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Amplamente anunciada como “a melhor edição de sempre” do Barcelona Open Banc Sabadell, foram vários os craques que estiveram na Catalunha esta semana: para além de Rafa, também Djokovic recebeu wild-card à última da hora, fazendo companhia a Grigor Dimitrov, Dominic Thiem, David Goffin… enfim, um quadro “de luxo” tendo em conta a categoria ATP500 do torneio catalão.
Foi com estádio cheio que o público espanhol recebeu o sérvio 12 anos depois da sua estreia em terrenos catalães, quando ainda tenha somente 18 anos. O eslovaco Martin Klizan, de 28 anos, e que já anda fora dos grandes palcos do ténis há bastantes meses (resultando na sua atual classificação de 140.º) era o alvo a abater de um Djokovic nervoso e com uma falta de confiança assinalável, que esperava regressar às vitórias mas principalmente a um nível exibicional condizente com o estatuto que carrega às costas.
Mas não foi em Barcelona que o conseguiu. O sérvio voltou a desiludir os milhares de fãs e Klizan revelou-se competente e audaz no que toca a explorar as debilidades – físicas, táticas e psicológicas – do atual 13.º classificado da hierarquia ATP – derrotando o sérvio em três partidas. E este foi o principal destaque da metade superior da grelha, assumindo que já “não merece” destaque o facto de Rafa seguir “cilindrando” todos aqueles que à frente lhe surgem, distribuindo por duas vezes em quatro encontros os famosos “pneus” – vulgo, 6/0.

Fonte: Barcelona Open BancSabadell – Trofeo Conde de Godo
Na metade inferior, um nome grande se destacou. E não digam que o Bola na Rede não avisou, porque já aqui falámos dele.
Pois é, Stefanos Tsitsipas deu o seu primeiro passo de gigante no circuito “dos adultos” e mostrou que sim, é possível ser-se (muito) competente em terra batida, sendo também um bom jogador em pisos muito rápidos, como relva. A aliança entre um serviço que abre as portas dos pontos ao grego, e uma consistência fabulosa para um miúdo de 19 anos, revelou-se letal para todos os seus adversários – Dominic Thiem incluído – até chegar à Final. Aí, o grego que jogava a sua primeira final do circuito ATP enfrentou Rafa Nadal que procurava “La undecima” em onze finais disputas…somente em Barcelona.
A Final começou muito cinzenta, literalmente. As nuvens que pairavam sob a “Pista Rafa Nadal” do Real Tenis Club de Barcelona preocuparam os presentes e fizeram abrir muitos guarda-chuvas nas bancadas tendo o jogo mesmo sido interrompido por duas breves vezes no início do encontro. Dissipadas as nuvens, veio o sol e com ele as condições climatéricas que melhor encaixam no ténis de Nadal: o tempo seco torna a terra batida mais rápida, e o top-spin do maiorquino faz muito mais moça no adversário. Por isso, foi com toda a naturalidade que o líder do ranking ATP foi somando pontos atrás de pontos, breaks e, ao fim de pouco mais de uma hora, quebrou de forma derradeira o serviço do jovem grego consumando mais um título com os parciais de 6/2 e 6/1.

Fonte: Barcelona Open BancSabadell – Trofeo Conde de Godo
De Barcelona, e no que a Nadal diz respeito, fica (mais do que a vitória da prova) um apontamento importante: o espanhol recuperou aquela “aura” que possuiu durante tantos anos, e que se vinha a desvanecer com o tempo. Alturas houve em que, vendo o “touro ferido”, qualquer adversário ansiava entrar para dentro do campo de terra batida frente a Nadal, na busca de ficar registado no reduzido leque de atletas que lograram derrotar o maiorquino. E essa condição alimentava as esperanças dos adversários de Nadal ao mesmo tempo que causava mais problemas ainda a Rafa.
Agora que a tormenta (aparentemente) passou, o espanhol quebrou esse ciclo menos positivo e desde o ano passado que vem reconstruindo a condição de imbatível em terreno argiloso. Fruto disso, Rafa quase que já entra em campo com um set (ou mesmo dois) de avanço. E essa aura que gira em torno de Nadal é quase impossível de quebrar. Que o diga Federer que é, porventura, o jogador que mais frustração terá sentido frente ao maiorquino, na última década.
Foto de Capa: ATP










