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ATP Masters 1000 Monte Carlo: Um marco histórico no ténis grego

Diogo Rodrigues · 10 min

Masters Monte Carlo
Foto: ATP Tour

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Foi nos courts do complexo, denominado por Monte Carlo Ténis Club, que se disputou, após um ano de interregno por conta da pandemia, o torneio de Monte Carlo. Esta prova que é das mais conceituadas sob terra batida conta já com mais de 100 edições, o que a torna uma das mais tradicionais e prestigiadas, logo após os torneios do Grand Slam e do ATP Finals, também conhecido por “Masters”.

Naquela que seria a segunda competição desta série de provas, logo depois de Miami, título arrecadado pelo polaco e número 16 Mundial, Hubert Hurkacz, era de esperar uma grande prova e um vencedor distinto face ao que se passara na contenda Norte-Americana.

Entre o elenco desta edição figuravam nomes como Rafael Nadal, que já vencera no “pó de tijolo” monegasco em onze ocasiões, mas que chegava ao principado sem qualquer encontro disputado na presente temporada sob terra batida, superfície na qual tem sido rei e senhor nos últimos anos, bem como o melhor que tinha feito, dado ter sido o único torneio no qual havia marcado presença  na presente temporada datava do Open da Austrália, no qual cedera nos ¼ de final perante Stefanos Tsitsipas.

O grego, que buscava o seu primeiro título Masters 1000 e que atuava no seu local de residência, visto morar no principado desde que abraçou o profissionalismo, tentaria fazer a festa na sua segunda casa! O número um, incontestado do ranking, o sérvio Novak Djokovic, já vencedor por uma vez desta competição também era parte deste fantástico lote de “estrelas” no qual estava também incluído o detentor em título, o transalpino, Fabio Fognini que por esse motivo tinha vários pontos a defender após essa surpreendente conquista em 2019.

PARTICIPAÇÃO LUSA NO PRINCIPADO TERMINOU DEMASIADO CEDO

O único tenista luso a marcar presença nesta semana de competição em Monte Carlo foi o vimaranense, atualmente fora dos 100 primeiros da hierarquia mundial, razão que o levou a ter de passar pela fase de qualificação, João Sousa.

O atleta que já confessou estar a atravessar uma crise de resultados e por conseguinte de confiança até começou por dar boas indicações, pois derrotou o esquerdino brasileiro, Thiago Monteiro por dois parciais sem resposta. Refira-se que o tenista do nosso país irmão está atualmente numa posição sólida dentro do top 100 do ranking ATP, pelo que parecia que Sousa não teria grandes dificuldades no encontro que daria acesso ao quadro principal. Contudo e diante de um adversário, atrás de si na tabela individual masculina, o vencedor de três trofeus na “nata” do ténis mundial ficou pelo caminho, frente ao italiano Tomas Fabbiano cedendo por duas partidas a zero: 7-6 e 6-4.

Com a derrota no encontro de acesso ao quadro principal no Mónaco as atenções do atleta que reside em Barcelona, viram-se agora para o ATP 250 de Belgrado, no qual disputará esta segunda feira a entrada no quadro principal tendo levado de vencido o tenista Norte-americano, Brian Nakashima na primeira ronda do qualifying.

A APARIÇÃO DA CHUVA LOGO AO SEGUNDO DIA E AS PRIMEIRAS SURPRESAS

Não foi necessário esperar muito, apenas dois dias, para as primeiras gotas de água se abaterem sobre o complexo monegasco, situação que condicionou e muito o normal desenrolar da segunda jornada. Mesmo com cinco horas de atraso, face ao inicialmente previsto, lá foi possível contemplar a fantástica bola amarela, bem como se pode assistir, ainda que sem publico nas bancadas, à queda de alguns protagonistas de quem era esperado mais.

O australiano, Alex de Minaur, número 25 da tabela, foi eliminado pelo espanhol, Alejandro Davidovich Fokina, que vinha de semanas menos bem conseguidas, com De Minaur a ser completamente dominado em todos os aspetos pelo tenista de ascendência balcânica. Já Ugo Humbert, francês que estava às “portas” de regressar ao top 30 caiu aos pés do australiano John Millman, fora dos 40 primeiros da hierarquia, com o gaulês a ceder por duplo seis três em pouco mais de uma hora e vinte minutos.

MEDVEDEV‎ TRAÍDO POR TESTE FORA DO COURT

Após o austríaco Dominic Thiem, número quatro do ranking ter cancelado, devido a questões físicas, a sua inscrição no torneio, sucedeu uma situação inesperada! Quando nada o fazia prever, com o tenista russo Daniil Medvedev‎ a efetuar um teste de rotina para a Covid19, o que não se desejava aconteceu! O soviético e vice-líder da classificação Mundial, viu-se mesmo impedido de defender convenientemente as suas hipóteses, sendo que deu positivo e não pode participar no evento. Para o seu lugar entraria um dos “Lucky Losers”, ou seja, tenistas que perdem na derradeira ronda de qualificação, mas que em caso de desistência ou impedimento de algum dos inscritos e devido ao seu melhor ranking são chamados a tomar parte. Neste caso esse cenário deu-se com o argentino, Juan Ignacio Londero, que, no entanto, não aproveitou o azar alheio, saindo de cena logo na segunda ronda, fase do certame na qual começaria a sua participação o russo em virtude de ser um dos cinco primeiros cabeças-de-série.

O terceiro dia de competição, ficou marcado pelas derrotas de: Felix Auger-Aliassime do Canadá, atleta que  recentemente iniciara parceria com o ex técnico e tio de Rafa, Toni Nadal, ao ser copiosamente derrotado pelo chileno e especialista nesta superfície, Cristian Garin, com o canadiano a rubricar uma atuação para lá de desastrosa. O outro favorito a chegar longe na competição mas que se despedia logo neste dia, seria o oitavo pré-designado, o italiano Matteo Berrettini, que voltava ao circuito após algum tempo de paragem para fazer frente a uma lesão abdominal, seria colocado fora de equação, por Fokina, que se ia cotando como o “tomba-gigantes” da prova até este momento!

A disputa dos 1/8 de final trouxe consigo algumas surpresas. Para começar, deu-se a inesperada eliminação de Djokovic, com este a ficar pelo caminho após ter superado no seu primeiro encontro o perigosíssimo transalpino, Jannik Sinner. Contudo Daniel Evans, da Grã Bretanha, foi o seu surpreendente carrasco., com “Djoko” a atuar a anos-luz do nível com que costuma brindar os amantes da modalidade. Acabando por ceder em duas partidas para o britânico, num duelo em que o melhor tenista do mundo anotou mais de meia centena de erros diretos.

No entanto não seria caso único no adeus ao evento nesta fase, dado que Alexander Zverev, eliminado por David Gofram, Pablo Carreño-Busta e Roberto Bautista Agut, foram outros cabeças de cartaz a ficarem pelo caminho, falhando o acesso aos melhores oito do evento. No entanto parece necessário destacar o encontro entre Andrey Rublev e Bautista-Agut, o melhor de todo o torneio e também o mais longo. Embora Rublev tenha saído vencedor, é daqueles encontros que vale a pena ver e rever, pois irá assistir a cerca de três horas de pleno espetáculo!

Os quartos, foram bastante competitivos e surpreendentes, salientando-se a derrota de Nadal, que assinou uma atuação extremamente irregular, errática e irreconhecível, com o primeiro set a ser entregue autenticamente a Andrey Rublev por 6-2. Após beneficiar de algum nervosismo claro, por parte do moscovita  na segunda partida, quando se adiantou para três um, o espanhol ainda conseguiu conduzir a contenda a um derradeiro parcial, dado ter triunfado no segundo por  6-4. Contudo e após um péssimo e tenso início de ambos, Rublev quebrando por duas vezes o serviço ao maiorquino, logrou fechar o encontro em  aproximadamente duas horas, vencendo a derradeira partida por 6-2.

Refira-se que até este teste, o maiorquino ainda não tinha tido um desafio à sua altura, passeando classe até então.

Já nos demais duelos alusivos a esta fase do evento, Stefanos Tsitsipas beneficiou da desistência por lesão de  Alejandro Davidovich  Fokina, com “el greco” já em vantagem por um set a zero, 7-5, Daniel Evans, continuou o seu caminho rumo às meias, afastando David Gofram da Bélgica, num embate no qual se destacam os 15 pontos de “break” salvos pelo britânico, redundando num triunfo por dois sets sem resposta.

Já o vencedor da pretérita edição da competição, Fábio Fognini, que também tinha obtido vitórias simples até aos quartos, “tombou” perante a abnegação e espírito de luta do norueguês Casper Ruud, que já batera Diego Schwartzman, na segunda eliminatória. Com o encontro a durar pouco mais de 90’ e com a vitória do nórdico a ficar fixada nos parciais diretos de 6-4 e 6-3.

UMAS MEIAS FINAIS EM QUE AS HIERARQUIAS FORAM RESPEITADAS

Em jornada de semifinais e com o sol a brilhar, era de esperar que os duelos não defraudassem as expectativas. No primeiro encontro o grego, que rubricara uma semana em que ainda não tinha sofrido grandes contratempos esmagou autenticamente Daniel Evans, com a surpresa do torneio, a capitular ao fim  de uma hora e dez, por contundentes 6-1 e 6-2, numa disputa em que Tsitsipas não conferiu quaisquer veleidades ao seu oponente, que no entanto fez a sua melhor semana de sempre em competições deste nível de importância.

Já no segundo face a face, Andrey Rublev aproveitou o “embalo” trazido da véspera e afastou o combativo norueguês Ruud, por 6-3 e 7-5. Com o novo top sete mundial, ascendendo uma posição no ranking, a demonstrar bastante competência, especialmente em pontos jogados no seu serviço.

Como tal o derradeiro encontro, a ser jogado no domingo, seria protagonizado por: Andrey Rublev da Rússia e  o Grego Stefanos Tsitsipas, respetivamente números cinco e sete da tabela ATP.

UMA FINAL DE UM SÓ SENTIDO

Foi com as nuvens como pano de fundo, que se disputou a final deste ano da competição monegasca, que prima por todo o “glamour” inerente aos eventos que  decorrem neste pequeno, mas belo território. De salientar que neste embate marcavam presença os dois tenistas que mais pontos somavam na corrida para Turim, local no qual se irão disputar as ATP Finals da presente temporada, com o  vencedor do torneio a ficar com o epíteto  de melhor tenista da presente época.

Uma conclusão já se poderia extrair ainda antes de ter lugar o encontro de atribuição da prova, teríamos novo campeão de provas de Masters 1000!

O começo da final, ficou marcado pela entrada impressionante do tenista ateniense de 22 anos, sendo que ao cabo do primeiro quarto de hora, o moscovita um ano mais velho já estava a correr atrás, perdendo por três jogos sem resposta. Tsitsipas seguiu dominando a primeira partida, embora que muito ajudado pelos muitos erros não forçados de Rublev, mas também com a direita do helénico a “andar” e de que maneira, tal como o seu serviço que ia sendo uma arma, com o primeiro parcial a ser uma mera formalidade para o melhor praticante de sempre da Grécia e que procurava o seu quinto troféu da carreira fechando-o, ao cabo de 33 minutos, pelo parcial de 6-3. Com os dois primeiros jogos de serviço da segunda partida a parecerem indicar que o parcial seria bem mais equilibrado. Tal ideia desvaneceu-se, quando o grego se adiantou com novo break para 3-1, com o mesmo a ampliar, conquistando o seu quarto jogo no serviço.

Com o encontro na mão e sempre a parecer estar melhor em termos físicos, mas também com maior disponibilidade mental, Stefanos seguiria imparável até à meta aplicando igual receita de marcador em relação à que averbara no parcial inaugural.

Foi desta forma e ao cabo de 72’, que Tsitsipas entrou para a galeria de vencedores do “Rolex Masters de Monte Carlo”, como o primeiro jogador grego a consegui-lo, bem como se tornou no primeiro tenista helénico a conquistar um torneio deste patamar. Algo que o levou às lágrimas aquando da receção do lindíssimo  troféu  das mãos do Príncipe Alberto.

Foi uma tarde quase a roçar a perfeição do ateniense, que não perdeu qualquer partida até arrecadar o título, assim como não enfrentou qualquer ponto de quebra de serviço ao longo da final. Outro aspeto que a meu ver foi vital para tamanha supremacia foi a percentagem que ambos tiveram sempre que forçados a jogar o seu segundo serviço: Rublev não foi além de pouco mais de 30%, ao passo que “el greco” venceu mais de 60% dos pontos em que colocou a sua segunda bola.

Foi desta forma que terminou mais uma edição desta prova em Monte Carlo. Fazendo votos que na próxima temporada a mesma possa contar com espectadores a presenciá-la ao vivo.

Na próxima semana jogam-se dois torneios ATP, um da série 500 em Barcelona, outro da série 250 em Belgrado, ambos sob terra batida.

Até lá, já sabe! Se quer rigor, informação, objetividade e procurar ficar a par sobre tudo o que se passa nas mais variadas modalidades, está no local correto!

Foto de Capa: ATP Tour

Diogo Rodrigues

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