Corria o ano de 2016 aquando da última vitória dos Hurricanes no terreno dos Crusaders. Desde então, a franquia de Christchurch não mais perdeu na condição de visitada. Passados quatro anos e 36 jogos, os Crusaders voltaram a perder em casa, precisamente contra o conjunto da capital, naquela que foi, curiosamente, a primeira derrota de Scott Robertson no Orangetheory Stadium, desde que assumiu a função de treinador principal em 2017.

Num jogo de tudo ou nada para os Hurricanes, a equipa de Jason Holland, de modo a contrariar o poderio ofensivo da linha de três quartos dos Crusaders, apresentou uma line speed veloz e agressiva, mas, mesmo assim, os Crusaders conseguiram tirar partido da profundidade do seu jogo, acabando, desta forma, por criar espaço nos canais exteriores. Este componente acabou por se revelar mais frutífero na segunda parte, uma vez que a franquia da casa apostou num jogo à mão, dando mais liberdade ao seu médio de abertura para atacar o espaço e a profundidade.

Outro aspeto a destacar do Rugby da franquia de Christchurch é a formação ordenada. Neste domínio do jogo, os Hurricanes foram completamente dominados. A ausência de Tyrel Lomax e a lesão de Fraser Amstrong nos minutos iniciais dificultou a tarefa do pack avançado dos Canes neste capítulo.

À semelhança do seu adversário, os Hurricanes também apostaram num jogo largo, aproveitando a capacidade de finalização de Wes Goosen. Aliada a esta qualidade, esteve, mais uma vez, a capacidade de encontrar espaços na linha defensiva contrária de Peter Umaga-Jensen e Ngani Laumape.

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Já Jordie Barrett, realizou uma exibição de grande qualidade, não só pela sua frieza nos pontapés aos postes, mas também pelo turnover que conquistou a escassos segundos do final do encontro. Ainda assim, o seu jogo ao pé deixou muito a desejar, tendo o ganho territorial, ou tático, sido praticamente nulo.

Os Hurricanes foram a equipa com menos bola e território, mas, apesar desta inferioridade, conseguiram aproveitar as oportunidades que tiveram, algo que não tinha ocorrido nas jornadas anteriores, visto que a tomada de decisão ou o último passe não estavam à altura. Prova de tal domínio são os 592 metros percorridos pelos Crusaders, número claramente superior aos 292 metros da equipa de Wellington. Ainda assim, a abordagem ao breakdown dos Hurricanes revelou-se mais eficaz, tendo, os Crusaders, perdido cinco rucks.

Com esta vitória, os Hurricanes reabrem a luta pelo título, colocando, desta forma, pressão sobre o rival de Christchurch, que vê Blues e Hurricanes aproximarem-se na tabela classificativa.