Novak Djokovic tornou-se heptacampeão do Australian Open ao vencer na final Rafael por 6-3, 6-2 e 6-3 em apenas duas horas e 6 minutos, tornando-se no recordista absoluto de títulos do Grand Slam australiano, desempatando com Roy Emerson e Roger Federer, ambos com seis títulos. 

O sérvio jogou a um nível altíssimo, não dando qualquer hipótese a Nadal, conquistando assim o seu 15º título do Grand Slam, isolando-se na terceira posição dos tenistas com mais Majors na história, apenas atrás do próprio Nadal e do recordista, Roger Federer.

Anúncio Publicitário

No quadro masculino, foi sem grandes surpresas que Rafael Nadal e Novak Djokovic chegaram à final. Os dois “extraterrestres” arrasaram com a concorrência sem passar por grandes complicações, cedendo o sérvio apenas dois sets durante a caminhada até à final e o espanhol sem ceder qualquer set. 

Neste torneio, a denominada Next Gen, começou finalmente a dar um pouco ar da sua graça, nomeadamente através do jovem grego Stefanos Tsitsipas que chegou às meias-finais (derrota com Nadal), eliminando pelo caminho o campeão em título, Roger Federer. Outro jovem a dar cartas, foi Frances Tiafoe que chegou pela primeira vez na carreira aos quartos-de-final de um Major, com grandes vitórias sobre Kevin Anderson e Grigor Dimitrov, terminando a sua trajetória com a derrota para Rafael Nadal. Apesar de Alexander Zverev ser à partida o mais consagrado tenista desta nova geração e até um dos favoritos a chegar pelo menos até às meias-finais da competição, a verdade é que o alemão foi eliminado nos oitavos de final, continuando sem conseguir ultrapassar os quartos-de-finais (melhor resultado da carreira) em Grand Slams e sem dar jus ao estatuto que a generalidade do mundo tenístico lhe auspicia, “futuro número um mundial”. 

A maior desilusão do quadro masculino foi a eliminação do n.º 6 mundial, Kevin Anderson, logo na segunda ronda da competição, sendo o sul-africano um dos nomes apontados como favoritos à vitória, logo a seguir aos favoritos do costume (Djokovic, Nadal e Federer). A eliminação de Nick Kyrgios logo na primeira ronda, também pode ser considerada uma desilusão, dadas as elevadas expetativas do público australiano no tenista, contudo, o facto de ter sido eliminado por Milos Raonic (antigo n.º 3 mundial) atenua um pouco esse sentimento.

Relativamente aos tenistas portugueses presentes na Austrália, João Sousa deu muito bem conta de si, chegando à terceira ronda da competição de singulares, sendo eliminado nessa fase pelo japonês Kei Nishikori, n.º 9 mundial. João Sousa participou ainda na vertente de pares, onde ao lado do argentino Leonardo Mayer fez história para o ténis português ao chegar às meias-finais de um torneio do Grand Slam, melhor resultado de sempre de um tenista português em Majors.

Portugal contou ainda com a participação de Pedro Sousa que jogou pela primeira vez a primeira ronda de um torneio do Grand Slam, onde acabou eliminado na primeira ronda por Alex de Minaur, um dos tenistas mais promissores da atualidade.  

Naomi Osaka, na vertente feminina, conquistou o seu segundo título do Grand Slam, primeiro em solo australiano, ao vencer na final a “renascida” Petra Kvitova com os parciais de 7-6(2), 5-7 e 6-4 em 2 horas e 30 minutos. Com este triunfo, a japonesa conquistou o segundo título do Grand Slam consecutivo após ter vencido em setembro o US Open, tornando-se também na nova número um do ranking mundial, algo inédito na história do ténis japonês.

Após a vitória no US Open, Osaka apresentou-se em Melbourne com um estatuto diferente daquele com que chegou a Nova Iorque, chegando à Australia já com o estatuto de candidata ao título, o que se veio a confirmar. Por sua vez, Kvitova chegou ao Australian Open com a sua confiança em alta após vencer o WTA de Sidney que antecede o Major, não cedendo durante o Grand Slam qualquer set até à final. Para Kvitova, tratou-se de uma final com grande simbolismo, sendo a primeira final de um Grand Slam que disputou após um ataque que sofreu no final de 2016, altura em que a sua carreira chegou a estar em risco, mostrando que se encontra totalmente recuperada das gravíssimas lesões na mão esquerda.

Osaka durante a final do Australian Open 2019
Fonte: WTA

Ao contrário do que acontece habitualmente, não houve lugar a grandes surpresas no quadro feminino, tendo as principais favoritas seguido até às fases mais adiantadas da competição. Simona Halep (ainda n.º1 mundial, será sucedida de Osaka) foi eliminada nos oitavos-de-final, contudo, tal não poderá ser considerada uma surpresa, em virtude da sua adversária ter sido Serena Williams, sete vezes campeã do Australian Open e sempre favorita a vencer todos os torneios que disputa.

A maior surpresa do torneio foi a norte-americana Danielle Collins, atual n.º 35 do mundo e que aos 25 anos nunca havia sequer vencido um encontro num torneio do Grand Slam, chocou o mundo ao chegar às meias-finais, batendo para isso, jogadoras como Julia Georges (n.º13 mundial) ou Angelique Kerber (n.º 2 mundial), sendo apenas derrotada pela finalista vencida, Kvitova.

Em jeito de despedida, o Australian Open ou “The Happy Slam”, como é carinhosamente apelidado pelo mundo do ténis, proporcionou-nos durante duas semanas ténis do mais alto nível, pelo que as expetativas para o resto da temporada que ainda mal se iniciou ficam desde logo bastante elevadas.

Foto de Capa: ATP

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro