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Desde cedo ficou visível a qualidade do prodígio chinês. Ainda com 15 anos, foi campeão mundial na categoria de sub-21 e aos 16 tornou-se profissional.
Em 2005, com 18 anos, Ding venceu o seu primeiro troféu World Ranking, ao bater o mítico Stephen Hendry por 9-5 na final do Open da China.
Este seria o primeiro de 21 torneios conquistados enquanto profissional (13 deles pontuáveis para o Ranking).
Logo no início da sua carreira, Ding Junhui foi considerado o melhor chinês de sempre numa modalidade que, até ao seu aparecimento, não tinha grande historial no seu país. O seu crescimento enquanto jogador e o investimento asiático no snooker levou a que, depois de Ding Junhui, não tenham parado de aparecer jogadores chineses com imenso potencial.

Fonte: Ding Junhui
Liang Wenbo, Yan Bingtao, Xiao Guodong, Zhou Yuelong, Li Hang ou Yu Delu, todos eles já membros do Top-50 do ranking mundial, começam a passar a imagem de que a China chegou para ficar no mundo do snooker, com o objectivo de se tornar uma das forças dominantes da modalidade.
Num ápice, a fama de “melhor jogador chinês de snooker” começou a parecer curta para a qualidade e potencial de Ding Junhui e logo surgiram as primeiras vozes a reclamar maiores créditos para o jogador. Começou a ser unânime dentro do circuito mundial a ideia de que Ding Junhui era um dos jogadores dominantes da modalidade e crónico candidato aos principais troféus, com expoente máximo no mundial disputado anualmente no Crucible Theatre, em Sheffield, Inglaterra.
Os anos vieram dar razão a quem defendia essa ideia, uma vez que Ding Junhui nunca mais largou os lugares cimeiros do ranking mundial e tem sido uma constante a sua presença nas fases decisivas dos torneios.
A título de exemplo, apesar de ainda não ter conseguido levar para casa o troféu mais disputado do circuito mundial, o chinês já atingiu a final do mundial uma vez (2016) e foi semifinalista noutras duas ocasiões (2011 e 2017)
Depois de até conseguir um início de época 2017/2018 bastante inspirador, ao vencer o World Open em Setembro de 2017, subitamente, e, quando nada o fazia prever, Ding Junhui eclipsou-se. Desde aí, todas as suas prestações têm roçado o desastre.
Ao longo desta época, Ding Junhui participou em 11 torneios e, com excepção do já referido World Open, o melhor que o chinês conseguiu foi atingir os Quartos-de-Final do German Masters.

Fonte: World Snooker
Nos restantes torneios, em quatro ocasiões foi eliminado logo na primeira eliminatória dos torneios em que participou e, em outras duas, foi eliminado na segunda.
Para que se tenha uma noção do quão distante estes resultados estão do que o jogador já demonstrou ser capaz ao longo dos anos, nos 209 torneios disputados em toda a carreira, Ding Junhui atingiu pelo menos os Quartos-de-Final das competições em 78 ocasiões (37% das vezes).
Indo um pouco mais ao detalhe, dos 29 encontros disputados por Junhui esta época, o chinês venceu “apenas” 19 (65,52%). Um registo que se encontra muito longe do alcançado, por exemplo, na época 2013/2014, uma das melhores da sua carreira, em que venceu 70 dos 85 encontros disputados (82,35%).
Nessa época, o chinês venceu 5 torneios (Shanghai Masters, Indian Open, International Championship, German Masters e China Open), em 7 finais disputadas, tornando-se apenas o segundo jogador a conseguir atingir este número de troféus numa única época. Apenas Stephen Hendry o tinha feito até a essa data.
Este mau momento do jogador chinês não se reflecte apenas nas eliminações precoces das competições em que participa, sendo também visível na qualidade do snooker que tem praticado ao longo do ano.
Em toda a carreira, o chinês já conseguiu tacadas superiores a 100 pontos em mais de 460 ocasiões, tendo em cinco delas alcançado a mítica pontuação 147. Até ao momento, em 2017/2018, apenas conseguiu juntar a esta lista 13 Centuries, um número que se encontra muito aquém da sua média e, inclusivamente, ainda está abaixo do que conseguiu logo na sua primeira época enquanto profissional, aos 16 anos (17 Centuries).
São vários os factores que podem estar a influenciar este mau momento da carreira de Ding Junhui. Desde logo, o falecimento da sua mãe, de quem o jogador era muito próximo, em Abril do ano passado, vítima de cancro.

Fonte: World Snooker
Juntando ao abalo psicológico, existe ainda a vertente física, onde Ding Junhui também não está a ter um ano fácil. É público que, ao longo desta época, o chinês tem sido afectado por alguns problemas de visão.
Qualquer avaliação do impacto destas questões no jogo de Ding Junhui seria um exercício meramente especulativo. Apenas Ding Junhui o poderá quantificar de forma mais precisa.
Certo é que, contando já com 30 anos, é fundamental que o jogador consiga dar a volta à situação de forma rápida para que se consiga manter no topo e possa continuar a sonhar com o tão desejado título de campeão mundial.
O snooker é, cada vez mais, uma modalidade competitiva, onde ano após ano aparecem jovens com muito potencial, sedentos de glória, e que querem tomar o lugar destes jogadores mais experientes. É por isto importante que Ding não se deixe ultrapassar por estes jogadores, para não correr o risco de ficar para sempre na sombra dos mesmos.
Pensando não só na carreira de Ding Junhui, mas também no bem-estar da modalidade, que bom seria para o snooker voltar a ter a melhor versão de Ding Junhui nas mesas de snooker espalhadas pelo mundo fora, o quanto antes. De preferência ainda a tempo de uma grande prestação no mundial deste ano.
Nota: À data da elaboração deste artigo, Dig Junhui iniciava a sua participação no Ladbrokes World Grand Prix 2018, não tendo sido considerados quaisquer dados desta participação, pelo que todos os dados presentes neste artigo podem estar desactualizados num curto espaço de tempo.
Foto de Capa: World Snooker
Revisto por: Rita Manique













