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É sabido que a terra batida é a superfície mais diferente do circuito e, por isso, a transição para a terra é a mais agressiva de todas e a que obriga a maior adaptação. Foi exatamente isso que se viu neste torneio (ATP). Os melhores jogadores deste torneio vieram do Open da Austrália, jogado em piso duro que até, segundo os relatos dos jogadores, este ano esteve especialmente rápido, o que dificulta ainda mais a transição.

João Sousa e Pedro Sousa foram dos que participaram no torneio australiano e, apesar do cansaço não ser um fator porque foram os dois eliminados na primeira ronda, a transição para terra era, certamente, uma preocupação a ter em conta. Os portugueses tiveram um sorteio que antevia algumas dificuldades, mas, ao mesmo tempo, não teriam uma tarefa inalcançável.

João Sousa, ainda número um português, tinha Roberto Carballes Baena como adversário. O espanhol é um especialista em terra batida que é, sem dúvida, o piso onde tem os melhores resultados da sua carreira. Ambos tiveram um ano de 2020 pouco positivo, mas o espanhol ainda assim conseguiu chegar à terceira ronda de Roland Garros onde acabou por somar grande parte dos pontos da época passada.

Pedro Sousa, número dois nacional, ia ter pela frente um jogador da casa, Federico Delbonis. Delbonis é um jogador experiente que já foi número 33 do mundo, e que, durante o ano passado, conseguiu chegar aos quartos-de-final em três torneios da categoria ATP 250 e, a jogar em casa, queria fazer uma boa prestação neste torneio.

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O João Sousa nunca conseguiu entrar verdadeiramente na discussão do encontro, durante toda a partida teve apenas um ponto de break e enfrentou 15, o que diz bem da prestação do português. Pedro Sousa, por sua vez, esteve bem mais dentro do encontro, mas um azar acabou por dificultar muito a vida ao lisboeta. No primeiro set, o português conseguiu recuperar o break abaixo e estava a crescer no encontro quando, num break point a seu favor, torceu o pé numa aproximação à rede e esta lesão, que motivou até paragem para assistência médica, fê-lo perder cinco jogos seguidos para perder o primeiro set e começar mal o segundo, o que acabou por hipotecar bastante uma melhor prestação e possível vitória.

No resto do torneio, a jogar em casa, os tenistas argentinos tiveram uma prestação memorável que, não fosse a surpreendente derrota de Diego Schwartzman nos quartos-de-final, teria sido marcada pela presença de quatro argentinos nas meias-finais, garantindo desde logo que o título seria entregue a um jogador da casa, mas a vitória do experiente espanhol Albert Ramos Viñolas estragou os planos a Schwartzman.

Os outros semifinalistas eram jogadores que nunca sequer tinham chegado a esta fase de um torneio ATP, Federico Coria, Facundo Bagnis e Juan Manuel Cerúndolo, este último, de 19 anos, estava a disputar o seu torneio de estreia no principal circuito masculino de ténis.

O decorrer das partidas ditou que, na final, se encontrassem o mais experiente e o mais novato, dos últimos quatro. Ramos Viñolas tentava contrariar a sua malapata em finais, ele que em oito finais disputadas tinha apenas dois títulos, e Cerúndolo tentava fazer aquilo que apenas quatro homens haviam feito na História da modalidade, vencer o seu torneio de estreia no circuito ATP.

O jovem argentino mostrou de imediato ao que vinha e que a chegada à final não era nem sorte, nem suficiente para as suas ambições, vencendo o primeiro set com um parcial esclarecedor de 6-0. Na segunda partida, o espanhol elevou bastante o nível e conseguiu mesmo vencer o parcial por 6-2, adiando a decisão do título para o terceiro set. Neste terceiro set, o espanhol entrou melhor vencendo os dois primeiros jogos, mas ainda assim, ao contrário do que muitas vezes é comum, o estreante mostrou-se extraordinariamente calmo e assertivo obrigando, em muitas ocasiões, Ramos Viñolas a variar o jogo para criar desequilíbrios que acabaram por quase nunca resultar. Esta postura fez com que Cerúndolo vencesse os seis jogos seguintes sagrando-se campeão do ATP de Córdoba na sua estreia no circuito, apenas com 19 anos de idade. Para além deste feito histórico, Juan Cerúndolo, número 335 à entrada para esta semana, conseguiu ser também o jogador com o quinto ranking mais baixo de sempre a vencer um torneio ATP. Com esta vitória, o argentino vai escalar muito na classificação ATP, subindo mais de 150 lugares para o número 181 do ranking. Não o era até então, mas, depois desta semana, tornou-se claramente um nome a ter em conta para o futuro.

Foto de Capa: ATP Tour

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