Mundial de Snooker 21, capítulo 2: Os oitavos-de-final

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Segunda metade do quadro
Neil Robertson (13-9) Jack Lisowski: Bem diziam que ele era favorito…

Neil Robertson está a jogar barbaridades. E quando enfrenta um jogador virtuoso como Lisowski, o resultado inevitável é uma “jogatana” de excelência. E este encontro, apesar de algum desequilíbrio no resultado final, foi precisamente isso. Ambos os jogadores exibiram um nível altíssimo, sobretudo nas segunda e terceira sessões. Dos 22 frames que disputaram, 19(!) tiveram entradas de mais de 50 pontos. Neil Robertson teve 12 (incluindo quatro centenárias) e Jack Lisowski fez sete (incluindo uma centenária).

Em apenas três frames não vimos um ou outro fazerem um break de 50 pontos para cima… e foram todos na primeira sessão. Percebe-se, então, que os frames foram quase sempre desequilibrados. No entanto, houve vários momentos de equilíbrio no marcador. O encontro esteve empatado a um, a três, a cinco e a seis. A partir do 12º jogo, no entanto, o campeão mundial de 2010 fugiu no marcador e arrecadou os sete frames que lhe deram a vitória em apenas dez jogos.

Pelo meio, “The Jack-pot” Lisowski fez a sua centenária, mas cedeu perante um intragável australiano. O favoritismo, como o balão do João, sobe, sobe sem parar…

 

Barry Hawkins (10-13) Kyren Wilson: Hawk abatido por um Warrior cada vez mais mortífero

Mais. Um. Jogaço. Na margem oposta de Higgins vs Williams, este era o único jogo sem campeões do Mundo. Não deixou de ser excelente. Em 23 frames, 22 entradas acima de 50 pontos – onze para cada. Em dois frames (10º e 13º), ambos os jogadores as fizeram, pelo que as 22 entradas foram registadas em 20 dos 23 jogos. Tal como na partida acima, em apenas três frames não vimos um ou outro fazerem um break de 50 pontos para cima – um em cada sessão.

Quer o Falcão, quer o Guerreiro apontaram duas centenárias (123 e 107, para Hawkins; 107 e 102, para Wilson). A primeira centenária de Hawkins valeu-lhe a vantagem de 4-3, anulada por Wilson. Foi com um 4-4 que saímos da primeira sessão. Na segunda, Kyren decidiu pegar no equilíbrio e jogá-lo para fora do Crucible: venceu cinco frames consecutivos, todos com entradas acima de 50 pontos (contando o frame que lhe deu o 4-4, ainda na sessão anterior, foram seis jogos em sequência com entradas de 50+ pontos).

“O que fazes, eu faço melhor”, pensou o Falcão. Melhor não fez, mas fez igual: amealhou cinco frames consecutivos (com quatro entradas superiores a 50, incluindo uma centenária) e empatou o jogo a nove. Estávamos já na terceira sessão.

Wilson, 13 anos mais novo, mostrou ter a experiência de um veterano e não tremeu perante um adversário que havia, no dia 23 de abril, feito 42 anos. Venceu dois frames, perdeu outro e voltou a vencer dois seguidos. Fechou com chave de ouro – 102 pontos – e vai em busca da segunda final consecutiva do Mundial. Para já, está pela sexta vez nos quartos… em sete presenças no Crucible. The future is here!

 

Yan Bingtao (7-13) Shaun Murphy: Vitória? Check! Tacada mais alta? Check!

Aos 21 anos, Yan Bingtao tem um futuro extraordinário pela frente. Shaun Murphy não quis saber disso para nada. O jovem chinês deu luta, mas Murphy não permitiu sequer que a terceira e última sessão tivesse uma segunda parte. Murphy também não permitiu que Bingtao conquistasse mais de dois frames consecutivos (só o fez uma vez, ao reduzir de 8-2 para 8-4) e manteve-o sempre a uma distância confortável – ou bastante desconfortável, na perspetiva de Yan.

No fundo, o campeão mundial de 2005 não permitiu que Bingtao sonhasse. A exibição do inglês nem foi a mais vistosa dos oitavos-de-final, mas foi muito consistente. Murphy fez apenas sete entradas acima de 50 pontos em 20 frames (Bingtao fez oito, mas no mesmo número de frames – sete), duas delas centenárias. Mas foi suficiente.

Bingtao também fez duas centenárias (100 e 101 pontos), mas o Magician não errou nenhum dos seus truques e segue em frente. Pelo meio, Murphy efetuou um break de 144 pontos, que é, até ao momento, a tacada mais alta do torneio (superou os 143 feitos nos qualifiers por Mark Davis, que Shaun havia eliminado na ronda anterior).

 

Judd Trump (13-8) David Gilbert: Ele ainda é o número um do Mundo, Neil…

Robertson foi apontado pelo BnR – e pelas casas de apostas – como o favorito. Trump parece não ter gostado muito e decidiu trazer para o Crucible Theatre a melhor versão de si mesmo. Depois do 10-4 a Liam Highfield, aplicou 13-8 a David Gilbert. No total, concedeu 12 frames (o que não seria suficiente para ser batido em nenhuma ronda exceto os 16-avos), tantos quantos Neil Robertson e apenas mais do que os concedidos nas duas primeiras rondas por Selby e Williams.

Judd Trump mostrou frente a Gilbert ser um dos quatro favoritos à conquista do cetro, a par dos três mencionados. O campeão mundial de 2019 saiu em vantagem da primeira sessão (5-3) e dilatou-a na segunda (alcançou os 11-5). Na terceira sessão, sofreu mais do que se perspetivava, por culpa própria, mas fechou mesmo o encontro com um 13-8 garantido já depois do intervalo da sessão.

Não quebrou a Maldição do Crucible, o ano passado, mas está com fome de se sagrar bicampeão em 2021. Será o homem que precedeu O´Sullivan a revelar-se também o seu sucessor?

Márcio Francisco Paiva
Márcio Francisco Paivahttp://www.bolanarede.pt
O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.

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