar fases de jogo. Aliada a esta qualidade, esteve a capacidade de penetração e de transporte de bola da dupla de centros. Ngani Laumape e Peter Umaga-Jensen mostraram-se explosivos no ataque à linha de vantagem, oferecendo, deste modo, uma melhor posição territorial à sua equipa.

Ainda assim, os Canes não conseguiram tirar partido de muitas das oportunidades criadas. À semelhança do sucedido na semana passada, a franquia de Wellington ora falhava no último passe, ora não era capaz de segurar bolas importantes no contacto.

Os Blues, por seu turno, tiveram dificuldade em alargar o jogo para os canais exteriores. Com a lesão de Otere Black e consequente mudança de Beauden Barrett para médio de abertura, a franquia de Auckland conseguiu, em certa medida, dar mais profundidade ao seu jogo, mas a previsibilidade continuava a fazer-se sentir nas linhas atrasadas. Por outro lado, o pack avançado realizou uma boa exibição, ao ser responsável por três dos quatro ensaios marcados pelos Blues e pelo sucesso no que às fases estáticas diz respeito. Além do mais, a sua capacidade defensiva tem vindo a melhorar, sendo que os Hurricanes não conseguiram marcar qualquer ponto durante os dez minutos em que Emoni Narawa esteve no sin bin. Os Blues conseguiram equilibrar o resultado através de uma defesa compacta, tendo como figura principal Dalton Papali’i. O flanqueador realizou, mais uma vez, uma grande partida, ao somar 18 placagens efetivas e um ensaio.

Com esta vitória por 29-27, o conjunto da capital soma o terceiro triunfo consecutivo, tendo o seu rendimento dentro de campo aumentado de forma exponencial em relação às jornadas iniciais. Já os Blues, realizaram a sua pior exibição nesta competição, complicando, desta forma, as contas na luta pelo primeiro lugar.

Foi a norte da capital, mais precisamente em Hamilton, que a franquia treinada por Aaron Mauger conseguiu reverter um resultado que parecia ser praticamente irreversível. A perder por 31-7 aos 47’, a equipa de Dunedin conseguiu dar a volta ao marcador, acabando por vencer os Chiefs por 31-33.

Nos primeiros 25 minutos, os Chiefs conseguiram assumir o controlo do jogo, acabando mesmo por passar para a frente por expressivos 24-0. O conjunto de Warren Gatland ia conseguindo gerir o ritmo da partida, ao mostrar uma boa capacidade de circulação de bola nos três quartos.

A dez minutos do final da primeira parte, a situação reverteu-se. Os Highlanders conseguiram progredir no terreno, acabando por instalar-se nos 22 metros contrários. Esta fase culminou com o cartão amarelo mostrado a Sam Cane e com o ensaio de Marino Mikaele Tu’u. Apesar do ensaio sofrido, os Chiefs pareciam controlar a situação, tendo dilatado a vantagem por meio de Bradley Slater nos minutos iniciais da primeira parte.

O domínio dos Chiefs não se verificou, visto que do banco dos Highlanders saíram dois jogadores que influenciaram o rumo dos acontecimentos. Refiro-me a Josh Ioane, que conseguiu oferecer mais opções e mais largura à linha atrasada, e a Jona Nareki, que foi o autor de um ensaio digno de nota.

Se de um lado estava uma linha de três quartos absolutamente imprevisível, do outro estava Lachlan Boshier. A dois minutos do apito final, o terceira linha dos Chiefs conseguiu um turnover que parecia ter garantido a primeira vitória da franquia de Hamilton na competição. A verdade é que no maul que deu seguimento ao alinhamento, os Chiefs cometeram uma obstrução desnecessária. Assim sendo, os Highlanders foram à procura do ensaio da vitória, que acabou mesmo por aparecer, fruto de uma combinação entre Aaron Smith e Sio Tomkinson.

Os Highlanders conseguiram, desta forma, a sua segunda vitória neste Super Rugby Aotearoa. Além disso, mostraram caráter na sua exibição, algo que tem faltado aos Chiefs, que seguem em último lugar sem qualquer vitória.

A meu ver, Ngani Laumape e Lachlan Boshier são os jogadores da jornada. O centro dos Hurricanes, além do ensaio marcado, percorreu 160 metros com a oval nas mãos e quebrou a linha da vantagem em quatro ocasiões. Já o asa dos Chiefs, tem-se mostrado um jacklar de classe mundial.

No próximo fim de semana, os Hurricanes vão defrontar os Crusaders num jogo decisivo para a classificação final, sendo que os Chiefs medirão forças com os Blues, no Eden Park.

Foto de Capa: Super Rugby NZ

Artigo revisto por Joana Mendes

Marco Minelli

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