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ATP Finals: Medvedev é o último campeão em Londres

Pedro Marques dos Santos · 7 min

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Naquela que foi a despedida da prova que todas as épocas consagra o melhor entre os melhores da O2 Arena, em Londres, os motivos de interesse eram muitos: Novak Djokovic procurava igualar o recorde de Roger Federer na competição, enquanto Rafael Nadal perseguia ainda o seu primeiro troféu no torneio. No entanto, e à imagem da últimas edições das ATP Finals, o título voltou a acabar nas mãos de um tenista que nunca tinha vencido a prova.

Estreantes sem hipóteses

Ainda que Stefanos Tsitsipas tenha conseguido vencer as ATP Finals na sua estreia na competição, a prova de fim de época não é, por norma, muito simpática para os menos habituados a estas andanças – o próprio Djokovic estreou-se na prova, em 2008, com três derrotas na fase de grupos, tal como Daniil Medvedev o fez na época passada.

Não é por isso muito surpreendente que tanto Andrey Rublev, como Diego Schwartzman tenham tido uma passagem fugaz por esta edição. O russo ainda conseguiu uma vitória contra Dominic Thiem na última jornada da fase de grupos, embora tenha ficado bem patente que o austríaco optou por gerir o esforço num encontro sem qualquer influência nas contas do grupo, contudo, enquanto um dos jogadores com mais vitórias em 2020, esperava-se mais do número oito do ranking ATP.

Em relação ao argentino, as expectativas eram menores, até porque a prova não é disputada no seu piso de eleição. Ainda assim, sair de prova com três derrotas e apenas um set ganho, no encontro contra Alexander Zverev, não pode ser considerada, de todo, uma participação feliz para a maior surpresa no elenco do torneio.

Djokovic falha recorde de Federer, Nadal deixa fugir nova oportunidade

Crónicos candidatos ao título em qualquer torneio em que participem e apesar de continuarem a exercer um domínio assinalável no circuito masculino, Djokovic e Nadal estão há já largos anos arredados do troféu nas ATP Finals. Na verdade, o espanhol ainda não tem qualquer vitória na competição, embora tenha garantido o apuramento para a prova em praticamente todas as edições desde que saltou para a ribalta do desporto.

O seu último resultado de relevo foi uma meia-final em 2015, resultado que repetiu nesta edição. Ainda que o seu objetivo tenha sido falhado e desperdiçada mais uma oportunidade para colmatar a principal lacuna do seu currículo, Nadal foi um dos melhores da competição, ao mostrar-se ao seu melhor nível – muito melhor do que no ATP Masters 1000 de Paris – e rubricar exibições impressionantes, sobretudo na fase de grupos. Caiu para Medvedev depois de ter servido para fechar o encontro em duas partidas, mas fica a ideia de que o seu nível exibicional poderia perfeitamente ter chegado para o título.

Por sua vez, Djokovic ficou aquém do esperado. Conseguiu empurrar a discussão da meia-final frente a Thiem até ao tie-break do terceiro set, mas nunca se lhe viu o ténis dominador que exibiu durante boa parte desta atípica temporada. A derrota frente a Medvedev na fase de grupos deixou isso por demais evidente, com o russo a levar a melhor sem problemas de maior. A última vitória de Djokovic nas ATP Finals data de 2015 e, desde então, o sérvio continua, sem sucesso, a tentar alcançar o recorde de seis vitórias de Federer na competição.

Nadal vs Thiem: um dos melhores encontros do ano

Não foi a final do torneio, mas podia perfeitamente ter sido, até porque Nadal chegou a servir para reencontrar Thiem no encontro decisivo da prova. Não apenas pelos dois nomes envolvidos, mas sobretudo pela incrível qualidade de jogo apresentada por ambos. O desafio entre o espanhol e o austríaco, uma das mais interessantes rivalidades dos últimos anos no circuito, na segunda jornada da fase de grupos foi o melhor encontro do torneio e um dos melhores do ano.

Certamente era que isto se pretendia quando as ATP Finals foram idealizadas, isto é, que a prova reunisse os melhores da época para uma alta concentração de jogos de alto nível num curto espaço de tempo. Infelizmente, diferentes momentos de forma e a diferença de rodagem nestas andanças entre os participantes, nem sempre permitem encontros memoráveis.

No entanto, o confronto entre Nadal e Thiem foi efetivamente memorável, com uma enormidade de winners, pouquíssimos erros não forçados e os dois tenistas a jogar ao seu melhor nível em simultâneo durante todo o encontro. Lamenta-se apenas que o encontro tenha ficado resolvido em duas partidas – mais longas do que muitos jogos de três sets – e não tenha desembocado num set decisivo.

Foto de capa: ATP Tour

Medvedev vs Thiem: Numa final nem sempre bem jogada, ganhou a resistência física

Os dois vencedores dos respetivos grupos, esta não era a final mais esperada, mas o rendimento de ambos, sobretudo nos encontros contra Djokovic e Nadal, fez de Medvedev e Thiem justíssimos finalistas. O frente-a-frente dava vantagem ao austríaco, vencedor de três dos quatro encontros entre os dois, tendo superado o russo por 3-0 nas meias-finais do US Open, durante a sua caminhada até ao título.

Enquanto Thiem disputava a sua segunda final consecutiva, após a derrota no ano anterior com Tsitsipas, Medvedev tinha hipóteses de alcançar vários registos histórias. Um deles era a possibilidade de repetir o feito de Djokovic que, após somar três derrotas na sua estreia no torneio, regressou no ano seguinte para conquistar logo o título. Para além disso, poderia ser o primeiro tenista a ganhar aos três melhores classificados do ranking na mesma edição das ATP Finals, e apenas o quarto a fazê-lo em qualquer torneio nos últimos 30 anos.

Como se poderia antever, o arranque do primeiro set foi caracterizado por jogos de serviço bastante competitivos e disputados, com o maior poder de fogo de Thiem a esbarrar na capacidade defensiva e de contra-ataque de Medvedev. Ainda assim, apesar de terem aproveitado o serviço para evitar problemas nos seus jogos iniciais – o austríaco teve de salvar pontos de break no seu primeiro jogo de serviço -, ambos denotavam algum nervosismo e tensão, cometendo alguns erros não forçados incaracterísticos.

Thiem acabou por ser o primeiro a adiantar-se no marcador, ao conseguir a quebra de serviço num jogo em que o russo esteve a liderar por 40-0 e acabou por ceder o break com uma dupla falta. O set seguiu depois ao ritmo do serviço, com equilíbrio, mas demasiados erros. A conseguir ganhar os pontos importantes nos momentos mais apertados, o austríaco selou a primeira partida por 6-4, em 50 minutos.

O segundo set começou na mesma toada do primeiro, com uma cadência irregular, entre winners e erros não forçados. A esquerda de Thiem era responsável pelos pontos mais espetaculares do encontro nesta fase, momento em que o austríaco ia ganhando os seus jogos de serviço de forma tranquila, enquanto Medvedev continuava a complicar jogos que pareciam fáceis. Ainda assim, sobreviveu a uma longa batalha aos 2-2, ao salvar um ponto de break com um ace.

Com uma baixa percentagem de primeiras bolas, o russo voltou a ter problemas aos 3-3, mas erros de Thiem junto à rede permitiram que não sofresse o break. No jogo seguinte, foi a vez do número três da hierarquia mundial sentir dificuldades no serviço, mas à semelhança do primeiro set, voltou a sair por cima nos pontos decisivos.

Com os servidores a imporem-se, a segunda partida teve de ser resolvida com um tie-break. Apesar do excelente registo neste desempate ao longo da temporada, Thiem cometeu demasiados erros não forçados e, embora tenha começado a ganhar por 2-0, Medvedev ganhou os setes pontos seguintes para empurrar o encontro para o set decisivo. 7-6(2) foi o parcial.

Na fase inicial da terceira partida, voltou a imperar o equilíbrio, com jogos de serviços bastante disputados e as trocas de bolas a tornarem-se progressivamente mais longas. Logo ao terceiro jogo, o austríaco viu-se forçado a salvar três pontos de break consecutivos, numa fase em que começava a dar sinais de cansaço.

À nona oportunidade de quebra de serviço em todo o encontro, Medvedev colocou-se pela primeira vez à frente no marcador e ficou em excelente posição para vencer o encontro. Alicerçado em bons primeiros serviços, Medvedev não deu mais hipóteses a um Thiem pouco fresco no plano físico e fechou o resultado com 6-4 no terceiro set.

Numa final nem sempre bem jogada, o desgaste físico provocado pelo russo ao longo do encontro e a maior frescura apresentada na partida decisiva foram as chaves para a vitória do número 4 do ranking, que sai de Londres invicto, naquela que foi a mais longa final à melhor de três sets das ATP Finals, com 2h42 de duração.

Pedro Marques dos Santos

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