À entrada para a penúltima jornada do Torneio das Seis Nações, a França era a única seleção invicta, ou seja, das seis equipas que disputam a prova, os franceses eram os únicos que ainda podiam sonhar com o Grand Slam. Sonho esse que caiu por terra, após uma exibição que deixou muito a desejar e que ficou condicionada pelo episódio do minuto 36, momento em que os visitantes se viram a jogar com 14, graças à expulsão de Mohamed Haouas.

Desde 2011, ano em que França se sagrou vice-campeã mundial, ao perder a final contra os All Blacks por 8-7, que os Bleus têm demonstrado uma grande inconstância exibicional. Após o mundial do Japão, Fabien Galthié assumiu o comando técnico dos gauleses. Começou por renovar a equipa. Chamou muitos jogadores sem internacionalizações e apostou muito na juventude (convocou vários jogadores da seleção sub 20, que é bicampeã mundial). O resultado desta mudança de paradigma está a ser bastante positivo. Em quatro jogos, três vitórias, duas delas contra Inglaterra e País de Gales, e uma derrota.

Até ao jogo de Murrayfield tínhamos visto uma França muito forte defensivamente e com uma linha de três quartos muito imprevisível. Na minha opinião, Grégory Alldritt tem sido o jogador chave no pack avançado francês, uma vez que é muito forte no contacto e no jogo no chão. Já na linha atrasada, o destaque vai para a dupla de médios composta por Dupont e Ntamack, que são os responsáveis pela organização do jogo da sua equipa. Apesar de toda esta qualidade, creio que na linha defensiva falta alguma fisicalidade, visto que o único jogador com grande capacidade física é o segundo centro Virimi Vakatawa.

Ontem, a formação gaulesa mostrou-se muito indisciplinada, concedendo onze penalidades aos escoceses durante o jogo. Alguns destes problemas foram causados pelos flanqueadores escoceses Jamie Ritchie e Hamish Watson. Estes souberam atrasar a manobra ofensiva gaulesa de forma inteligente e foram duas peças essenciais no breakdown, garantindo vários turnovers para a Escócia.

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Apesar da derrota, foi a França a marcar o primeiro ensaio do jogo. Um pontapé monumental de Dupont fez com que Penaud se isolasse à ponta e fizesse o ensaio. Seis minutos depois, num desentendimento entre os jogadores, o pilar Mohamed Haouas deu um soco a Jamie Ritchie, o acabou por lhe valer a expulsão e condicionou fortemente a estratégia montada pela sua equipa técnica. A partir da expulsão a seleção da casa soube gerir o jogo com naturalidade, marcando três ensaios, por Sean Maitland (2) e Stuart McInally. Segunda vitória (28-17) para os comandados de Gregor Townsesnd, que os coloca na terceira posição da tabela classificativa.

Para Haouas, o jogo só durou 36 minutos
Fonte: Six Nations Rugby

Na última jornada, Galthié (caso o calendário seja cumprido) não terá à sua disposição o habitual par de médios. Dupont e Ntamack saíram lesionados e deverão ficar afastados da competição por um mês. Indisponível também estará Haouas, por expulsão. No seu lugar deverá estar Demba Bamba, jogador que traz, no meu ponto de vista, estabilidade à formação ordenada francesa, ao contrário do pilar do Montpellier, que mostrou algumas dificuldades neste capítulo.

De acrescentar ainda que está em causa a realização da última jornada da competição graças ao coronavírus. O jogo entre Itália e Inglaterra já foi adiado, ficando em dúvida também os dois outros jogos, sendo estes França x Irlanda e País de Gales x Escócia.

Foto de Capa: Six Nations Rugby

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