À Conversa Com o Jovem Tenista – Entrevista a Alexandre Ribeiro

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BnR: Tendo em conta as grandes diferenças em termos de condições (instalações, orçamento, nº de atletas, cultura) na tua opinião, o que é que o ténis e os responsáveis por ele em Portugal podem e devem aprender com os Estados Unidos, para que o nosso ténis possa atingir patamares superiores?

AR: Na minha opinião acho que tudo começa pelas prioridades daqueles que mandam no ténis em Portugal, creio que estão muito mal definidas. Enquanto se preocuparem mais com pintar o Centro de Alto Rendimento do Jamor [CAR] por fora, do que com tapar os buracos que estão no teto há muito tempo não vamos a lado nenhum, para dar um exemplo concreto. Os diretores da Federação Portuguesa de Ténis responsáveis não fazem ideia do que hão-de fazer, simplesmente não sabem o que fazer para melhorar o ténis em Portugal. Fica muito difícil para os atletas com talento darem passos para a frente se não tiverem os conhecidos certos, e isso acaba por ditar o futuro de muita gente.

BnR: A responsabilidade passa também pelos treinadores e clubes?

AR: Acho que há bons treinadores mas muitos dos clubes não têm condições para suportar e apoiar devidamente um bom grupo de atletas de alta-competição. Uma das coisas que senti enquanto estava em Portugal foi que muitas vezes o facto de um atleta não estar a entregar-se como devia ao treino era meio indiferente para o treinador. Aqui isso é impensável pois os treinadores preocupam-se muito connosco e procuram ajudar-nos sempre e motivar-nos de forma a rendermos mais. Recordo-me de um episódio engraçado, em que o meu treinador me estava sempre a relembrar de que tinha de ficar mais forte (o que obviamente é verdade [risos]) então enquanto esperávamos o avião para o Texas ele não só me obrigou como me acompanhou em várias séries de flexões mesmo em frente à porta de embarque.

O momento das flexões em pleno aeroporto Fonte: Galeria Pessoal de Alexandre Ribeiro
O momento das flexões em pleno aeroporto
Fonte: Galeria Pessoal de Alexandre Ribeiro

BnR: Achas que em Portugal os atletas têm de fazer muito mais esforços para conseguir ter sucesso?

AR: Sendo o país que é em termos económicos, não fica fácil para os atletas pagarem deslocações regulares ao estrangeiro para jogar torneios melhores, mas também vejo com bons olhos o esforço que tem sido feito em conjunto com a ITF [Federação Internacional de Ténis] para que haja cada vez mais Futures em Portugal, só beneficia os nossos atletas e por aí os responsáveis estão de parabéns.

BnR: Tens ambição de regressar a curto-prazo a Portugal, ou achas que os EUA te oferecem as condições que desejas para continuar a competir?

AR: Sinceramente ainda não sei o que quero fazer no futuro, se jogar ou trabalhar, mas claramente que gostava muito e é o que tenho na minha cabeça, regressar a Portugal quando terminar o curso para me juntar à minha família mas tudo depende das ofertas tenísticas ou profissionais que eu tiver nessa altura, ainda tenho mais de dois anos para perceber o que quero fazer. Gostava muito de voltar a Portugal como resultado de uma chamada à seleção nacional, seria um sonho tornado realidade, mas vamos ver o que acontece nos próximos anos.

Perguntas Rápidas:

BnR: Se tiveres bilhete para um jogo da NFL (futebol americano) ou da NBA (Basquetebol) a qual preferes ir?

AR: Tendo em conta que um jogo da NFL pode demorar quase 4 horas, escolhia obviamente NBA.

BnR: Comida tradicional Portuguesa ou fast-food Americano?

AR: Mil vezes mais a comida portuguesa!

BnR: Sol no Algarve ou em Virginia?

AR: Tendo em conta que cheguei a apanhar 19 graus negativos em Virginia, claramente o sol algarvio.

BnR: Quem vence daqui a sensivelmente 15 dias, em Roland Garros?

AR: Rafa [Nadal] ganha o 10º em Roland Garros.

Foto de Capa: Facebook de Alexandre Ribeiro

Henrique Carrilho
Henrique Carrilhohttp://www.bolanarede.pt
Estudante de Economia em Aarhus, Dinamarca e apaixonado pelo desporto de competição, é fervoroso adepto da Académica de Coimbra mas foi a jogar ténis que teve mais sucesso enquanto jogador.                                                                                                                                                 O Henrique escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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