Frederico Silva concluiu mais uma temporada tenística subindo 300 lugares no ranking mundial masculino. Aquela que é a maior esperança do ténis nacional subiu mais uns degraus de forma consistente, sem “embandeirar em arco” e dando mostras de que as Caldas da Raínha continuam a ter estofo para o seu crescimento.

O jovem tenista das Caldas da Raínha disputou 148 encontros, jogando 99 em singulares e 49 em pares e conseguindo jogar seis finais onde saiu como segundo classificado e duas vitórias. De referir ainda que em eventos Future Frederico Silva perdeu apenas duas vezes na ronda inaugural.

Com 19 anos, Frederico Silva é já o quarto melhor português no ranking mundial, a cinco anos de Gastão Elias (segundo melhor português), a seis de João Sousa (melhor português) e a onze anos de Rui Machado (terceiro melhor português). Face a estes dados pede-se um futuro brilhante ao pupilo de Pedro Felner, mas “nem tudo são rosas”.

Frederico Silva atravessa a fase da transição a 100% para tenista sénior e profissional e este ano demonstrou já ter estofo para tal, disputando torneios séniores em todo o mundo, alguns da categoria Challenger (o equivalente à segunda divisão) com resultados surpreendentes neste nível. É importante manter os pés assentes na terra e seguir a mesma linha desta temporada.

As Caldas da Rainha, campeãs nacionais por equipas em masculinos e femininos, continuam assim a provar ser a casa ideal para Frederico Silva, que, sob a direcção técnica de Pedro Felner, volta a provar que muitas das vezes o pecado capital é deixar o treinador com quem se nasceu para a modalidade. Frederico Silva é um produto de Pedro Felner e não há melhor do que o técnico caldense para o acompanhar até uma fase de grande maturidade profissional.

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Certa vez, um amigo ligado a outra área de negócio disse-me que muitas das vezes o erro é deixarem cedo de mais quem “os criou”, e no ténis – no desporto em geral – a história é a mesma.

Muitos atletas deixam os técnicos que os “criaram” e que os levaram ao profissionalismo, obtendo depois dessa quebra de ligação maus resultados e voltando muitas das vezes com a palavra atrás. Frederico Silva parece estar a gerir bem a sua carreira, mantendo-se fiel às suas origens, treinando-se com os mesmos técnicos – embora fazendo algumas experiências no estrangeiro de forma a obter outras vivências, mas sabendo que as Caldas da Raínha continuam a ser a sua casa.

Sem tirar mérito a todos os que triunfaram recorrendo ao estrangeiro, e seja um tenista, um músico ou outra qualquer pessoa, os que triunfam “made in” Portugal têm mais mérito do que os que triunfam recorrendo ao estrangeiro, isto porque, por norma, triunfar cá dentro exige sempre o dobro do esforço.