ATP Finals: Medvedev é o último campeão em Londres

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Naquela que foi a despedida da prova que todas as épocas consagra o melhor entre os melhores da O2 Arena, em Londres, os motivos de interesse eram muitos: Novak Djokovic procurava igualar o recorde de Roger Federer na competição, enquanto Rafael Nadal perseguia ainda o seu primeiro troféu no torneio. No entanto, e à imagem da últimas edições das ATP Finals, o título voltou a acabar nas mãos de um tenista que nunca tinha vencido a prova.

Estreantes sem hipóteses

Ainda que Stefanos Tsitsipas tenha conseguido vencer as ATP Finals na sua estreia na competição, a prova de fim de época não é, por norma, muito simpática para os menos habituados a estas andanças – o próprio Djokovic estreou-se na prova, em 2008, com três derrotas na fase de grupos, tal como Daniil Medvedev o fez na época passada.

Não é por isso muito surpreendente que tanto Andrey Rublev, como Diego Schwartzman tenham tido uma passagem fugaz por esta edição. O russo ainda conseguiu uma vitória contra Dominic Thiem na última jornada da fase de grupos, embora tenha ficado bem patente que o austríaco optou por gerir o esforço num encontro sem qualquer influência nas contas do grupo, contudo, enquanto um dos jogadores com mais vitórias em 2020, esperava-se mais do número oito do ranking ATP.

Em relação ao argentino, as expectativas eram menores, até porque a prova não é disputada no seu piso de eleição. Ainda assim, sair de prova com três derrotas e apenas um set ganho, no encontro contra Alexander Zverev, não pode ser considerada, de todo, uma participação feliz para a maior surpresa no elenco do torneio.

Djokovic falha recorde de Federer, Nadal deixa fugir nova oportunidade

Crónicos candidatos ao título em qualquer torneio em que participem e apesar de continuarem a exercer um domínio assinalável no circuito masculino, Djokovic e Nadal estão há já largos anos arredados do troféu nas ATP Finals. Na verdade, o espanhol ainda não tem qualquer vitória na competição, embora tenha garantido o apuramento para a prova em praticamente todas as edições desde que saltou para a ribalta do desporto.

O seu último resultado de relevo foi uma meia-final em 2015, resultado que repetiu nesta edição. Ainda que o seu objetivo tenha sido falhado e desperdiçada mais uma oportunidade para colmatar a principal lacuna do seu currículo, Nadal foi um dos melhores da competição, ao mostrar-se ao seu melhor nível – muito melhor do que no ATP Masters 1000 de Paris – e rubricar exibições impressionantes, sobretudo na fase de grupos. Caiu para Medvedev depois de ter servido para fechar o encontro em duas partidas, mas fica a ideia de que o seu nível exibicional poderia perfeitamente ter chegado para o título.

Por sua vez, Djokovic ficou aquém do esperado. Conseguiu empurrar a discussão da meia-final frente a Thiem até ao tie-break do terceiro set, mas nunca se lhe viu o ténis dominador que exibiu durante boa parte desta atípica temporada. A derrota frente a Medvedev na fase de grupos deixou isso por demais evidente, com o russo a levar a melhor sem problemas de maior. A última vitória de Djokovic nas ATP Finals data de 2015 e, desde então, o sérvio continua, sem sucesso, a tentar alcançar o recorde de seis vitórias de Federer na competição.

Nadal vs Thiem: um dos melhores encontros do ano

Não foi a final do torneio, mas podia perfeitamente ter sido, até porque Nadal chegou a servir para reencontrar Thiem no encontro decisivo da prova. Não apenas pelos dois nomes envolvidos, mas sobretudo pela incrível qualidade de jogo apresentada por ambos. O desafio entre o espanhol e o austríaco, uma das mais interessantes rivalidades dos últimos anos no circuito, na segunda jornada da fase de grupos foi o melhor encontro do torneio e um dos melhores do ano.

Certamente era que isto se pretendia quando as ATP Finals foram idealizadas, isto é, que a prova reunisse os melhores da época para uma alta concentração de jogos de alto nível num curto espaço de tempo. Infelizmente, diferentes momentos de forma e a diferença de rodagem nestas andanças entre os participantes, nem sempre permitem encontros memoráveis.

No entanto, o confronto entre Nadal e Thiem foi efetivamente memorável, com uma enormidade de winners, pouquíssimos erros não forçados e os dois tenistas a jogar ao seu melhor nível em simultâneo durante todo o encontro. Lamenta-se apenas que o encontro tenha ficado resolvido em duas partidas – mais longas do que muitos jogos de três sets – e não tenha desembocado num set decisivo.

Foto de capa: ATP Tour

Pedro Marques dos Santos
Pedro Marques dos Santoshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro Marques dos Santos é atualmente estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Porto, onde procura concluir a sua formação enquanto jornalista antes de entrar no mercado de trabalho. A paixão pelo desporto começou no Futebol, com as conquistas europeias do Porto de Mourinho, mas entretanto apaixonou-se pelo Ténis e é aí que foca mais as suas atenções. Quando não está a ver ou praticar desporto – sobretudo a ver -, está provavelmente a gastar horas num videojogo.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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