O dia número dois começou com algum mau tempo e com uma ondulação fraca, porém, isso não foi um obstáculo para que os surfistas mostrassem a sua habilidade nas ondas de Peniche. Assim, houve uma segunda hipótese para aqueles que não tinham arranjado um bilhete para a Round of 32 conseguissem ainda apanhar o barco penicheiro que os levasse para a próxima ronda. 

UMA SEGUNDA OPORTUNIDADE APROVEITADA PELOS PORTUGUESES

O primeiro heat começou com logo um português em disputa por um lugar. Miguel Blanco foi o primeiro a entrar em água no dia dois do Pro Portugal e esteve muito bem ao conseguir a tal qualificação que lhe tinha escapado no primeiro dia de competição. A segunda e a sétima ondas foram as suas melhores, e mais do que suficientes para ficar em segundo lugar – com um total de 9.87 – e passar no seu heat juntamente com o australiano Owen Wright, que foi líder com 10.96.

Frederico Morais foi o segundo português, e o último na Elimination Round, a mostrar que queria mais na prova do seu país e fê-lo da melhor maneira. “Kikas”, como é conhecido no mundo do Surf, conseguiu apenas na última onda (7.43) a possibilidade de prosseguir ainda em prova. Quem passou também com o português do seu heat foi o brasileiro Jesse Mendes, que fez um total de 12.76. É questão de dizer que foi na última que o português se safou, mas foi com muito estilo.

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Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Foi uma questão de aproveitar a segunda oportunidade e foi o que Miguel Blanco e Frederico Morais fizeram. Os dois surfistas juntavam-se a Vasco Ribeiro, que já tinha assegurado um lugar no primeiro dia com um segundo lugar no seu heat. Portugal contava assim com três surfistas na Round of 32, algo que foi aplaudido pelos muitos que viam do areal a competição. Os portugueses só não acreditavam naquilo que aconteceria durante a tarde… Depois de uma manhã perfeita para as cores lusas, com o passar das horas, o pior cenário acabou por se vir a confirmar.

A BRAZILIAN STORM VOOU MAIS ALTO E DEITOU A ARMADA LUSA POR TERRA

Com o entardecer, o sol resolveu dar um ar da sua graça e abrilhantar o Round of 32 que se iniciava. No areal da praia de Supertubos, a ansiedade de ver os representantes portugueses na água era grande. Vasco Ribeiro foi o primeiro dos três a entrar em cena. Num duelo contra o atual número dois do mundo, Filipe Toledo, o português ainda se agigantou durante a primeira metade do heat e manteve a disputa em aberto, no entanto, o brasileiro acabou por elevar o nível e com os seus 14.60 pontos levar de vencido o representante luso que fez apenas 10.10 pontos.

Seguiu-se um duelo de campeões, Miguel Blanco, atual campeão nacional, mediu forças com Gabriel Medina, campeão mundial e atual líder do ranking. Com um inicio de bateria promissor, o português ainda conseguiu colocar o canarinho em sentido, mas, tal como aconteceu com o seu compatriota Filipe Toledo, também Gabriel Medina viu a sua aposta nas manobras aéreas dar frutos e carimbou assim a passagem à próxima fase da competição.

A última esperança dos portugueses recaía sobre Frederico Morais, o último dos três a entrar em prova. Depois de ser responsável pela eliminação de Ítalo Ferreira na prova brasileira, os seus destinos voltaram a cruzar-se. Se inicialmente Kikas ainda conseguiu impor o seu surf e liderar o heat, a partir do momento em que Italo começou a voar, os papéis inverteram-se. Graças a dois aéreos, o brasileiro acabou por deixar Frederico em combinação e acabar assim com as esperanças dos portugueses.

Esta foi uma ronda com poucas surpresas. Dos surfistas pertencentes ao top 10, apenas Jeremy Flores, Owen Wright e Julian Wilson foram eliminados. De destacar ainda a prestação dos surfistas brasileiros que aproveitaram bem as rampas de Peniche para carimbar o acesso à próxima ronda da competição. 

O próximo call está agendado para amanhã às sete e meia da manhã.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo de Opinião de Beatriz Marques e João Pedro Barbosa

Artigo revisto por Joana Mendes